A CUT (Central Única dos Trabalhadores) deverá ter candidato único à presidência da entidade. O técnico eletrotécnico e sociólogo Artur Henrique da Silva Santos não deve enfrentar resistências para ser reconduzido ao cargo, para o triênio 2009 – 2012. Com a saída das principais forças políticas de oposição da CUT, como os sindicalistas ligados ao PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) e PC do B (Partido Comunista do Brasil), Arthur Henrique pavimenta sua reeleição de maneira ainda mais tranquila.
A Articulação Sindical, tendência a qual Artur é filiado, mesma corrente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando militava no movimento sindical, deve preencher a maioria das cadeiras da Executiva e Direção Nacional da Central. O restante deve ser ocupado por tendências mais à esquerda, como a Articulação de Esquerda e O Trabalho, ambas ligadas ao Partido dos Trabalhadores.
Apesar de as discussões entre os delegados do 10º Congresso provavelmente transcorrerem com menos divergências de opinião do que em congressos passados, Artur afirma esperar a volta dos sindicalistas que saíram da CUT e fundaram novas centrais. “O PSOL, PSTU e PC do B serão muito bem recebidos”, ressalta.
Para Artur, a decisão desses sindicalistas de se retirarem da CUT foi tomada pelos respectivos partidos aos quais são filiados. “Tanto o PSOL com a Intersindical, quanto o PSTU com a Conlutas, como o PC do B com a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) tentaram criar uma correia de transmissão (forte ligação dos partidos com as instâncias sindicais). Apesar da tentativa de dividir o movimento sindical e a esquerda, o que eu acho um erro, nós continuamos defendendo que esses companheiros voltem para a CUT.”
O dirigente critica o fato de as centrais sindicais estarem ligadas a partidos políticos. “Construímos a CUT, justamente para ser uma central única, onde todas as correntes de pensamento político pudessem estar representadas.” Ele rebate as criticas dos opositores que alegam a falta de espaço para divergências dentro da CUT, como elemento desencadeador da debandada.
“Mentira. O Zé Maria (do PSTU e da Conlutas) tinha mais espaço como dirigente da Executiva Nacional da CUT do que como coordenador da Conlutas”, ressalta.
“Ele não se reelegeu em seu próprio sindicato, em Contagem (Minas Gerais). Acho muito complicado, para um dirigente de uma central sindical, não ter um sindicato de base”, acrescenta.
Imposto sindical
Outro critério levantado por Artur para justificar a saída das forças de oposição da CUT são os recursos gerados pelo imposto sindical. “Não tenho a menor dúvida de que o imposto sindical foi elemento central, para a saída da CUT. A CTB, por exemplo, sempre defendeu o imposto sindical”, alfineta.
A CUT é contra o imposto sindical. Segundo o sindicalista, 1,3 sindicato surge diariamente no país. “Nem sempre tem representatividade na base. São criados para dividir a categoria. O fim do imposto sindical acabaria com essas entidades fantasmas.”
De acordo com o presidente da entidade, a CUT defende a contribuição da negociação coletiva como forma de financiamento. Os recursos seriam aprovados em assembléia da categoria e tanto sócios como não sócios estariam habilitados a votar. “Isso permitiria acabar com a disputa entre as centrais sindicais”, enfatiza.
Chapa única
Além da ausência de oposição na disputa para a presidência da Central, a Articulação Sindical também trabalha com a possibilidade do lançamento de uma chapa unitária, para a disputa pelos demais cargos.
“Vamos fazer um esforço para termos chapa única, com todas correntes políticas da CUT, coisa que não acontece desde 94, com o Vicentinho. Isso será importante para enfrentarmos os desafios. O inimigo não está aqui dentro, mas lá fora.”
A abertura oficial do 10º Congresso acontece hoje, 04, às 19h30, no pavilhão do Expo Center Norte, localizado na zona norte da capital paulista.
Por Lúcia Rodrigues, do site Caros Amigos.
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Cerimônia de abertura do 10º CONCUT reúne ampla diversidade de forças populares
Um palco de sessenta metros de frente e um auditório de 3.000 m2 até que foram pouco diante da representatividade e da diversidade da platéia e das bandeiras presentes ao ato de abertura política do 10º Congresso Nacional da CUT, realizado na noite desta terça, dia 4, em São Paulo.
“Muitos já comentaram hoje sobre a grandiosidade desse plenário. Mas quero dizer que grande é o orgulho de organizarmos um Congresso de tamanha representatividade. É o 10º Congresso, um momento histórico que marca uma vez mais nossa característica de poderoso instrumento de organização dos trabalhadores e trabalhadoras e de suas lutas”, saudou o presidente da Central, Artur Henrique, ao falar após as várias lideranças sindicais, de governo, de partidos e de movimentos sociais que compareceram ao ato de abertura e que manifestaram seu apoio, admiração e companheirismo à CUT e a cada um dos delegados e delegadas de todas as regiões do País.
Na noite de abertura, o CONCUT já havia recebido o cadastro de 2.461 delegados, sendo que 40% são mulheres.Artur pautou sua fala pelos desafios imediatos que a conjuntura traz para a CUT. “Podem ter certeza de que desse Congresso sairão decisões como a ação política de nossa Central em defesa da democracia e do governo eleito de Honduras, uma moção de repúdio à repressão que o governo da Coréia do Sul tem feito sobre os movimentos grevistas e, sem dúvida, iremos às ruas já no próximo dia 14, na Jornada Nacional Unificada de Lutas, em várias cidades do País, para exigir a aprovação da redução da jornada de trabalho”, garantiu, em referência à mobilização com as centrais e os movimentos sociais na próxima semana, no mesmo dia em que a projeto de redução da jornada deve ir à voto na Câmara dos Deputados.
Artur destacou ainda a luta por um novo modelo agrário no Brasil, que combata o latifúndio e o agronegócio e fortaleça a agricultura familiar, e a luta imediata pelo fim dos leilões das jazidas de petróleo, em defesa da Petrobrás e de uma nova lei que garanta a soberania nacional sobre o pré-sal, como exemplos de ações para o próximo período.
Antes de Artur encerrar o ato, coube ao ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Luiz Dulci, transmitir as palavras do presidente Lula aos trabalhadores: “O presidente me pediu para dizer a vocês que ele tem um reconhecimento imenso por tudo que a CUT fez e faz por este país, não só na defesa dos direitos dos trabalhadores, mas de toda a nação. Se a CUT não tivesse lutado para impedir a privatização do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobrás, não estaríamos enfrentando a crise como agora. Não fossem os bancos públicos, o país teria quebrado.” Dulci destacou ainda o papel propositivo da Central. “A política de valorização do salário mínimo, de financiamento da agricultura familiar, de reajuste da tabela do imposto de renda para os assalariados e do crédito consignado foram propostas da CUT. A Central manteve a autonomia e a independência durante o governo Lula, criticando quando achava necessário, mas também apontando caminhos para o país”.
A Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, não compareceu por problemas de agenda, mas enviou um vídeo onde saldava o eixo do 10º CECUT. “O desenvolvimento com trabalho, renda e direitos são também os princípios empregados pelo governo Lula para estabelecer uma política de transferência de renda que permitiu a criação de 10 milhões de empregos.” Terminou aplaudida de pé e sob gritos de “olé, olé, olé, olá, Dilma, Dilma.
”Ex presidente da CUT-SP e atual deputado federal pelo PT-SP, Vicentinho, citou memoráveis ações da Central Única dos Trabalhadores, entre elas, a recente mobilização em favor da redução da jornada sem redução de salário. “Tenho certeza que no próximo dia 14 de agosto veremos mais manifestações que ressoarão no parlamento e permitirão ao trabalhador brasileiro ter direito ao lazer, à vida e à dignidade”, acredita. Aprovada na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, a PEC 231/95 precisa ser aprovada nos plenários da Câmara e do Senado para diminuir a jornada de 44 para 40 horas semanais.
Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que a simples redução seria capaz de criar 2,5 milhões de novos empregos no país. O também ex-presidente da CUT-SP e atual vice-presidente nacional do PT, Jorge Coelho, alertou que as conquistas da CUT nos últimos 26 anos, resultam em maiores responsabilidades. “Daqui para frente temos muito mais motivos para lutar. Ano que vem avançaremos no projeto político de formação de uma sociedade mais igualitária e socialista. Precisamos continuar sonhando e construindo essa nação”, afirmou.
Coordenador do 10º CONCUT, o secretário geral da Central, Quintino Severo, lembrou que dos 2.461 delegados eleitos em todo o país, 40% são mulheres, que se somam para fortalecer a luta por um novo modelo de desenvolvimento e um Brasil mais justo. “Com expressiva representatividade e participação, este será o Congresso da reafirmação da unidade da nossa Central, que é a maior do Brasil e a quinta maior do mundo”, acrescentou Quintino.
João Pedro Stédile, da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), saudou “a solidariedade da classe trabalhadora urbana, sem o que o movimento, nascido no processo de luta e mobilizações de massa, não existiria”. “Mais do que irmãos de berço, somos companheiros de longa trajetória de luta”, lembrou Stédile, frisando que a hora é de somar contra o colonialismo do século 21. “Aqui estão reunidas as forças populares mais representativas, que precisam estar mobilizadas contra os que querem continuar mamando nas tetas do dinheiro público para recompor as suas taxas de lucro, contra os que querem se apropriar dos nossos recursos naturais, que estão de olho no nosso pré-sal”, acrescentou.
Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, ‘a unidade das centrais sindicais, que tem sido determinante para enfrentar a crise mundial, precisa ser ainda mais fortalecida. Não podemos brincar em serviço: ou reelegemos o projeto ou pagaremos caro pelo retrocesso”.
O presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Antonio Neto, lembrou o conjunto de ações unitárias desenvolvidas pelas centrais, como a luta pela ratificação das Convenções 151 e 158 da OIT, pela redução da jornada de trabalho e contra a terceirização. “Agora, vamos à luta para que as riquezas do pré-sal fiquem com o povo brasileiro”, frisou.
Segundo o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, ao unificarem suas ações, “as centrais têm dado sustentação a políticas de inclusão social, dando o seu apoio à construção de um Brasil para os brasileiros, para uma verdadeira revolução dos trabalhadores”.
Na avaliação do secretário geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), “a unidade de ação demonstrada pelas centrais, acima das diferentes ideologias de cada uma, aponta que este é um caminho acertado”. “Comprometidos com as causas populares, garantimos mais investimentos nas questões sociais”, acrescentou.
Em nome da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), Edson França, da Unegro, sublinhou que a CUT vem jogando um papel fundamental no desenvolvimento e crescimento da articulação das entidades populares, “que tem protagonizado avanços mais profundos na sociedade brasileira a partir da mobilização por soberania, democracia, desenvolvimento e mais direitos”.
O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, denunciou que os mesmos meios de comunicação que serviram aos adoradores do deus mercado e do neoliberalismo, agora se voltam contra os movimentos sociais, “pois querem acabar com as políticas sociais e os direitos”.
“A mídia sabe que somos uma força mobilizadora, que não estará à disposição da direita”, frisou.A dirigente da Marcha Mundial de Mulheres, Sônia Coelho, defendeu a urgência da “sustentabilidade da vida humana, com o fim da miséria e da desigualdade”.
O coordenador da Central Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), Victor Báez, lembrou aos presentes que o Brasil, quando ratificar as Convenções 151 e 158 da OIT “dará importante exemplo para o mundo no combate à crise”.
O secretário-geral adjunto da Central Geral dos Trabalhadores (CGT) de Honduras, Jose Maldonado, agradeceu o calor da solidariedade dos congressistas, do povo e do governo brasileiro contra os golpistas, e destacou que a somatória de manifestações “representa forte estímulo” para que seu povo continue mobilizado para garantir o retorno do presidente eleito, Manuel Zelaya.
A abertura do evento terminou ao som da Internacional, entoado pelos milhares de delegados e por representações de mais de 40 países.Leia também matéria sobre a homenagem a José Olívio, patrono do Congresso, acesse este link: http://www.cut.org.br/content/view/15960/
Por Isaías, Leonardo e Luiz.
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