O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (23), em evento sobre a revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro, que distribuir renda às camadas mais pobres da população é mais eficaz na revitalização da economia do que cortes de impostos direcionados a empresários.
“Cada real na mão do pobre volta automaticamente para o comércio, para o consumo e move a economia. Esse dinheiro não vai para bancos, para derivativos, vai para o comércio”, disse Lula.
Lula afirmou ainda que, desde o início de seu mandato, as desonerações promovidas pelo governo a diferentes setores da economia já somam cerca de R$ 100 bilhões. “Imagina R$ 100 bilhões na mão do povo brasileiro”, frisou.
Citando o exemplo dos R$ 40 bilhões em arrecadação que o governo perdeu com o fim da Contribuição Previdenciária sobre Movimentação Financeira (CPMF), Lula disse: “Perdemos R$ 40 bilhões (que seriam destinados) para a saúde e não vi ninguém reduzir seus preços. Diziam: se deixarmos os R$ 40 bilhões (da CPMF para a) saúde na mão do Lula, ele vai ganhar a eleição. Ganhei e vamos ganhar de novo”, frisou o presidente em seu discurso.
Em entrevista depois do evento, o presidente ressaltou que, por outro lado, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que se refletiu na redução dos preços de automóveis e eletrodomésticos, ajudou a movimentar a economia nestes tempos de crise financeira.
Porto do Rio
O presidente participou da assinatura de acordos para dar início às obras de revitalização da região portuária do Rio. Lula chegou ao Píer Mauá acompanhado dos ministros Márcio Fortes (Cidades), Luiz Barreto Filho (Turismo) e Pedro Brito (Portos).
Em seu discurso, disse que, ao ver tantos casarões históricos abandonados na região, percebeu a que irresponsabilidade dos governantes com que já está construído foi tanta que permitiu que o problema da degradação se proliferasse.
“Se uma telha quebra é preciso consertar logo. Se não conserta, tem de tirar a cama do lugar ou colocar um balde e ficar ouvindo aquele toc, toc, toc”, disse o presidente.
A primeira fase das obras que tem início oficialmente nesta terça-feira (23). Neste fase será construído o novo acesso ao porto pela Avenida Brasil. Também será derrubada uma alça de acesso ao Viaduto da Perimetral. A primeira fase da obra tem prazo de dois anos para ser concluída.
Revitalização
O plano prevê a reurbanização da Praça Mauá e das principais vias próximas, como a Avenida Rodrigues Alves e a Rua Sacadura Cabral. Dezenas de imóveis antigos, que serão reformados, vão abrigar cerca de 500 famílias.
Na Praça Mauá, será construído um estacionamento subterrâneo, com capacidade para mil carros. Melhorar o trânsito da região é uma das metas do plano de revitalização, que também tem projetos de habitação, saneamento básico, calçamento de ruas e iluminação pública.
Haverá ainda iniciativas voltadas para cultura e lazer, como a reforma de praças e criação de ciclovias. Entre os bairros da Zona Portuária que serão beneficiados estão Caju, Santo Cristo, Gamboa, Saúde e parte de São Cristóvão, Cidade Nova e Centro.
Espaços culturais no Píer Mauá
O Píer Mauá também será reurbanizado. A área vai ganhar espaços culturais, jardins, quiosques e chafarizes.
Em parceria com a Fundação Roberto Marinho, serão construídos o Museu do Amanhã, espaço dedicado à arte e à ciência, em galpões dos cais do porto, e a Pinacoteca do Rio, que vai receber coleções particulares e exposições permanentes sobre a cidade.
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Lula critica domínio europeu e norte-americano sobre organismos econômicos internacionais
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (24) que é impensável que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird) continuem sendo um “condomínio de europeus e norte-americanos”. Lula defendeu que a crise financeira internacional é uma oportunidade para a construção de um nova ordem e governança internacionais.
“Ela [a crise econômica] nos mostra que o mundo não pode ser regido por um clube de sete ou oito países ricos, sem levar em conta mais da metade da humanidade”, disse Lula. Segundo ele, as organizações políticas e econômicas multilaterais não podem mais prescindir do peso e da legitimidade conferida pelos países em desenvolvimento.
As declarações de Lula foram feitas em discurso antes de almoço oferecido à presidente das Filipinas, Gloria Macapagal-Arroyo, que realiza visita oficial ao Brasil. No discurso, Lula citou a adoção do programa Bolsa Família pelo governo filipino e o acordo entre os dois países para compartilhar conhecimentos na produção do etanol. Entre 2004 e 2008 o comércio bilateral entre Brasil e Filipina passou de US$ 400 milhões para mais de US$ 1 bilhão de dólares.
Por Yara Aquino – Repórter da Agência Brasil. Edição: Antonio Arrais.
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