Para eles, as determinações do Ministério da Saúde são adequadas e reforçam o trabalho de prevenção para evitar casos da doença
Alguns dos principais especialistas brasileiros da área de Saúde aprovam as medidas adotadas pelo governo brasileiro para detectar, monitorar, tratar e prevenir novos casos de Influenza A (H1N1). Um destes especialistas que validam as escolhas do governo brasileiro é David Uip, diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, vinculado ao governo do estado de São Paulo, que classificou de “muito competente” a atuação do governo brasileiro na prevenção da doença. “A política do Ministério da Saúde é absolutamente adequada”, afirma Uip, que também elogiou a pro-atividade do MS ao aconselhar que idosos com mais de 60 anos, crianças menores de dois anos de idade, gestantes, pessoas com imunodepressão (pacientes com câncer, em tratamento para aids ou em uso regular de corticóide), diabetes, cardiopatia, doença pulmonar ou renal crônica adiem viagens para os Estados Unidos, Canadá, Mexico, Chile, Argentina e Austrália, paises onde há transmissão sustentada da Influenza a (H1N1).
Para ele, os números de casos no Brasil e em outros países confirmam a pertinência das ações adotadas pelo governo brasileiro, em parceria com estados e municípios, até o momento. O infectologista chama a atenção para o fato de que o Brasil, com aproximadamente 200 milhões de habitantes, confirmou 240 casos da nova gripe, enquanto que países menos populosos e com menor extensão territorial registraram um número maior de casos.
Entre os pontos positivos apontados pelo infectologista David Uip na atuação das esferas de governo federal, estadual e municipal no enfrentamento da nova gripe, estão a investigação epidemiológica – que permite a detecção e tratamento de casos, o diagnóstico oportuno da doença e a criação e uma rede de hospitais de referência para o atendimento de pacientes. Uip avalia que o governo estava preparado por conta da elaboração do plano de contingência de gripe aviária, há três anos.
RECOMENDAÇÕES – Para o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Juvêncio Furtado, a avaliação também é positiva. Ele destaca como importantes as medidas de contingência, como a intensificação da vigilância nos portos e aeroportos e a oferta de medicamentos para tratar os possíveis casos da Influenza A (H1N1) no país.
Furtado considera adequada a recomendação do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, sobre viagens ao exterior. “Não é uma recomendação alarmista. É preciso ter bom senso nisso. Se não precisa viajar, espera um pouco. Mas se a pessoa realmente tiver um compromisso no exterior, ela deve comunicar as autoridades caso apresente sintomas da gripe”, afirma Furtado.
Para ele, a partir de agora, o governo precisa investir na capacitação dos profissionais de saúde dos pequenos municípios para melhorar o controle da doença. “Com isso, evitamos que todas as pessoas com suspeita de infecção sejam encaminhadas para os grandes centros onde há hospitais de referência”, explica o presidente da SBI.
Outra avaliação positiva é a do médico, infectologista, epidemiologista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo, Reinaldo Dietze, que concorda que medidas tomadas pelo Brasil são adequadas e devem conter o ritmo de transmissão da doença. No entanto, o médico alerta para a mutação do vírus. “A grande expectativa é para a produção de uma vacina o mais rápido possível. Acreditamos que, nos próximos meses, os grandes laboratórios iniciarão a produção. Certamente, o Brasil estará entre os países parceiros com capacidade tecnológica para a fabricação da vacina”.
Nesta terça (23), o ministro Temporão recomendou que idosos com mais de 60 anos, crianças menores de dois anos de idade, gestantes, pessoas com imunodepressão (pacientes com câncer, em tratamento para aids ou em uso regular de corticóide), diabetes, cardiopatia, doença pulmonar ou renal crônica adiem viagens para os Estados Unidos, Canadá, Mexico, Chile, Argentina e Austrália, paises onde há transmissão sustentada da Influenza a (H1N1). De acordo com o Ministro, a recomendação foi definida com base em critérios epidemiológicos.
Temporão ressaltou que o Ministério da Saúde não determinou a proibição de viagens para países afetados pela Influenza a (H1N1). Segundo ele, deve haver “prudência e bom senso nesse momento”, uma vez que as férias estão chegando, o que aumenta a circulação de turistas brasileiros em países com casos confirmados da doença. “essa é uma medida adicional e de prevenção”, afirmou o ministro. “no Brasil, não há transmissão sustentada, mas todos os casos autóctones têm vinculo com infecção contraída fora do país”.
REFORÇO – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) anunciou, no dia 22, novas medidas para reforçar a vigilância em portos e aeroportos de todo o país, devido ao aumento do número de casos de Influenza A (H1N1) em países vizinhos do Brasil. Para isso, o país vai aumentar o alerta em todas as entradas do país para detectar, diagnosticar e encaminhar para tratamento casos de pessoas suspeitas de estarem infectadas pelo vírus. O anúncio foi feito pelo diretor de Portos, Aeroportos e Fronteiras da ANVISA, José Agenor Álvares da Silva, durante a reunião diária do Gabinete Permanente de Emergências de Saúde Pública (GEI), ocorrida na sede do Ministério da Saúde.
Outras informações
Atendimento à Imprensa
(61) 3315 3580 e 3315-2351
24/06/2009 , às 11h39min
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25/06/2009 , às 19h23
NOTA À IMPRENSA
MINISTÉRIO DA SAÚDE
GABINETE PERMANENTE DE EMERGÊNCIAS
NOTA À IMPRENSA
Quinta-feira, 25/6/2009, às 19h
Ocorrências de casos humanos de influenza A (H1N1)
1. CASOS NO BRASIL
1.1 – O Ministério da Saúde informa que foram confirmados 53 NOVOS CASOS de infecção pelo vírus Influenza A (H1N1), nos estados de São Paulo (31), Rio Grande do Sul (11), Minas Gerais (6), Rio de Janeiro (2), Ceará (1), Distrito Federal (1) e Goiás (1).
1.2 – Errata: no boletim de ontem (24/6), um caso de Minas Gerais foi contabilizado como caso da Bahia. Neste boletim, esta falha já está corrigida.
1.3 – Com os novos casos, o total de confirmados no país chega a 452. Esse número inclui os casos informados ao Ministério da Saúde pelos três laboratórios de referência para o diagnóstico da influenza (Fundação Oswaldo Cruz/RJ, Instituto Evandro Chagas/PA e Instituto Adolf Lutz/SP) e/ou pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
1.4 – PARA TODOS OS CASOS, estão sendo realizados busca ativa e monitoramento de todas as pessoas que estabeleceram contato próximo com esses pacientes.
1.5 – Do total de casos confirmados, dois pacientes do Rio Grande do Sul estão internados. A Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, com apoio do Ministério da Saúde, acompanha a evolução do quadro clínico dos pacientes. Os dois casos foram infectados no exterior.
1.6 – Até 23 de junho, o Ministério da Saúde acompanhava 310 CASOS SUSPEITOS no país. As amostras com secreções respiratórias dos pacientes estão em análise laboratorial. Outros 677 casos foram DESCARTADOS, até o momento.
1.7 – As definições de caso suspeito, confirmado e descartado estão disponíveis e atualizadas no Protocolo de Procedimentos e Manejo de Casos e Contatos de Influenza A (H1N1), no link
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/influenza_protocolo_versao405062009.pdf
1.8 – Os números referem-se a informações repassadas pelas Secretarias Estaduais de Saúde até as 17h desta quinta-feira. TODOS OS CASOS IDENTIFICADOS APÓS ESSE HORÁRIO SERÃO CONTABILIZADOS NO DOCUMENTO DO DIA SEGUINTE.
2. EVOLUÇÃO DE CASOS CONFIRMADOS E ÓBITOS NO MUNDO
2.1 – Até o momento, 106 países têm casos confirmados e divulgados da doença, de acordo com informações dos governos ou da Organização Mundial da Saúde (OMS).
2.2 – Do total de países, 35 têm casos autóctones: Europa (Áustria, Bélgica, Dinamarca, Estônia, França, Alemanha, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Romênia, Eslováquia, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido); Américas (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, Guatemala, México, Panamá, Peru e Uruguai); Ásia (Japão); África (Egito) e Oceania (Austrália).
CASOS CONFIRMADOS
PAÍS
20/6
21/6
22/6
23/6
24/6
25/6
Estados Unidos
21.449(1º)*
21.449(1º)
21.449(1º)
21.449(1º)
21.449(1º)
21.449 (1º)
México
7.624 (2º)
7.624 (2º)
7.624 (2º)
7.624 (2º)
7.847 (2º)
8.279 (2º)
Canadá
5.710 (3º)
5.710 (3º)
5.710 (3º)
5.710 (3º)
6.457 (3º)
6.732 (3º)
Chile
4.315 (4º)
4.315 (4º)
4.315 (4º)
4.315 (4º)
5.186 (4º)*
5.186 (4º)
Austrália
2.199 (5º)
2.436 (5º)
2.733 (5º)
2.857 (5º)
2.857 (6º)
3.000 (6º)
Reino Unido
1.984 (6º)
2.244 (6º)
2.506 (6º)
2.773 (6º)
2.905 (5º)
3.254 (5º)
Argentina
1.010 (7º)
1.010 (7º)
1.118 (7º)
1.118 (7º)
1.294 (7º)
1.391 (7º)
Japão
740 (8º)
740 (8º)
740 (8º)
850 (8º)
893 (9º)
945 (8º)
Espanha
522 (10º)
522 (10º)
522 (10º)
522 (11º)
539 (11º)*
539 (11º)
Tailândia
405 (11º)
518 (11º)
518 (11º)
589 (10º)
774(10º)*
774 (10º)
China
523 (9º)
523 (9º)
739 (9º)
739 (9º)
906 (8º)*
906 (9º)
Brasil
180 (17º)
215 (17º)
240 (16º)
334 (13º)
399 (13º)
452 (12º)
MUNDO
45.223
51.095
52.213
53.317
56.584
58.338
* Última data de atualização.
ÓBITOS
PAÍS
20/6
21/6
22/6
23/6
24/6
25/6
Estados Unidos
87
87
87
87
87
87
México
113
113
113
113
115
116
Canadá
13
13
13
13
15
19
Chile
4
4
4
4
7
7
Austrália
0
1
1
2
3
3
Reino Unido
1
1
1
1
1
1
Argentina
7
7
7
7
17
21
Japão
0
0
0
0
0
0
Espanha
0
0
0
0
0
0
Tailândia
0
0
0
0
0
0
China
0
0
0
0
0
0
Brasil
0
0
0
0
0
0
MUNDO
229
230
231
232
252
261
Outros países com óbitos: Colômbia (2), República Dominicana (2), Costa Rica (1), Guatemala (1) e Filipinas (1).
3. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS CASOS NO BRASIL
3.1 – Os casos registrados exclusivamente no SINAN (sem incluir as informações dos laboratórios de referência) somam 271 confirmados. Destes, 208 (76,8%) foram de pessoas que se infectaram no exterior e 42 (15,5%) foram de transmissão autóctone (ocorrida dentro do território nacional). Outros 21 casos permanecem em investigação.
3.2 – Os principais locais de provável infecção dos casos importados foram Argentina (119 casos), Estados Unidos (57) e Chile (11).
3.3 – Todos os casos autóctones têm vínculos epidemiológicos com pacientes procedentes do exterior. Desse modo, o Ministério da Saúde considera que, até o momento, a transmissão no Brasil é limitada, sem evidências de sustentabilidade da transmissão do vírus de pessoa a pessoa.
4. RECOMENDAÇÕES PARA VIAJANTES
4.1 – crianças menores de dois anos de idade; idosos (acima de 60 anos); gestantes; pessoas com imunodepressão (por exemplo, pacientes com câncer, em tratamento para AIDS ou em uso regular de corticosteróides), hemoglobinopatias( doenças provocadas por alterações da hemoglobina, como a anemia falciforme), diabetes, cardiopatia, doença pulmonar ou renal crônica posterguem a viagem para esses países,caso seja possível, tendo em vista ser o grupo que apresenta maior risco de desenvolver as formas graves da doença. O Ministério da Saúde reitera que esta é uma medida de proteção a estes grupos mais vulneráveis para doença grave, não significando caráter restritivo ao comércio ou transito internacional.
4.2 – Segundo a OMS, Estados Unidos, México, Canadá, Austrália, Chile e Argentina são considerados os países com transmissão sustentada.
4.3 – Ressaltamos que não há proibição nem restrição de trânsito de pessoas entre o Brasil e esses países. A recomendação é uma medida adicional de prevenção, tendo como base critérios epidemiológicos e o aumento, com a proximidade das férias de inverno, da circulação de turistas brasileiros em países com transmissão sustentada da doença.
4.4 – Como vem fazendo, há dois meses, desde que o Brasil foi notificado sobre a transmissão da nova gripe, o Ministério da Saúde continua seguindo rigorosamente as orientações da OMS, que defende a autonomia de cada país em adotar recomendações com base em suas realidades locais.
4.5 – Desde o alerta da OMS, o Ministério da Saúde vem mantendo total transparência sobre os acontecimentos relacionados ao vírus Influenza A (H1N1) e é sua obrigação alertar os brasileiros sobre os locais onde a transmissão deixou de ser limitada.
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