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Lula defende papel do Estado como regulador do sistema financeiro

Salvador – “Chegou a hora da política”, afirmou hoje (28) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao defender papel do Estado como regulador do sistema financeiro. Em Salvador, onde participou da 9ª Cúpula Brasil-Portugal, Lula se colocou contrário aos que defendiam o liberalismo econômico sem a interferência do poder público.

“Teve uma época, por muito tempo, em que os políticos andaram de cabeça baixa diante do neoliberalismo. O que estou defendendo não é o Estado se intrometer na economia, mas é o Estado que tenha força política para regular o sistema financeiro”, disse o presidente no pronunciamento que fez, ao lado do primeiro-ministro de Portugal, José Socrates.

“Fomos eleitos, assumimos compromissos com o povo, e o Estado, diante da crise mundial, volta a ter papel extraordinário, porque todas essas instituições que negaram o papel do Estado na hora da crise procuram o Estado para socorrê-las da crise que elas mesmo criaram”, afirmou Lula.

O presidente também voltou a criticar as empresas que especularam e tiveram prejuízos com a crise mundial.

“As empresas brasileiras têm grandes investimentos, rodovias, ferrovias, siderurgia, portos, agricultura. Trabalhamos honestamente por seis anos para por a economia num padrão respeitável no Brasil inteiro. É por isso que juntamos US$ 207 bilhões em reservas. É por isso que fizemos ajustes fiscais. Entretanto, por que estamos vivendo sinais da crise? É porque alguns setores resolveram investir em derivativos, fazer um cassino. Portanto quem foi para a jogatina perdeu. Portanto, ninguém tinha o direito de tentar, diria de forma ilícita, mais que aquilo que o próprio sistema produtivo oferecia ao país”, disse o presidente

Lula enfatizou que os setores da economia devem concentrar seus esforços em ganhar dinheiro com a produtividade. “O sistema financeiro tem obrigação de ganhar o seu dinheiro em coisas que gerarão empregos, produtos, riqueza. Não podemos permitir que o sistema financeiro mundial brinque com a sociedade. Não podemos admitir que alguém fique rico apenas trocando papéis e poucas vezes se gerou um paletó, uma bota e um alfinete”.

O primeiro-ministro de Portugal, José Socrates, apoiou a colocação do presidente Lula e disse que em Portugal a ação do governo foi a mesma tomada no Brasil, com o objetivo de minimizar os efeitos da crise na economia interna: a de dar mais liquidez aos bancos.

“Concordo com o presidente Lula quando ele diz que chegou a vez da política. Esse é um momento decisivo e Portugal e Brasil querem ação, não inação, fingir que nada aconteceu”, afirmou o chefe de Estado de Portugal, ao se referir às ações para o combate à crise econômica.

Para Socrates, a crise mundial funcionou como um divisor de águas. Ele ressaltou que não se trata de uma crise cíclica e sim de uma crise grave, “que acontece apenas uma vez na vida de cada pessoa”.

“Existe um antes e um depois da crise mundial. Antes, existia um pensamento único de que qualquer intervenção do Estado seria de forma burocrática, com finalidade de aumentar imposto. Hoje há o entendimento de que é necessária a ação da política para construir essa nova ordem mundial econômica de uma globalização mais justa”, ressaltou.

Lula e Socrates também se uniram na defesa do fortalecimento da União Européia e do Mercosul. “Se não estivéssemos na zona do euro eu não sei que seria de Portugal”, disse Socrates.

Por Luciana Lima – Enviada especial.

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Crise financeira não abalou operações de crédito em setembro

São Paulo – As operações de crédito no Brasil tiveram um aumento de 34% nos últimos doze meses, movimentando R$1,15 trilhões e atingindo 39,1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo relatório divulgado pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

O nível de setembro foi considerado um recorde histórico pela Febraban e pode ser interpretado como “uma continuidade na expansão do crédito na economia brasileira, mesmo diante do agravamento da crise financeira internacional”.

As operações de leasing foram as maiores responsáveis pelo crescimento do crédito para pessoa física – cerca de 29,7%. Em um ano, o leasing cresceu cerca de 41,1% no último ano. As operações com cartão de crédito e crédito pessoal também cresceram 26,9% e 26,5%, respectivamente. Já no financiamento imobiliário, o aumento foi de 64,3%, mas, por não superar os índices anteriores (em junho foi 88,8%), o ritmo de expansão é considerado em queda.

Para pessoas jurídicas, as operações de crédito registraram um crescimento superior ao mês de agosto, de 48,2%. Ainda de acordo com o relatório, as operações com recursos externos tiveram taxa de crescimento em 29,8%. No mês anterior, a taxa foi de 13,6%. Cresceram também as operações de crédito para capital de giro, totalizando 82,7%.

As taxas de juros cresceram 6,8 pontos percentuais em comparação com o mesmo mês do ano passado, e 1,0 ponto percentual, em relação a agosto deste ano. Os spreads (diferença entre o preço de compra e venda da mesma ação, título ou transação monetária) cresceram 3,6 pontos percentuais para pessoas físicas e 2,1 pontos percentuais para pessoas jurídicas.

Já a taxa de inadimplência da carteira total se manteve estável na faixa dos 3,0%. O relatório indica ainda que a inadimplência para pessoas físicas diminuiu 7,3%, em relação a agosto. Para as pessoas físicas, a taxa ficou na faixa de 1,6%.

Por Ivy Farias – Repórter da Agência Brasil.

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