As diretoras do Sindicato de Londrina, Regiane Portieri, e Mariana Murari, foram eleitas, respectivamente, titular e suplente para o CMDM (Conselho Municipal dos Direitos da Mulher), representando o segmento de trabalhadores. A eleição ocorreu durante a VI Conferência Municipal dos Direitos da Mulher, realizada nos dias 16 e 17 de abril.
O tema da Conferência deste ano foi: “A mulher na construção das políticas públicas: mais cidadania com participação social”. Segundo Regiane, o objetivo do evento foi reforçar a importância da participação da mulher no processo de formulação de políticas públicas. “É preciso deixar claro para a sociedade que as políticas voltadas para as mulheres devem ser elaboradas pelas próprias mulheres”, ressalta.
Durante a Conferência foram discutidas e avaliadas as propostas levantadas nas Pré-conferências, com vistas a implementar políticas públicas voltadas para as mulheres no âmbito do Município de Londrina.
Regiane lembra que na gestão do CMDM, presidido por Ana Maria Arenghi, foram desenvolvidas uma série de atividades voltadas para as questões que dizem respeito aos direitos da mulher, como a realização de palestras, em parceria com a sociedade civil organizada e a Secretaria Municipal da Mulher, o encaminhamento ao Poder Executivo das deliberações das Conferências anteriores e a participação efetiva do Conselho nas discussões para viabilizar a implantação do juizado de Violência Doméstica e Familiar, a chamada Vara Maria da Penha.
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Lula defende criação de mecanismo para evitar que licença-maternidade de 180 dias prejudique mulheres
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (25/03) que, após aprovar a licença-maternidade de 180 dias para as trabalhadoras grávidas, o Brasil precisa criar um mecanismo para evitar que a medida acabe prejudicando as mulheres.
Ao discusar durante a abertura do 2º Congresso de Mulheres Metalúrgicas do ABC Paulista, em São Bernardo do Campo (SP), Lula afirmou que, na década de 1970, as mulheres grávidas e casadas eram discriminadas pelas empresas e tinham dificuldade para ser contratadas.
“É preciso que, ao conquistar [a licença maternidade] de 180 dias, a gente não permita que a lei seja proibitiva para as empresas contratarem mulheres. Senão, daqui a pouco, os homens vão ser contratados para substituir as mulheres”, disse o presidente.
“Precisamos ficar atentos para que, ao ser aprovada [a licença], seja criado um novo mecanismo que não permita que se utilize subterfúgios para não contratar as mulheres para trabalhar nas fábricas”, discursou Lula, ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e da secretária de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire.
Para uma plateia majoritariamente feminina, Lula disse que as mulheres têm evoluído no Brasil e vêm conquistando espaços que antes eram ocupados apenas por homens. “As mulheres estão ficando espertas. Lembro que o sindicato contribuiu muito para isso. A participação politica das mulheres contribuiu muito para isso. Onde antes só trabalhavam homens, hoje trabalham mulheres.”
O presidente ainda aconselhou a população feminina que busque seu espaço e não espere que os homens compreendam a importância delas dentro de casa e também no mercado de trabalho.
“Vocês têm que aproveitar [a suposta fragilidade das mulheres]. Primeiro, parem com essa bobagem de acreditar que o homem é quem vai dar espaço para vocês. Dentro da casa de vocês se não brigarem não terão espaço. Não existe essa de ficar esperando o marido evoluir para vocês ocuparem espaço”, ressaltou.
Lula disse ainda que o 2º Congresso de Mulheres Metalúrgicas do ABC deve agir como uma “caixa de ressonância” para as outras categorias profissionais e sirva também de base para a criação de novas leis que beneficiem as mulheres.
Por Ivan Richard – Repórter da Agência Brasil.
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Livro com depoimento de mulheres torturadas na ditadura é lançado em São Paulo
São Paulo – Com relatos como o da jornalista Rose Nogueira, torturada durante o regime militar, foi lançado hoje (25/03), em São Paulo, o livro Luta, Substantivo Feminino.
Pelo relato de Rose, tem-se uma ideia do que as mulheres sofreram no período. “No meio desse terror, levaram-me para a carceragem, onde um enfermeiro preparava uma injeção. Lutei como podia, joguei a latinha da seringa no chão, mas um outro segurou-me e o enfermeiro aplicou a injeção na minha coxa. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’. ‘E se não melhorar, vai para o barranco, porque aqui ninguém fica doente.’ Esse foi o começo da pior parte. Passaram a ameaçar buscar meu filho. ‘Vamos quebrar a perna’, dizia um. ‘Queimar com cigarro’, dizia outro.”
Essas são as frases da jornalista que constam no livro, cujo lançamento teve a participação dos ministros Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, e Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, no auditório da Pontífica Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
“Este livro é o que chamo de terceiro filho do Direito à Memória e à Verdade, lançado pelo presidente Lula, em 2007. Há muitos enfoques a serem completados sobre a ditadura militar e o da mulher era um deles”, disse Vanucchi.
Para Nilcéia, o livro é “mais um elemento para deixar o passado vivo e , assim, construirmos um presente e um futuro sem temores”. “A impressão que tenho lendo os livros de história é que este país foi construído apenas pelos homens. Este livro resgata a contribuição das mulheres para reconquistar a liberdade e na reconstrução da democracia brasileira”, completou a ministra.
Com tiragem inicial de 2,5 mil exemplares, o livro traz 27 depoimentos de mulheres como Rose, que foram torturadas durante a ditadura, além do perfil de 45 mulheres assassinadas e desaparecidas no Brasil entre 1964 e 1985.
No seu discurso, Vannuchi comentou que, apesar de ter sido barbaramente torturada no período militar, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ficou de fora do livro para “evitar qualquer comentário de que a publicação tenha conotações políticas”. No auditório da PUC, o ministro pronunciou o nome de algumas das sobreviventes cujos depoimentos estão no livro e todas foram aplaudidas de pé pelos estudantes.
“Estou muito feliz em ver que a geração de vocês vê a ditadura com um olhar de história, e não carrega as duras marcas que a minha geração tem, e está aqui hoje, prestigiando o evento”, disse Vannuchi.
A secretária de Políticas das Mulheres disse ainda que tinha a “esperança renovada toda vez que venho à uma universidade e vejo a juventude comprometida com o futuro”.
A estudante do quinto ano de direito da PUC, Graziela Santos, foi ao evento e disse que há muito tempo não via o auditório lotado como hoje no lançamento do livro. “Semana passada, teve um evento internacional com apenas dez pessoas”, disse. A aluna, que está estudando a questão da tortura sob a orientação de um professor de direitos humanos, comentou que acha importante a publicação de livros como este. “Os torturadores sempre vão existir, é por isso que precisamos nos fortalecer como um Estado democrático de Direito”.
Por Ivy Farias – Repórter da Agência Brasil.
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