Para médica do trabalho, bancos devem se preparar para receber o trabalhador que retorna de licença de saúdeSão Paulo – As pendências de saúde e condições de trabalho estarão entre os assuntos em pauta na negociação desta terça, dia 16, durante o quinto encontro entre bancários e banqueiros desde que foi iniciada a campanha deste ano.
Uma das principais reivindicações da categoria é a aplicação de processos responsáveis e efetivos de reabilitação ocupacional nas instituições financeiras. A intenção dos bancários é que as vítimas de doenças ocupacionais (quase sempre causadas pelas condições de trabalho insatisfatórias oferecidas pelos bancos) tenham acesso não apenas a tratamentos médicos que possibilitem sua recuperação, mas também a uma atenção diferenciada no momento de retornar ao trabalho, condizente com a situação especial em que se encontram – afastados do dia-a-dia do local, muitas vezes com seqüelas da doença etc.
“Existe uma diferença grande entre a reabilitação ocupacional e a reabilitação física e psicológica, que visa simplesmente recuperar a funcionalidade do trabalhador, com fisioterapia e atendimento psicológico, por exemplo”, explica a médica do trabalho Maria Maeno, que presta assessoria ao Sindicato. “A reabilitação ocupacional objetiva a reinserção do trabalhador no mercado de trabalho com qualidade. É necessário preparar tanto a pessoa para voltar ao trabalho quanto o posto que vai assumir, para que este tenha condições de recebê-la”, diz.
Churrascos e festas – Ela afirma que para isso é essencial melhorar o ambiente de trabalho, mas não como as empresas estão acostumadas a fazer. “Não adianta fazer churrasco e festinhas quando são mantidas políticas que geram os fatores de risco para as doenças, como metas abusivas e a forma como essas metas são cobradas, com ameaças”, afirma Maeno.
Segundo o secretário de Saúde do Sindicato, Walcir Previtale Bruno, não há atualmente política de reinserção nos bancos. “O que vemos são trabalhadores retornando para o mesmo posto, exercendo a mesma função que causou a doença e o afastamento, e tendo assim suas condições de saúde agravadas. Muitas vezes acabam demitidos ou ficando com problemas permanentes de saúde”, diz.
Participação – Para Maria Maeno, a solução passa necessariamente pela participação dos representantes dos trabalhadores no processo. “Um acordo com a participação dos trabalhadores poderia, por exemplo, limitar o crescimento desordenado das metas, como vemos hoje, quando elas sobem de forma unilateral e muitas vezes até mesmo de forma descolada da realidade.”
Danilo Pretti Di Giorgi – Sind.Bancários SP