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Três cenários para 2010

Já não são poucos os analistas que dizem ser mais fácil hoje escrever sobre como será o ano de 2010 do que o de 2009. A piada é engraçadinha, mas a verdade é que neste momento qualquer análise prospectiva, seja de curto, médio ou longo prazo, é muito complicada em função da crise financeira internacional, que ainda está em curso e cujos desdobramentos serão cruciais para o que vem pela frente. Este colunista não é advinho nem consulta videntes, de modo que o máximo que pode fazer é tentar esboçar alguns cenários para 2009 no Brasil, a partir de hipóteses sobre os efeitos da crise na economia mundial e nacional. Até porque, como diria o presidente Lula, nunca antes neste país (ou em qualquer outro) o jogo político ficou tão dependente dos acontecimentos econômicos como agora.

Muito a grosso modo, é possível vislumbrar três cenários para a atual crise – o otimista, o moderado e o pessimista. Comecemos, então, pelo último. Alguns economistas têm qualificado a crise financeira iniciada nos Estados Unidos como a “pior da história do capitalismo”. Ainda que o diagnóstico seja um pouco precoce, há elementos que corroboram esta visão: os problemas começaram no coração do sistema (os EUA); já geraram perdas financeiras monumentais, que engessaram o funcionamento do mercado de crédito não apenas nos EUA, mas também na Europa, Ásia e em boa parte dos países emergentes; e vem se propagando com uma velocidade espantosa – em poucos meses a economia real de todo o planeta foi seriamente afetada.

Crise profunda na economia e na política

Na visão dos mais pessimistas, portanto, o que está em curso é um processo gravíssimo e que vai devastar a economia mundial, legando desemprego em toda parte, empobrecendo os ricos e deixando os pobres miseráveis. Dentro desta lógica, os esforços dos governos e bancos centrais seriam insuficientes para conter a crise, que no fundo representaria o despencar de um castelo de cartas fundado no financismo e na desregulamentação destas atividades mundo afora, mas mais especialmente nos Estados Unidos e Europa. Como as finanças alavancavam o crescimento do mundo produtivo, seria inevitável que uma quebradeira generalizada se instalasse em todos os países do mundo. Para quem tem esta leitura da crise, o processo será longo e doloroso, alguns já falam em décadas de turbulências, um ciclo recessivo ímpar na história da humanidade.

Se tal cenário for verdadeiro, não há muito o que dizer do ano de 2009 no Brasil. Historicamente, todos os períodos de crise política séria ocorreram em cenários de crise econômica. Foi assim quando os metalúrgicos de São Bernardo iniciaram as greves que mudaram a história do movimento sindical, logo após a onda de carestia de 1977; foi assim quando o povo saiu às ruas na campanha das Diretas Já, logo após a crise de 1981/2; foi assim no final do governo Sarney, com a inflação nas alturas e ônibus presidencial levando pedras no Rio de Janeiro; e foi assim também por ocasião do impeachment de Fernando Collor, após a mais severa recessão desde a democratização, em 1991/2.

Não há dúvida, portanto, que uma retração forte na economia terá conseqüências na esfera política. Como se pode ver, porém, nem sempre a crise política é concomitante com a econômica – muitas vezes as conseqüências políticas chegam um pouco depois. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sem dúvida bateu no teto de popularidade possível para um governante – é muito difícil alguém ultrapassar o patamar dos 85% de aprovação. Assim, mesmo com uma crise muito grave, é possível que Lula acabe perdendo parte do seu capital político, mas entregue o abacaxi para o seu sucessor(a). Neste caso, a crise cairia no colo do infeliz que for eleito pelas urnas em 2010, que ainda por cima teria seu governo comparado aos anos de bonança do lulismo…

Os mais pessimistas, porém, acreditam que nem mesmo os 80% de popularidade de Lula estariam imunes à crise. Neste caso, o cenário seria quase inimaginável, pois, para o bem ou para o mal, a depender do gosto do analista, Lula conseguiu em seu governo um pacto de governabilidade que deixou os setores mais radicais sem discurso e a elite satisfeita com a moderação da gestão petista. Se o povão se decepciona com Lula e o PT, na esfera política tudo vira de ponta cabeça. Não necessariamente os partidos de oposição seriam beneficiados, pois a decepção abarcaria toda a classe política. No cenário de colapso econômico e crise política séria, este colunista aposta mais em soluções do tipo messiânicas do que propriamente no discurso tecnocrático e frio de um José Serra ou Aécio Neves. Ciro Gomes poderia despontar como alternativa, mas a verdade é que neste caso qualquer político mais verborrágico poderia encantar o povão. Garotinho, Collor, Heloísa Helena ou, por que não, Protógenes Queiroz seriam nomes a serem levados em consideração para a eleição presidencial de 2010.

Para quantificar o que se apresentou aqui como cenário pessimista, seria uma situação em que o PIB brasileiro sofreria pelo menos alguma queda em 2009, talvez já com deflação e crise cambial instalada. O despemprego subiria para a casa dos 15%, ou seja, dobraria em um ano.

Segundo cenário: pouso forçado, mas sem avarias na aeronave

A hipótese dominante no momento, porém, é a moderada. A maior parte dos economistas prevê que a economia brasileira sofra um baque com a crise internacional, mas permaneça crescendo no ano que vem. Os analistas moderados falam em algo em torno de 2% a 2,5% no próximo ano, o que, dadas as circunstâncias externas, não seria de fato nenhuma grande tragédia. O desemprego subiria um pouco, talvez para a casa dos 10%, mas as demais variáveis macroeconômicas permaneceriam sob controle, isto é, sem crise cambial e sem deflação ou inflação descontrolada.

Em tal cenário, é evidente que a popularidade do presidente Lula também seria afetada, provavelmente cairia dos estratosféricos 85% para algum patamar mais baixo, o qual é muito difícil mensurar, mas pode-se dizer que ainda acima dos 50%. No campo político, os grandes beneficiários na hipótese de impactos moderados da crise no Brasil seriam os políticos com discurso mais técnico e que se apresentam como experientes gestores de questões econômicas. Serra, sem dúvida, mas também Dilma Rousseff e Aécio Neves, para ficar nos mais cotados para a eleição de 2010. O PSOL, por exemplo, poderia pensar, em um cenário deste tipo, em uma alternativa mais consistente à histriônica Heloísa Helena. O diretor deste Correio, ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio, seria um nome à altura do debate que estaria colocado na campanha de 2010. Até mesmo o DEM, se se desgarrasse dos tentáculos tucanos, teria o que dizer lançando, por exemplo, o ex-governador Cláudio Lembo à presidência do país.

Evidentemente, o aumento do desemprego e a retração econômica seriam para o presidente Lula um desafio na manutenção do pacto que conseguiu selar em seu governo. Movimentos sociais e sindicatos voltariam às ruas, a pressão seria muito maior e pela primeira vez nestes dois mandatos o presidente teria de desagradar alguma das partes – elites ou povão. Mantendo a política econômica conservadora, a conseqüência aparece nas ruas; agindo de forma mais arrojada, perde o apoio no andar de cima. Deste movimento do presidente dependeria, em grande medida, a vitória de um campo ou outro, governo ou oposição, na eleição de 2010.

Descolamento da crise: Lula de novo?

Por fim, cabe analisar o cenário otimista para 2009. Crescimento do PIB acima de 2,5%, variáveis macroeconômicas em ordem, com o câmbio mais estável e um ligeiro acréscimo no desemprego é tudo que o governo deseja. Para que isto aconteça, há duas condições, talvez complementares: lá fora, o pacote prometido por Barack Obama já teria efeitos bastante contundentes e amainaria a crise mundial; e aqui dentro, o mercado interno sustentaria o crescimento da economia.

Se tudo isto acontecer, o presidente Lula terá a seu favor a tese de que a boa gestão da crise afastou dos brasileiros os graves problemas que afetaram os países ricos. Na boca de qualquer outro, soaria como bravata, na de Lula, será uma arma poderosa de marketing político, permitindo a ele manobrar tanto para permanecer no cargo por mais quatro anos, se for o seu desejo, ou para ajudar a eleger, em 2010, o seu sucessor.

Nada, mas nada mesmo, é pior para a oposição do que um “descolamento” do Brasil da crise internacional. Tal situação coroaria os oito anos de governo Lula, aos olhos do povão, como antítese da gestão tucano-pefelista, que sucumbiu em todas as crises internacionais que enfrentou. Não é preciso ser nenhum gênio para imaginar o presidente repetindo pelo país afora: “antes, o Brasil quebrava a cada pequena crise em países da periferia, na Ásia, na Rússia; agora, o país resiste até mesmo à maior de todas as crises já enfrentadas na história do capitalismo…”. Ou, para ser mais simples: “nunca antes neste país…”.

Tudo somado, quem quiser acompanhar a vida política brasileira em 2009 vai ter que se ligar na economia. É nesta esfera que estará sendo jogado o jogo político já com vistas às eleições gerais de 2010. Cada novo número será uma pista de qual dos cenários prevalece. Talvez lá pelo meio do ano já seja possível dizer o que está acontecendo com algum grau de precisão.

E a todos os leitores deste Correio, por fim, ficam os votos de um bom 2009, dentro do possível! Que o futuro brinde a todos com um país mais justo e próspero.

Por Luiz Antonio Magalhães, que é editor de Política do DCI e editor-adjunto do Observatório da Imprensa -http://www.observatoriodaimprensa.com.br/

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.correiocidadania.com.br.

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A crise é grave, será prolongada e irá alterar a economia mundial

O alerta é de economistas que, reunidos em seminário – organizado pelo governo do Paraná,, entre os dias 7 e 11 de dezembro, em Curitiba, concluíram que o neoliberalismo se esgotou. Sugerem medidas que devem ser colocadas em prática imediatamente, entre as quais, o fim do Consenso de Washington e a integração latino-americana, não apenas econômica, mas cultural e política

A crise financeira, desencadeada a partir do centro do imperialismo estadunidense, e que já se reflete na economia real de todos os países – industrializados e emergentes – foi o tema do seminário Crise – Rumos e Verdades, organizado pelo governo do Paraná. O evento aconteceu entre os dias 7 e 11 de dezembro, em Curitiba (PR), e reuniu quase 40 especialistas, sendo 20 brasileiros e os demais argentinos, equatorianos, venezuelanos, ingleses, italianos, russos, mexicanos e alemães. Além um uruguaio, representante da Organização das Nações Unidas (ONU), em oito mesas de debates.

A maioria dos participantes lembrou que a atual crise era previsível em função da vasta especulação financeira que se abateu sobre a economia mundial e remete ao fim do período neoliberal dos últimos 25 anos. Foram cinco dias de intensos debates, com enfoques analíticos diversos, mas com alguns consensos, como, por exemplo, que a crise é grave, será prolongada e alterará profundamente a economia mundial.

Os economistas sugeriram algumas medidas para enfrentar a crise e que devem ser colocadas em prática imediatamente, entre as quais, a centralização e estatização do câmbio, aceleração dos investimentos públicos, revitalização dos Estados nacionais, o fim do Consenso de Washington e a integração latino-americana, não apenas econômica, mas cultural e política.

Da recessão a depressão

Além de apresentar um quadro geral da economia em diversas regiões, o seminário apontou caminhos para se enfrentar a crise recessiva e que para alguns economistas, como o professor Nildo Ouriques, diretor do Instituto Latino-Americano da Universidade Federal de Santa Catarina, pode evoluir, em pouco tempo, para uma depressão. Ouriques argumentou que a recessão é uma queda aguda do Produto Interno Bruto (PIB) por dois ou mais trimestres consecutivos, como já está acontecendo. Já a depressão, segundo ele, está relacionada a outros aspectos mais amplos, como níveis de emprego, produção industrial, rendimento real e crédito disponível.

Fim dos paraísos fiscais

O senador Aloísio Mercadante, do PT de São Paulo, que é professor de economia, defendeu o fim dos paraísos fiscais em todo o mundo. Segundo o parlamentar, são 78 paraísos fiscais espalhados pelo planeta, que escondem as sombras do sistema financeiro, impedem o planejamento fiscal e os bancos centrais de atuarem de forma coordenada para o enfrentamento dessa crise. “Essa é a melhor contribuição que podemos dar para o enfrentamento da crise no mundo”, afirmou.

Não à política de Meirelles

Para quase todos os economistas brasileiros, o governo Lula está navegando contra a corrente ao manter os juros inalterados em 13,75% por determinação do Banco Central, dirigido por Henrique Meirelles, ex-diretor do Banco de Boston, considerado por muitos como o verdadeiro condutor da política econômica brasileira.

Em contrapartida, um relatório da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), aponta que a política de juros do Banco Central ajudou o Brasil a reduzir o número de pobres e indigentes. Segundo a Cepal, o Brasil foi um dos países da região com menor inflação a partir de 2007.

Carlos Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), assinalou que a saída do presidente do Banco Central depende apenas de vontade política, que se concretizaria com a assinatura do presidente da República e publicação do ato de demissão no Diário Oficial da União.

Centralização do câmbio

O professor Carlos Lessa defendeu a centralização do câmbio como suporte para a construção de um projeto nacional para o Brasil superar a crise. Ele acredita que a superação da crise econômico-financeira mundial depende de vontade política para fazer do Brasil uma grande nação em dez anos.

Lessa sugeriu ainda outras medidas concretas para o Brasil enfrentar a crise, entre as quais a combinação de investimentos públicos e privados que permita a execução de grandes programas de infra-estrutura. Defendeu concomitantemente a centralização do câmbio, com o Banco Central fazendo o orçamento cambial para ser a peça-chave no projeto nacional brasileiro, sugerindo, para facilitar essas medidas, a união dos bancos estatais brasileiros, como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em apenas um só banco estatal, forte. (Leia mais na edição 304 do Brasil de Fato).

Por Mário Augusto Jakobskind de Curitiba.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.brasildefato.com.br.

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No contexto atual, só o sistema público pode expandir o crédito

Há várias batalhas a serem travadas para minimizar os efeitos da crise e redirecionar a economia brasileira para um novo padrão de crescimento. Das questões imediatas, o crédito, a taxa de câmbio e o gasto público assumem importância crucial. A análise é do economista Ricardo Carneiro.

Diante de uma crise sistêmica que atinge a essência do capitalismo financeirizado, ou seja, as instituições e mecanismos de geração de riqueza fictícia, e cuja intensidade e alcance começa apenas a se delinear, a pergunta é evidente: o que fazer? Há uma dupla resposta à questão: a primeira, de ordem mais geral, deve se ater às possibilidades de reformar esse tipo de capitalismo, incluindo aí a redefinição das relações internacionais. A segunda, de caráter específico, precisa discutir as possibilidades do Brasil em minimizar os impactos dessa crise global e, até mesmo, buscar transformá-los em novas oportunidades. O foco desse artigo é na segunda questão.

Há várias batalhas a serem travadas para minimizar os efeitos da crise e redirecionar a economia brasileira para um novo padrão de crescimento. Das questões imediatas, o crédito, a taxa de câmbio e o gasto público assumem importância crucial. Como questões prementes mas com impactos num horizonte mais longo há que se discutir as novas frentes de expansão da economia brasileira e associadas a ela, duas dimensões essenciais: como lidar com a restrição externa e qual o papel do Estado no novo modelo.

Um dos fatores mais danosos à economia brasileira tem sido a parada súbita do crédito. Movidos por uma exacerbada preferência pela liquidez os bancos travaram o crédito e pouco adiantaram as medidas de injeção de dinheiro pro meio da redução dos compulsórios, permitida pelo Banco Central. Uma parcela expressiva dessa liquidez injetada na economia empoçou nas operações de tesouraria.

Reconstituir o fluxo de empréstimos bancários é essencial para evitar que o consumo, o investimento e o comércio exterior continuem a se contrair. Se o Governo foi derrotado na primeira batalha, pode não perder a segunda. No contexto atual a única maneira de expandir o crédito é fazê-lo pelo sistema público. Isto induzirá o sistema privado, num segundo momento, a fazer o mesmo, sob pena de perder de maneira permanente, parte do mercado. Fica por resolver a política monetária propriamente dita: a redução rápida e substancial da taxa básica de juros seria outro requisito essencial para a expansão do crédito.

No front cambial, o Governo tem agido de forma importante mas insuficiente. Prover o sistema com liquidez, em dólares, usando para isto as reservas internacionais, ou vender swaps cambiais, é necessário para financiar o comércio exterior, refinanciar temporariamente as empresas endividadas e vender proteção conta a variação do dólar, mas não restringe a atividade especulativa. O Brasil tem hoje cerca de US$ 200 bilhões em reservas que bem utilizadas poderiam promover uma relativa estabilidade na taxa de câmbio. Mas por que isto não está ocorrendo? Por conta da especulação no mercado de derivativos. Logo, é preciso intervir decididamente nesses mercados.

Uma vez recomposto o crédito, e obstaculizada a especulação cambial, a política econômica teria de se preocupar com a inevitável contração do gasto privado criando, por meio do gasto público, um mecanismo compensatório a essa redução. O maior problema aqui reside na assincronia: rápido declínio das despesas privadas ante a lenta ampliação das despesas públicas. O Governo tem, contudo, nessa área, um trunfo importante. Já está autorizado para Maio de 2009 um aumento do salário mínimo da ordem de 12%. Sua antecipação para Janeiro ampliaria rapidamente as transferências do setor público para o privado e exatamente para os setores da população mais desfavorecidos aquecendo o consumo e ampliando a proteção social.

A outra frente da ação do setor público refere-se ao investimento. Nesse caso há uma desvantagem evidente representada pelo baixo patamar do investimento público nos últimos anos. O desafio é aumentar esse valor nas duas esferas: nas empresas estatais e na administração pública. Cabe considerar também que o setor público, por meio do seu sistema financeiro, é o maior financiador do investimento privado no país. Decorre daí que o Governo tem a possibilidade de definir um programa de investimentos, com alta sinergia entre setor público e privado – com capacidade real de implementá-lo ou financiá-lo.

A atividade de organização, ampliação e financiamento do investimento assume um caráter estratégico, pois serve de elo entre o curto e o longo prazo definindo as novas frentes de expansão da economia e um novo padrão de associação entre o privado e o público. Alguns parâmetros podem ser estabelecidos para esse programa: a necessidade de investir em infra-estrutura (econômica e social), a preocupação com a exploração de bens exportáveis, tanto intensivos em recursos naturais, como o petróleo da camada pré-sal, quanto os mais intensivos em tecnologia. Nesse último caso a necessidade de um novo perfil de negociação com as mutinacionais é imperiosa.

Nesse novo padrão de crescimento, cuja implementação pode inclusive melhorar a percepção sobre o curto prazo, um constrangimento essencial terá que ser respeitado: a restrição externa. Qualquer que seja o desdobramento da crise global, a resultante será, durante um período significativo de tempo, um menor dinamismo dos circuitos comerciais e financeiros globais. Para o Brasil isto terá um significado contraditório: a necessidade e viabilidade de apoiar o crescimento mais decididamente no mercado interno, sujeito este último, na sua qualidade e intensidade, à restrição de balanço de pagamentos.

Por Ricardo Carneiro, que é Professor Titular do Instituto de Economia e Pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica da UNICAMP.

Fonte: Carta Maior. 12/12/2008.

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.crise.pr.gov.br.

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