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Barbosa diz que incertezas sobre recuperação mundial não afetarão contas externas do Brasil

Brasília – As incertezas sobre o processo de recuperação da economia mundial não deverão afetar as contas externas do Brasil, avaliou o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, ele afirmou que o atual nível das reservas internacionais e o sistema de câmbio flutuante preservarão o país de problemas no balanço de transações correntes.

No regime de câmbio flutuante, explicou o secretário, o câmbio se deprecia e o balanço de pagamentos se ajusta automaticamente num cenário de escassez de recursos externos. “O próprio câmbio ajusta o balanço de conta-corrente. Se o déficit de conta corrente for muito superior à entrada de capitais, duas coisas podem ocorrer: perda de reservas ou alta no câmbio”, disse Nelson Barbosa.

Quando o país não tinha câmbio flutuante, os impactos dos ajustes cambiais ocorriam sobre a dívida pública e os juros. “Se porventura isso acontecer [retração de recursos externos], não vai desestabilizar as contas públicas e o sistema financeiro brasileiro”, afirmou.

O secretário descartou o uso da taxa de câmbio como instrumento de política comercial. “É uma política que administra as reservas internacionais para reduzir a volatilidade do câmbio e manter uma baixa vulnerabilidade externa da economia. O câmbio tem obviamente impactos indiretos sobre a competitividade das nossas exportações, mas não é guiado por esse motivo”, declarou.

Nos últimos dias, o temor sobre o endividamento público de alguns países da União Europeia provocou queda nas bolsas e temor para os investidores estrangeiros. Para Barbosa, a situação fiscal de alguns países europeus desperta incertezas, mas a equipe econômica está certa quanto à recuperação americana. “A gente sabe que os Estados Unidos estão se recuperando, mas não há velocidade desse processo. Tudo indica que é mais lenta do que se esperava antes”.

Barbosa considera o atual cenário melhor que o do final do ano passado, porém pior que as expectativas que se tinham há alguns meses. “O mercado fez uma onda de otimismo no meio do ano passado. Agora parece que está havendo uma correção de expectativas”, comentou.

Neste ano, o Ministério da Fazenda projetou crescimento de 5,2% no Produto Interno Bruto (PIB) levando em consideração que as compras do exterior crescerão mais que as vendas externas. No médio prazo, no entanto, Barbosa acredita que as exportações e importações cresçam no mesmo ritmo e afirma que o governo está estudando medidas para melhorar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Segundo Barbosa, as ações envolvem a simplificação de processos e ampliação de benefícios fiscais. “Elas envolvem, desde questões pontuais, como uma expansão do regime de drawback [isenção tributária para insumos de mercadorias produzidas para exportação] como questões mais pontuais, como registros de exportações e de administração de informações de exportação. Mas a questão que é recorrente, que aparece, são os créditos acumulados pelos exportadores”, disse.

Por Ivanir José Bortot e Wellton Máximo – Repórteres da Agência Brasil. Edição: Rivadavia Severo.

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Recuperação rápida do país fez Fazenda prever expansão conservadora do PIB, diz Barbosa

Brasília – A recuperação mais rápida do Brasil em relação ao restante do mundo levou o Ministério da Fazenda a fazer uma projeção conservadora para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Há duas semanas, o ministério divulgou previsão de crescimento de 5,2% para a economia brasileira em 2010, menos que os 5,8% estimados pelo Banco Central no Relatório de Inflação, apresentado em dezembro.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou que a projeção leva em conta um cenário “realista” em relação à economia internacional. O descompasso entre o crescimento do Brasil e dos demais países, avaliou, fará com que o país “exporte” demanda doméstica.

“No quesito demanda doméstica, temos um crescimento até maior que o projetado pelo Banco Central, mas prevemos que nossas importações cresçam mais rápido por causa da recuperação da economia brasileira, ao contrário das exportações, que não devem crescer na mesma velocidade por causa do cenário mundial”, explicou.

Segundo documento divulgado na reunião dos ministros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no final de janeiro, a demanda doméstica deve crescer 7,3% em 2010. No entanto, a demanda externa líquida terá retração de 2,1% porque as compras do exterior crescerão mais que as exportações. Subtraindo os dois números, o ministério chegou à taxa estimada de 5,2%.

Barbosa destacou que as projeções da Fazenda estão mais conservadoras até que as estimativas do mercado, que projeta alta de 6% a 6,5% neste ano. “Haverá um vazamento maior do crescimento da demanda doméstica do Brasil para o resto do mundo. Isso já está na nossa projeção, mas acho que não está nas previsões de alguns analistas financeiros”, afirmou.

De acordo com o secretário, a projeção menos otimista da Fazenda indica que o crescimento será sustentável, que não se reflete em pressões inflacionárias. “A economia não está superaquecida, apenas recuperando o nível pré-crise, entre 5% e 5,5%, que é sustentável”, afirmou. Para ele, a estimativa garantirá o crescimento do emprego e da renda do trabalhador em 2010, impulsionados, em boa parte, por programas de estímulo do próprio governo.

“A expectativa neste ano é de criação de 1,6 milhão de empregos com crescimento na massa salarial”, declarou. “Os setores que devem liderar esse processo no Brasil, e já estão liderando, são a construção civil, por causa do [Programa de Aceleração do Crescimento] PAC e do programa Minha Casa, Minha Vida, e o setor de bens de capital, que foi estimulado com programa de sustentação de investimentos.”

Segundo Barbosa, o crescimento de 5,2%, aliado ao cumprimento da meta de superávit primário de 3,3% do PIB, é suficiente para reduzir a dívida líquida do setor público para 40% do PIB no fim do ano. No entanto, a queda pode ser ainda maior dependendo do desempenho da economia brasileira. “Essa projeção leva em conta uma estimativa de crescimento conservadora. Se o crescimento for maior, nossa dívida cai ainda mais”, ressaltou.

A dívida pública saltou de 37% do PIB, em dezembro de 2008, para 43% do PIB no final do ano passado. Barbosa, no entanto, disse que o número reflete a alta do dólar durante a crise, que aumentou o valor em reais das reservas internacionais e reduziu a dívida líquida. Segundo ele, a comparação ideal deve levar em conta a proporção da dívida em agosto de 2008, que era de 41%. “A dívida do Brasil subiu dois pontos percentuais, uma das menores elevações pós-crise”, declarou.

Por Ivanir José Bortot e Wellton Máximo – Repórteres da Agência Brasil. Edição: Rivadavia Severo.

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Alta da inflação é pontual e não preocupa equipe econômica, diz secretário

Brasília – A alta da inflação em janeiro não preocupa a equipe econômica porque decorre de fatores pontuais que não deverão se repetir nos próximos meses, disse hoje (5) o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o secretário afirmou que o crescimento da economia e a ampliação do esforço fiscal em 2010 impedirão que o impacto dos aumentos de preços no início do ano se alastre nos próximos meses.

O secretário, ressaltou que, apesar de não se preocupar com o repique da inflação, o governo está atento ao comportamento dos preços. “Esses fatores tendem a desaparecer com o tempo, o que não significa que não tenha de prestar atenção a eles. Achamos que um cenário desses [de descontrole da inflação] não é preocupante porque nossa expectativa de crescimento não adiciona pressões excessivas de demanda”, ressaltou.

Para Barbosa, a prova de que o governo está tomando medidas pontuais para que os aumentos de preços não se espalhem ocorreu com a redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que entrou em vigor hoje. “O preço do álcool parou de subir e tudo indica que ele deve se estabilizar e começar a cair à medida que a safra de cana foi colhida”, afirmou.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado pelo governo para fixar a meta oficial de inflação, foi de 0,75% em janeiro. A elevação nos preços foi a maior desde maio de 2008, quando o índice fechou 0,79%. Em janeiro do ano passado, a inflação oficial havia ficado em 0,48%.

Segundo Barbosa, os fatores atípicos responderam por quase dois terços do índice de janeiro. Da variação registrada no mês passado, 0,49 ponto percentual deve-se a elevações que não se repetirão nos próximos meses: 0,14 ponto do reajuste de tarifas de ônibus; 0,10 ponto da elevação de preços do álcool e da gasolina; e 0,25 ponto do encarecimento dos alimentos in natura, cuja produção foi afetada pelas chuvas no Sul e Sudeste.

A ampliação da meta de superávit primário (esforço fiscal para pagar os juros da dívida pública) em 2010 também contribuirá para a queda da inflação nos próximos meses, disse o secretário. Ele reafirmou o compromisso de retomar a meta de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. “Parte dos estímulos dados no ano passado serão retirados, além disso os gastos do governo crescerão menos neste ano, o que garante o cumprimento da meta”, declarou.

Na avaliação do secretário, o superávit primário é importante para ajudar a segurar a demanda e impedir pressões inflacionárias. Ele, no entanto, evitou comentar se a diminuição dos gastos públicos reduz a necessidade de aumento dos juros pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central. “Naturalmente, pela própria lógica da política econômica, há uma contribuição. Se isso substitui a necessidade de aumento dos juros, é uma consideração para o Banco Central”, declarou.

Por Ivanir José Bortot e Wellton Máximo – Repórteres da Agência Brasil. Edição: Enio Vieira.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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