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Por 23:07 Sem categoria

PT é patrimônio da militância e referência de compromisso com o povo, diz o deputado Ricardo Berzoini, que é trabalhador bancário

O deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) fez hoje, em plenário, discurso de despedida da presidência nacional do Partido dos Trabalhadores, cargo que ocupou por quatro anos. Berzoini também homenageou o aniversário de 30 anos do PT lembrando que a decisão de fundar um partido dos trabalhadores “foi ousada e fundamental para a democracia brasileira”.

Berzoini lembrou que o PT surgiu sob críticas que não “atemorizaram” o grupo de militantes populares dos movimentos sindical, de moradia, de luta pela educação, de luta contra a ditadura militar, que ainda existia no Brasil. “Muitos diziam que era inviável o projeto do PT, que não havia no Brasil viabilidade do ponto de vista da estruturação dos partidos brasileiros, mas isso não atemorizou aqueles que decidiram realizar o sonho de uma geração, de constituir um partido com compromisso com a democracia e que tivesse como meta a apresentação de uma alternativa de poder para o Brasil e pudesse estabelecer novos marcos e metas para a nossa democracia. Superamos a ditadura militar, conquistamos espaço no movimento social e estabelecemos, à frente das primeiras prefeituras que assumimos, o modo petista de governar”, disse.

Esse modo de governar, ressaltou Berzoini, “criou referências fundamentais, como o Orçamento Participativo; os programas de transferência direta de renda; o IPTU progressivo; a democratização do debate para além do Parlamento”.

Ao lembrar o início de sua tarefa de dirigir o partido, em 2005, primeiro interinamente, à frente da Secretaria Geral e depois pela via eleitoral, Ricardo Berzoini afirmou que o PT também é inovador nesse sentido. “Tínhamos um cenário de crise profunda que, no nosso entendimento, resultou de um cerco político para tentar inviabilizar o governo Lula. Naquele momento, tivemos que reunir todas as forças da militância do PT, reunir o apoio dos aliados e dos movimentos populares, fundamentalmente, do movimento sindical, para deixar claro que este projeto, democraticamente eleito, não seria inviabilizado pela via do cerco político e que os trabalhadores do Brasil, os militantes políticos e os militantes populares fariam valer a vontade popular através de um processo de mobilização e resistência”, disse Berzoini.

Para Berzoini, uma das grandes satisfações como presidente nacional do PT “foi perceber que cada militante tem a mais profunda convicção de que o PT não pertence à sua direção, não pertence ao Presidente Lula, não pertence a qualquer governador, prefeito ou parlamentar. O PT é um patrimônio da sua militância, que deu demonstração dessa firmeza, em 2005, através da sua participação na eleição que me elegeu pela primeira vez, e que, naquele momento teve o simbolismo de dizer não àqueles que queriam destruir a história e a honra do Partido dos Trabalhadores”, frisou.

Na avaliação do deputado, o segundo mandato do presidente Lula, conquistado em 2006, se transformou numa referência, “ainda mais forte”, de compromisso com o povo e com a Nação. “Isso permitiu que tivéssemos, hoje, a extraordinária aprovação de mais de 80% ao Presidente Lula e o PT chegando ao recorde histórico de identidade partidária com 30%, segundo a pesquisa Vox Populi do ano passado”.

Esse quadro de aprovação popular e de compromisso com os grandes objetivos nacionais, acrescentou Berzoini, “permite hoje dizer que o PT vai para as eleições de 2010 com o sentimento de que pode debater qualquer assunto, de qualquer área, com autoridade para demonstrar sua realização, mas muito mais do que isso: autoridade para propor para o povo brasileiro novos desafios”.

Ricardo Berzoini lembrou ainda que o PT está pronto para novos desafios. “Aprovamos a constituição de uma escola nacional de formação, que já está com estrutura definida, estatuto e regimento interno devidamente estabelecidos para que seja de fato um instrumento de capacitação e de educação política para a nossa militância. Ao mesmo tempo, fizemos um processo de reorganização político-administrativa. O partido está saneado, com as suas contas em dia, com as suas obrigações tributárias absolutamente adequadas. Hoje, o PT é uma referência de organização, representação e mobilização fundamental para o nosso país. E, hoje, 30 anos depois da fundação do PT, podemos comemorar com orgulho o reconhecimento mundial à gestão do PT, com os partidos aliados, à frente da Presidência da República, tendo a certeza de que essa trajetória valeu a pena para os petistas e para o povo brasileiro”, disse.

Ao encerrar seu discurso de despedida, Ricardo Berzoini desejou sucesso ao seu sucessor, José Eduardo Dutra, e à nova direção do PT e afirmou que “a tarefa é árdua e a construção do PT apenas começou nesses 30 anos. Viva os 30 anos do Partido dos Trabalhadores! Viva as conquistas da classe trabalhadora! E viva principalmente a militância do PT!”, finalizou.

Gizele Benitz.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ptnacamara.org.br.

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Uma história, um partido

No olhar de todos os presentes no Colégio Sion, líderes ou não, havia o brilho da esperança de construir um novo país

Os fatos podem ser mais ou menos relevantes. Podem entrar ou não para a história de um país. Mas, de alguma forma, entram sempre na história de vida das pessoas que deles participaram.

Muitos participam dos fatos e, depois, sequer são citados quando a história é contada. São anônimos perante a história, mas o fato não é anônimo para as suas vidas. Todos têm uma história para contar, uma parte da história, às vezes mínima, sobre sua participação.

Contam, assim, “uma história”. E aqui vai uma breve história de um fato que entrou para a história do Brasil.

Até 1980, eu não militava em nenhum partido político. Militava no movimento em defesa da saúde pública e pelos direitos dos médicos residentes. Militava junto aos movimentos sociais de Curitiba. Fazia palestras sobre saúde e direitos de cidadania.

Final da década de 1970. Surge o Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes) e o Reme (Movimento de Renovação Médica). Participo de ambos e, como resultado, sou escolhido presidente do Cebes, núcleo de Curitiba, e eleito como suplente para a diretoria do Sindicato dos Médicos do Paraná.

Na mesma época, há grande agitação política e social no Brasil, contra a ditadura militar. No seio dessa mesma agitação, começa o debate sobre a criação de um partido político de esquerda. Participo desse debate entre os militantes do movimento da saúde pública, que já na época discutia a implantação de um sistema único de saúde.

Cria-se em Curitiba e no país um movimento “pró-PT”. Tomo ciência da reunião que estava sendo preparada para São Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1980. Um dos critérios para participar era ser dirigente de alguma entidade de caráter social, e eu presidia o Cebes. Após algum debate e reflexão, candidatei-me a ir para a reunião.

De Curitiba saiu um ônibus, com pouco mais de 30 pessoas, além de alguns automóveis. Fui de carro, com o advogado Luiz Salvador. Se não me falha a memória, era uma Brasília azul. Para não cometer injustiça e omissões, não citarei o nome dos paranaenses que conhecia ou que conheci depois e que lá também estavam.No dia 10 de fevereiro de 1980, há 30 anos, o PT ganhava vida e começava a entrar e a criar a história do nosso país. E eu comecei a vida política partidária e a ter uma história para contar.

Não há espaço aqui para relatar tudo o que carrego daquele dia. Mas posso registrar que havia, no olhar de todos os presentes no Colégio Sion, líderes ou não, o brilho da esperança de construir um novo país. Com a participação efetiva dos
trabalhadores, sob o marco do socialismo, palavra que, naquele momento, de ditadura, não poderia estar escrita. Construir uma força política organizada e autônoma, com a participação de trabalhadores e trabalhadoras. Enfim, um partido de massas.

Participei de todas as fases de construção do PT, que, aliás, não foram fáceis: filiar pessoas para legalizar o partido; eleição de 1982, com o voto vinculado, cujo resultado gerou uma crise no partido; perseguição a militantes com demissões ou não
contratação para trabalhar. Superamos os obstáculos com muita solidariedade.

Ao comemorar 30 anos de PT, posso dizer que me orgulho por ter participado dessa história, e de ter uma história para contar. Posso afirmar que, em parte, o Brasil é o que é hoje graças ao Partido dos Trabalhadores. Não nego a história dos outros, mas foi o PT o principal partido a sair às ruas para exigir a democratização do país, e o primeiro a levantar a bandeira da eleição direta para presidente.

O PT conseguiu dar voz e vez aos explorados e oprimidos. E é do PT o presidente que faz hoje o melhor governo da nossa história. E este é apenas um fragmento de uma grande história, ainda em curso.

Por Dr. Rosinha, que é médico pediatra e deputado federal (PT-PR). www.drrosinha.com.br | twitter.com/DrRosinha

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.ptnacamara.org.br.

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