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Ministério da Educação anuncia meta de 1000 escolas técnicas até 2020

O Ministério da Educação (MEC) apresentou em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (25), o plano para atingir a marca de mil escolas técnicas no Brasil, até 2020.

A ação conjunta com os estados faz parte do Programa Brasil Profissionalizado e prevê o investimento de R$ 790 milhões apenas em 2009. Em 2008, primeiro ano de vigência do programa, foram aplicados R$ 524 milhões.

O valor disponibilizado pelo governo federal pode ser usado na ampliação ou construção de escolas estaduais de educação profissional, para compra de equipamentos pedagógicos e capacitação de docentes. Os estados entram com a contrapardita de 1% do orçamento solicitado e arcam com os custos de manutenção das unidades escolares.

“Reconhecemos que a rede federal, sozinha, dificilmente terá condições de atender a toda a demanda do ensino técnico no País”, afirmou o direitor de articulação institucional da educação profissional do Ministério da Educação, Gleisson Rubin, durante o anúncio que ocorreu no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Desde o dia 23 e até o dia 27 de novembro, o local sedia o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica.

Em 2008, 18 estados aderiram ao programa. Neste ano foram 23 e mais o Distrito Federal. Apenas Amazonas e Rondônia ainda não fazem parte da ação.

Progresso nacional – No ano de 2010, o País terá 354 escolas técnicas, 154% a mais do que dispunha em 2002, quando o número era de 140 unidades.

“Atualmente, menos de 8% dos alunos tem acesso ao ensino técnico. Temos que triplicar esse número para chegarmos próximos aos índices de países como Coréia, China e Espanha”, apontou Rubin.

Ele acrescentou que a expansão da oferta tem por objetivo igualar nações altamente industrializadas onde o número de estudantes das universidade clássica é equivalente ao da educação profissional.

…e retrocesso paulista – Entre os governos da região sudeste, o paulista merceu citação de Gleisson Rubin. Apesar de solicitar R$ 78 milhões para a construção de quatro escolas padrão, ampliação de outras 25 e aquisição de recursos pedagógicos, a gestão do governador José Serra foi a única que ainda não enviou a documentação completa neste ano.

O ‘detalhe’ pode prejudicar a liberação de recursos e afetar ainda mais o já precário sistema de ensino no Estado.

Por Luiz Carvalho, de Brasília.

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Segundo dia de debates começa com Leonardo Boff e discussão sobre capacitação para o trabalho decente

O Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, recebeu na manhã desta quarta-feira (25) um dos palestrantes mais aguardados do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica.

O professor e doutor em filosofia e teologia, Leonardo Boff, emocionou a platéia que lotou o auditório principal para conferir as discussões sobre educação, cultura e integração.

Além de Boff, o consultor do Cinterfor (Centro Interamericano de Documentação e Investigação sobre Formação Profissional) da OIT (Organização Internacional do Trabalho), Fernando Vargas, também participou do encontro.

Antes do início da primeira mesa do dia, a educadora Leslie de Toledo falou sobre o Dia Internacional de Eliminação da Violência Contra a Mulher, celebrado em 25 de novembro.

Ela lembrou que o movimento feminista não é citado nos livros didáticos, criticou a falta de estrutura para acolher a mulher vítima de violência, destacou que as desigualdades presentes no mercado de trabalho também são uma forma de violência e apontou a necessidade do investimento dos governos em políticas públicas para garantir a equidade de gênero. “Caso uma pequena parte dos gastos com armamentos fossem destinados a essa causa, já teríamos avançado muito. A sociedade e o poder público devem trabalhar juntos para erradicar essa praga incompatível a um regime de liberdade”, ressaltou.

Trabalho decente – A seguir, Fernando Vargas falou sobre a dimensão social da globalização e o desafio da OIT em universalizar as condições dignas de trabalho.

“Apesar de vivermos em um mundo globalizado, não estamos criando oportunidades para todos e todas. O crescimento não é equitativo e justo, dessa forma, também não é sustentável”, avaliou.

Vargas afirmou que mesmo com o rescimento dos indicadores macroeconômicos, a América Latina ainda é a região mais desigual do mundo, com 209 milhões de pobres, 38,8% do total da população.

De acordo com o representante do Cinterfor, para romper o ciclo vicioso de más condições de trabalho, que levam à baixa renda e aos baixos salários, os governos precisam investir em qualificação e acesso à educação e articular uma parceria com os empregadores para melhorar a formação.

Pela vida, pela terra

Leonardo Boff não decepcionou os presentes e apresentou uma urgente e apaixonada declaração de amor à vida e à terra.

Ao analisar a natureza do desenvolvimento contemporâneo, ele citou o que julga os pontos problemáticos: a transição do trabalho (do pleno emprego à necessidade de plena atividade para ocupar as pessoas, já que “nem todas viverão mais do trabalho, uma criação do capital, e necessitarão de um fundo social para subexistir”), o surgimento da consciência de que o planeta é a casa e não mais o Estado, a descoberta do mundo finito, o colapso do sistema financeiro e econômico vigente, o aquecimento global e aquele apontado como o mais grave, a insustentabilidade do mundo. “Nós passamos 30% da capacidade da Terra de repor aquilo que utilizamos. Precisamos descobrir outra forma de produzir e consumir. O problema não é como salvar o sistema financeiro, mas sim como salvar nosso planeta”, disse.

Para ele, os seres humanos devem criar um ambiente centrado na vida e não na produção como forma de garantir a integridade e vitalidade da Terra. Outro desafio é passar de um modo de produção predatório para um modelo sustentável. “Somos um País rico, mas profundamente desigual. Vivemos no continente mais injusto do mundo. Somente no Brasil, 40 milhões de pessoas no Brasil que passam fome e vivem na miséria, situação que se repete universalmente, já que 325 grupos controlam todos os bens e riquezas universais”.

De acordo com o teólogo e filósofo, é preciso uma nova ética e uma nova espiritualidade.

Boa vontade – Em tom bem-humorado, no final de sua apresentação, Leonardo Boff comentou que iria usar os últimos minutos de seu tempo para tratar do assunto sobre o qual foi escalado para falar: cultura e educação.

“Precisamos ter formação de base para incorporar conhecimentos novos, mas devemos aprender também a ser solidários. A educação deve servir à coletividade”.

De modo didático, como fez durante toda sua palestra, Boff elencou os desafios da cultura.

Um deles é a integração e o outro a descoberta de que há muitas culturas, além da ocidental . “Somos muito arrogantes e promovemos a hamburguerização. Não podemos permitir que diferenças entre as culturas se transformem em desigualdades”.

Por fim, ele disse não acreditar no fim da vida na Terra. “Acho que há duas atitudes diante do atual cenário: uma diz que a tragédia é inevitável, mas eu acredito no contrário, no parto de uma realidade diferente. Vamos mudar para melhor. Temos tecnologia, inteligência e meios, falta apenas boa vontade”, sentenciou.

A resposta da platéia veio à altura, com todos aplaudindo de pé.

Participação da CUT – O Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica prossegue até sexta-feira (27).

Além de um estande fixo com 400 publicações no campo da qualificação profissional, formação de formadores, economia solidária e um vídeo sobre o projeto de alfabetização promovido entre 2005 e 2008, a CUT participa do evento nesta quinta (26) com a apresentação, às 17h, da experiência da Escola de Turismo e Hotelaria Canto da Ilha CUT, e na sexta, às 9h, com o programa de qualificação socioprofissional para trabalhadores domésticos.

Por Luiz Carvalho, de Brasília.

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Com participação da CUT, evento discute até sexta educação, desenvolvimento e inclusão

Até o dia 27 de novembro, o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, sedia o Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica.

A abertura oficial do evento aconteceu nessa segunda (23), no ginásio Nilson Nelson, com a presença do presidente Luis Inácio Lula da Silva. Ele destacou a importância da formação de qualidade para o desenvolvimento do Brasil, especialmente neste momento em que o mundo ainda enfrenta as conseqüências da crise econômica mundial.

Após o discurso de Lula, o público acompanhou as emocionantes apresentações do grupo circense Tholl e do balé Bolshoi.

Além dos debates, os cerca de 20 mil inscritos para o fórum poderão conferir atividades culturais, a mostra estudantil de inovação tecnológica e feiras de gastronomia e economia solidária.

Algumas entidades também estão presentes para apresentar seus projetos na área de educação.

Caso da CUT, que levou à capital federal um estande com cerca de 400 publicações no campo da qualificação profissional, formação de formadores, economia solidária e o vídeo “Histórias e sonhos com todas as letras”. A obra retrata o projeto de alfabetização da entidade para jovens e adultos, que de 2005 a 2008, atendeu cerca de 190 mil pessoas, entre presos, população indígena, profissionais do sexo, população ribeirinha, trabalhadores da economia informal e desempregados. “Em menos de duas horas distribuímos cinco mil livros e mostramos aos brasileiros e brasileiras a importância do movimento sindical atuar na qualificação dos trabalhadores”, afirmou Martinho da Conceição, coordenador da Secretaria Nacional de Formação da CUT.

A Central promoverá ainda a apresentação da experiência da Escola de Turismo e Hotelaria Canto da Ilha CUT, na quinta (26), às 17h, e da qualificação socioprofissional para trabalhadores domésticos, na sexta (27), às 9h.

Escola como espaço de socialização

As conferências e os debates temáticos começaram nesta terça (24) e prosseguem até a manhã de sexta.

Na primeira mesa do fórum, Joaquim Azevedo, professor e ex-secretário de Estado dos Ensinos Básico e Secundário de Portugal, e Marcio Pochmann, economista e presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), discutiram educação, trabalho e desenvolvimento sustentável.

Azevedo apontou a relação entre socialização, cidadania e os professores, destacando a educação como parte fundamental do desenvolvimento humano. “Cotidianamente, nós, profissionais da educação, utilizamos termos como ‘definir grupos alvo’ e ‘grupos não escolarizados’. Isso é constrangedor, porque exterioriza a linguagem da fábrica de sujeitos-objetos de uniforme”, afirmou.

Ele atacou ainda a hiper valorização da técnica como forma de ‘engaiolar’ os alunos. “Devemos capacitar tecnicamente, mas também provocar a expansão cultural, a formação crítica e a capacidade criativa e empreendedora da sociedade”, ponderou.

Já Pochmann iniciou a palestra com foco na mudança demográfica brasileira. Ele ressaltou que a queda da natalidade e o aumento da qualidade de vida no País provocam a redefinição do perfil do mercado de trabalho, em que a mulher terá maior participação e liderança. Esses fatores também afetarão o perfil da família, cada vez mais idosa e menor.

De acordo com o economista, diante desse quadro, a educação também sofre sensível alteração. Enquanto no século 20 o ensino era voltado ao trabalho, neste século estamos enfrentando a transição para a educação voltada à vida.

Pochmann acredita que o principal desafio de nossa época é fazer com que todos possam se qualificar adequadamente para iniciar de forma competitiva a vida profissional. “Será necessário maior tempo de preparação e o acesso à educação é fundamental para que os pobres novamente não sejam condenados a começar a trabalhar mais cedo e sejam privados de escolher os melhores cargos”, afirmou.

Ele encerrou a participação falando sobre as redes sociais e as possibilidades de mudança que a democracia permite. “Diziam que as novas tecnologias permitiriam maior tempo para a sociabilidade e o que acontece é o contrário, pois temos mais espaço para conversas fraternas com nossos companheiros e companheiras ou filhos. Os almoços de família passam a ser um silêncio diante da TV ou nos shopping centers, onde ficamos horas ao lado de pessoas sem abrir a boca. Acredito que caberá à escola recuperar e reconstruir a sociabilidade”.

“Não há nada que nos impeça de mudar a realidade. Hoje não temos a ditadura e nem o FMI para dizer como devemos fazer as coisas. Precisamos parar de ser guiados pelos mortos que planejaram o que ainda fazemos hoje”, analisou, sob aplausos da platéia.

A formação dos professores – À tarde, quatro mesas deram prosseguimento aos debates que ocorreram pela manhã.

Na mais concorrida, o espanhol Pedro Polo Fernández, presidente da Ong Ensenyants Solidaris, Acácia Kuenzer, professora titular aposentada da UFPR e Jarbas Novelino Barato, assessor de projetos especiais do Senac-SP e mestre em tecnologia educacional, falaram sobre a formação dos trabalhadores e trabalhadoras da educação profissional e tecnológica.

Fernández questionou o fato dos problemas da educação serem habitualmente atribuídos aos professores e emendou com uma pergunta: “o professor está motivado para motivar?” Para ele, o primeiro passo é avaliar a realidade desses profissionais e construir políticas públicas a partir desse estudo com foco na formação, já que o sistema educacional de educação profissional espanhol, por um lado criou um programa de formação contínua, integrando os ministérios do Trabalho e da Educação, e por outro desregulamentou a profissão de educador, além de privatizar e precarizar o ensino.

A seguir, Barato discursou a respeito do saber do trabalho e a necessidade de revisão sobre um tipo de conhecimento ‘invisível’ porque é feito por categorias pouco valorizadas. “Há desprezo pelo conhecimento técnico”, apontou.

A professora Acacia iniciou sua participação criticando o descaso com formação pedagógica no ensino técnico, tida como “atividade de quem cuida de criança pequena”. “O professor de formação profissional é um docente, portanto, precisa de licenciatura. E para isso, deve ter conhecimento interdisciplinar do mundo do trabalho e entender o aluno de educação profissional a partir do que o caracteriza, que é a origem pobre, responsável por restringir o acesso ao conhecimento e à cultura”, definiu.

Ela enalteceu também a necessidade de lutar por políticas públicas de formação contínuas e permanentes, sem “aligeiramento”, e buscar constantemente a valorização da carreira por meio programas de pesquisa e extensão.

Para Acacia, é preciso ainda combater o preconceito que envolve a profissão. “Tem que acabar com a idéia de que o professor da educação profissional é alguém mal capacitado que forma aluno pobre para continuar a ser consumido pelo mercado de trabalho”, avaliou.

Por Luiz Carvalho, de Brasília.

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