fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 20:31 Sem categoria

Contra a crise, investimentos, trabalho formal e proteção social

Enquanto a crise econômica global pode gerar até 50,5 milhões de novos desempregados em 2009, de acordo com previsões divulgadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o FSM sustenta: para prevenir desemprego em massa e miséria, principalmente nos países pobres, a prioridade deve ser: investimentos produtivos, trabalho formal e proteção social. “Essa não é uma crise qualquer, ela foge do padrão de crises que nós tivemos desde 1873 até aqui”, diz Márcio Pochmann, presidente do IPEA.

BELÉM – Segundo o relatório Tendências Mundiais de Emprego 2009, o agravamento da crise econômica pode fazer com que a taxa global de desemprego atinja 7,1% neste ano, comparado com 6% em 2008 e 5,7% em 2007. Nesse caso, o número de desempregados pode chegar a quase 230 milhões – 50,5 milhões a mais do que os 179,5 milhões registrados em 2007, ano em que a economia global ainda não havia sido atingida pela primeira grande crise da globalização capitalista. A previsão da OIT já é consideravelmente maior do que a divulgada em outubro de 2008, quando o órgão projetou que o número de desempregados poderia aumentar em até 20 milhões de pessoas neste ano.

Confirmando as previsões, só na semana passada, mais de 80 mil pessoas perderam seus postos de trabalho entre as grandes multinacionais. Na América Latina, o pior cenário alerta que 23 milhões de pessoas não terão trabalho. Em 2007, o número era de 19 milhões. “Essa não é uma crise qualquer, ela foge do padrão de crises que nós tivemos basicamente desde 1873 até aqui. O padrão de avanço do capitalismo tem sido de forte incerteza e oscilação. Desde esta época, a cada dois anos, há uma crise que, de certa maneira, responde a um padrão de expansão capitalista. Porém, a crise atual não pode ser comparada às outras. Talvez a comparação seja com a Crise de 1929 ou com a Depressão de 1873. O que estamos vivendo hoje é a primeira grande crise do capital globalizado”, avaliou o doutor em Ciência Econômica e presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), Marcio Pochmann, na quinta-feira (29) em Conferência no Espaço do Mundo do Trabalho.

“Energia soberania e trabalho decente – perspectivas para o desenvolvimento sustentável” reuniu o sociólogo Boaventura de Souza Santos, o presidente do CONSEA Renato Maluf, Laís Abramo da OIT e Artur Henrique, presidente nacional da CUT. Na mesa, o consenso foi de que, para prevenir desemprego em massa e miséria, principalmente nos países pobres, a prioridade deve ser aos investimentos produtivos, trabalho formal e proteção social. “As medidas são, em primeiro lugar, da produção e do emprego. O emprego se coloca como uma centralidade que não tinha nas últimas as três décadas. Então são políticas que de certa maneira oferecem um espaço muito diferente de ação daquelas que nós tivemos antes. Até então praticamente todas as crises apontavam para o fato de que o problema era o estado. O discurso de Ronald Reagan em 1981 era de que o Estado era o problema. Hoje, é de que o estado é parte da solução, Obama disse isso em seu discurso”, relembrou Pochmann.

“A Agenda para o Trabalho Decente é um importante pilar político para se combater a crise global”, disse Laís Abramo. A OIT lançou recentemente a Agenda do Trabalho Decente e convocou o G-20 para que, no seu próximo encontro, marcado para o dia 2 de Abril, em Londres, concorde urgentemente em dar prioridade, junto às questões financeiras, a medidas para gerar emprego e a proteção social. “O comércio brasileiro com outros países também é um fator importante. Com o Governo Lula, nós fizemos um movimento que foi diversificar a nossa base de comércio. Até 2003, nós dependíamos essencialmente dos Estados Unidos e da União Européia, agora há um movimento de maior relação comercial com outros países como a África, a Ásia e com a América Latina. Hoje isso nos dá uma relação mais equilibrada”, acrescentou Pochmann.

“Do ponto de vista da questão social nós vamos ter uma série de novidades que já estão em construção. Uma delas foi o reforço do Bolsa Família, que não estava planejado. Esse reforço é importante assim como a elevação do salário mínimo agora a partir de fevereiro porque representa injeção na veia. O fato da crise é que ela é imediata, então é necessário ter ações diretas. É pouco anunciar plano de construção civil que como nós sabemos depende de licitação de uma série de coisas que podem levar um ano, daqui um ano não sei quem estará vivo”, disse.

O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci, também defendeu o aumento do gasto público e o trabalho como medidas de combate à crise financeira internacional. Ele participou da abertura do Fórum Sindical Mundial, ainda na quinta-feira (29), atividade que compõe o FSM de Belém. Para Dulci, a crise financeira internacional é a “falência” do neoliberalismo, e um caminho para superar as dificuldades é o aumento do investimento público na economia. “Essa crise tem uma originalidade para a qual todos estão despreparados. Seja do ponto de vista da interpretação da crise, seja no entendimento de seus efeitos. É muito difícil fazer qualquer estimativa sobre o que acontecerá. A novidade dessa crise é o fato de reconhecer que o mundo pós-crise será muito diferente do mundo pré-crise, ou seja, o que nós vamos fazer durante essa crise nos permitirá estabelecer uma sociedade muito diferente da qual hoje nós estamos inseridos”, concluiu Pochmann.

Por Clarissa Pont.

========================================================

Apocalipse now

Em um debate sobre a crise, quatro especialistas convidados para o Fórum Social Mundial trouxeram más notícias. Pareciam os quatro cavaleiros do apocalipse. Segundo eles, os problemas estão só no começo e vão se aprofundar, jogando milhões de pessoas no desemprego. E as esquerdas, alerta um dos debatedores, estão paralisadas, sem coragem de denunciar isso e exigir mudanças reais. A análise é de Bernardo Kucinski.

BELÉM – Tenho más notícias. A crise econômica está só no começo. Vai se aprofundar, durar anos, jogar milhões no desemprego e na rua da amargura. A profecia é de gente que entende, quatro especialistas convidados para o Fórum Social Mundial em um debate organizado por uma entidade também respeitável, a Fundação Friedrich Ebert. Pareciam os quatro cavaleiros do apocalipse.

Um deles, Joseph Borrell, com PhD em economia, ex-ministro de Obras da Espanha, cheio de outros títulos e credenciais, disse com todas letras que “os banqueiros que provocaram essa crise deveriam ser presos e processados por crimes contra a humanidade,” tal o estrago que provocaram no mundo e ainda provocarão. Mas em vez disso, estão soltinhos da vida, e ainda levaram de prêmio milhões de dólares como bônus de gratificação.

Na Espanha, diz Borrell, um milhão de pessoas perderam o emprego só nos três últimos meses. A taxa de desemprego deve atingir 17% da força de trabalho, a que havia na Espanha 15 anos atrás. “Recuamos 15 anos de nossa história econômica”, diz ele. Outra dimensão da profundidade da crise na Espanha é o estoque de 12 milhões de moradias vazias, sem comprador.

O economista do DIEESE Adhemar Mineiro, escolado e escaldado em economia internacional, disse que se trata de uma crise de todo o sistema econômico baseado na supremacia do capital financeiro e expansão ilimitada do crédito. Não é coisa pequena, localizada. É uma crise estrutural desse modo de produção e consumo.

A idéia de que a América Latina estaria imune ou menos vulnerável aos efeitos da crise também já foi para o ralo. Adhemar ressaltou o fato de que previsões cada vez mais pessimistas estão se sucedendo com rapidez. A previsão de que o PIB do Brasil cresceria 4% este ano foi rapidamente rebaixada à metade e hoje já se fala em crescimento zero.

O prognóstico é ainda pior para outros países da América Latina, de economia menos diversificada, que dependem de exportação de uma ou duas commodities, como Venezuela, Argentina, Chile. Vai ser pesado o efeito combinado do estrangulamento do crédito e queda no preço das commodities.

O sistema simplesmente parou e não conseguem religá-lo, diz Oscar Ugarteche, do Instituto Nacional de Pesquisas do México. Outro que tem Phd. Para ele ainda estamos na primeira etapa da crise. Uma montanha de títulos podres continua entupindo o sistema. O total de títulos e papéis criados pelos bancos é de 16 vezes o valor da riqueza real que os poderia lastrear. Essa montanha de títulos podres ainda está para desabar, só não se sabe quando e como. A bolha das hipotecas foi só a primeira.

Igualmente agourenta estava Modly McCoy, ativista da Confederação Internacional Sindical, que atua em nome dos trabalhadores no FMI e Banco Mundial. O discurso dessas entidades mudou com a crise, mas a prática não. Mesmo nos empréstimos emergenciais oferecidos nos últimos meses para tentar aplacar a sede de crédito continuaram impondo as condicionalidades neo-liberais: privatizar a previdência, reduzir salários de funcionários públicos e por aí afora. Não houve mudanças substantivas nessas estruturas de poder.

Por que está tão difícil atacar a crise? Em primeiro lugar porque precisaria haver um novo poder sobre o funcionamento da economia. Não adianta querer que o poder financeiro resolva, diz Adhemar Mineiro. Em segundo lugar, a crise já é global, mas as medidas anti-cíclicas que vêm sendo tomadas limitam-se a países. Poderiam até dar resultado nos marcos de uma integração regional porque a produção hoje em dia se dá numa escala que exige mercados ampliados, diz Oscar Ugarteche.

O pior de tudo, diz Joseph Borrell, é que a condução das soluções está nas mãos dos mesmos sujeitos que provocaram a crise. Os governos estão enchendo os bancos de dinheiro, sem exigir nada em troca. Ao contrário, ainda prometem que vão fazer de tudo para não nacionalizar os bancos, e pedem desculpas, se tiverem que nacionalizar será tudo temporário. E os paraísos fiscais, que ele chama de “o lado escuro do sistema financeiro”, continuam intocáveis”.

“As esquerdas não tem coragem de denunciar tudo isso e exigir mudanças reais. Estão paralisadas.”

Por Bernardo Kucinski.

NOTÍCIA E ARTIGO COLHIDOS NO SÍTIO www.cartamaior.com.br.

=====================================================

Crise pode gerar 50 milhões de desempregados no mundo, indica OIT

Brasília – A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou hoje (28) um relatório no qual prevê um forte crescimento do desemprego e da pobreza em 2009, decorrente da atual crise mundial. Segundo o documento, o número de desempregados deve aumentar entre 18 e 30 milhões neste ano, podendo chegar a 50 milhões com o agravamento da situação econômica.

Ontem (27), a OIT divulgou uma projeção de 2,4 milhões desempregados na América Latina por conta da crise mundial em 2009. No cenário mais pessimista, 200 milhões de trabalhadores no mundo passarão aos níveis de pobreza extrema. A taxa mundial de desemprego pode subir de 5,7%, em 2007, para 6,1% neste ano.

“A mensagem da OIT é realista, e não alarmista. Enfrentamos uma crise de emprego de alcance mundial. Muitos governos são conscientes da situação e estão tomando medidas, mas é necessário empreender ações mais enérgicas coordenadas para evitar uma recessão social mundial”, disse o diretor geral da OIT, Juan Somavia, no comunicado oficial sobre o relatório.

As medidas propostas pela OIT são o aumento do seguro desemprego nos países, investimentos em infra-estrutura, apoio a pequenas empresas e maior coordenação de políticas entre os setores público e privado.

Segundo o relatório da OIT, o agravamento da crise em 2008 já pode ter gerado 30 milhões de desempregados a mais no mundo. Os problemas mais graves estão no norte da África e no Oriente Médio, que têm respectivamente taxas de desemprego de 10,3% e 9,4%. A América Latina tem um índice de 7,3%, abaixo dos 8,8% da União Européia e dos 7,3% da África Subsaariana.

O maior impacto da crise mundial foi sentido nos países mais desenvolvidos, onde 3,5 milhões de pessoas perderam seus empregos.

Por Enio Vieira – Repórter da Agência Brasil.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.inf.br.

Close