Crédito aquecido faz BB lucrar R$2,7 bilhões no 2o tri
SÃO PAULO, 16 de agosto (Reuters) – O Banco do Brasil informou nesta segunda-feira que fechou o segundo trimestre com lucro líquido de 2,7 bilhões de reais, o que representa um aumento de 16,1 por cento em relação ao ganho obtido em igual período de 2009.
Em termos recorrentes, o lucro do período ficou em 2,327 bilhões de reais, um avanço de 34,8 por cento em 12 meses e acima da previsão média de quatro analistas consultados pela Reuters, que apontava 2,038 bilhões de reais.
No final de junho, a carteira de crédito da maior instituição financeira por ativos era de 349,8 bilhões de reais, o que significa um crescimento de 41,1 por cento em 12 meses. Já segundo o conceito da resolução CMN 2.682, que permite comparabilidade com outras instituições, a carteira ficou em 326,5 bilhões de reais, uma expansão de 29,3 por cento em 12 meses.
“A expansão decorreu do crescimento robusto das concessões de crédito à pessoa física, especialmente crédito consignado e financiamento a veículos, e na pessoa jurídica com destaque para operações de investimentos e capital de giro”, disse a instituição, em comunicado.
O nível de inadimplência da carteira, medida pelo saldo de operações vencidas com prazo superior a 90 dias, ficou em 2,7 por cento no trimestre, ante 3,3 por cento em igual período de 2009.
As despesas do banco com provisões para perdas entre abril e junho somaram 2,525 bilhões de reais, montante 34,7 por cento menor do que em igual intervalo do ano passado.
A rentabilidade sobre patrimônio líquido de abril a junho ficou em 31,5 por cento, ante 33,2 por cento no segundo quarto de 2009.
(Reportagem de Aluísio Alves)
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE67F01020100816
===================================
Sumário do Resultado
Lucro Líquido supera R$ 5 bilhões no semestre
O Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 5.076 milhões no primeiro semestre, resultado 26,5% superior ao apurado no mesmo período de 2009. Esse desempenho corresponde a retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio (RSPL) de 28,7%. Desconsiderados os efeitos extraordinários, o lucro recorrente atingiu R$ 4.383 milhões no semestre, 34,9% maior que o verificado no 1S09 e correspondente a RSPL Recorrente de 24,6%.
Apenas no segundo trimestre o resultado líquido alcançou R$ 2.725 milhões, apresentando evolução de 15,9% sobre o 1T10 e de 16,1% sobre o mesmo período do ano anterior. O RSPL do trimestre foi de 31,5%. Em bases recorrentes o resultado do período alcançou R$ 2.327 milhões, crescimento de 13,2% sobre o trimestre anterior e de 34,8% em relação ao 2T09. O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido foi de 26,5%.
O Banco do Brasil manteve a prática de distribuir 40% do lucro líquido a seus acionistas (payout). No trimestre foram destinados R$ 565 milhões a título de dividendos e R$ 525 milhões a título de juros sobre capital próprio (JCP).
BB consolida liderança do Sistema Financeiro com R$ 756 bilhões em ativos
O Banco do Brasil alcançou R$ 755.706 milhões em ativos totais ao final de junho, crescimento de 26,2% em relação a junho de 2009 e de 4,3% sobre o final do trimestre anterior. Destaque no trimestre para o crescimento do crédito e da carteira de títulos e valores mobiliários.
Crédito alcança R$ 350 bilhões
A carteira de crédito, em conceito ampliado que inclui garantias prestadas e os títulos e valores mobiliários privados, atingiu R$ 349.761 milhões, crescimento de 6,8% no trimestre e de 41,1% em doze meses.
A carteira de crédito classificada (conforme resolução CMN 2.682) chegou a R$ 326.522 milhões, expansão de 29,3% em 12 meses e de 6,9% no trimestre. A carteira doméstica cresceu 28,2% em um ano e 6,6% sobre o 1T10. A participação do Banco do Brasil no mercado doméstico voltou a crescer e chegou a 20,1%.
O crescimento em 12 meses foi potencializado pela consolidação proporcional das operações de crédito do Banco Votorantim, a partir do 3T09. No entanto, mesmo utilizando uma base de comparação proforma que simula a consolidação do BV a partir de junho de 2009, a carteira de crédito doméstica registraria crescimento de 18,8% no período de 12 meses. Todas as carteiras apresentam crescimento em linha com as projeções fornecidas pelo BB ao mercado.
Crédito ao consumo supera a marca de R$ 100 bilhões
O crédito às pessoas físicas atingiu R$ 101.122 milhões ao final do 2T10, crescimento de 47,7% em um ano e de 6,3% no trimestre. Entre as linhas de crédito mais relevantes, destaque para o crescimento do crédito consignado e das operações de financiamento a veículos, que seguem apresentando crescimento expressivo, tanto na comparação trimestral como em doze meses. O crédito ao consumo manteve sua participação relativa em 31% da carteira total.
A carteira de pessoa jurídica, que representa 41,5% da carteira total do BB, somou R$ 135.575 milhões em junho de 2010, expansão de 31,2% em doze meses e de 5,9% sobre o trimestre anterior. Tanto na comparação trimestral como em doze meses o crescimento esteve concentrado nas operações com médias e grandes empresas (segmentos middle e corporate).
O maior crescimento entre as carteiras de crédito no trimestre foi observado nas carteiras de agronegócio e do exterior, que cresceram respectivamente 8,4% e 11,4%. O desempenho do crédito ao agronegócio foi alavancado principalmente pelas linhas de “Comercialização e Industrialização de Produtos Agropecuários”, que registraram crescimento de 44,5%, e “BNDES/Finame Rural”, com expansão de 17,5%. Em 12 meses, a carteira de agronegócios registrou crescimento de 4%.
Lucro recorrente reflete melhoria da eficiência operacional
O resultado recorrente do semestre registrou crescimento de 34,9% sobre o mesmo período de 2009, com destaque para a margem financeira bruta, que apresentou expansão de 21,6%.
No 2T10 o resultado recorrente apresenta crescimento de 13,2% sobre o trimestre anterior e de 34,8% em relação ao observado em igual período de 2009. No trimestre, destaque para o crescimento das receitas de prestação de serviços e para o controle de despesas administrativas, que foram acompanhados de redução nas despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (refletindo melhora da qualidade da carteira e redução dos índices de atraso). A margem financeira bruta segue apresentando crescimento, ainda que em ritmo inferior ao observado nos trimestres anteriores.
…
Inadimplência em queda se aproxima de nível pré-crise
No trimestre, a inadimplência intensificou a tendência de queda e se aproximou dos patamares observados em 2008. Todos os principais índices de atraso apresentaram melhora significativa. A relação entre as operações vencidas há mais de 90 dias e a carteira de crédito encerrou o trimestre em 2,7%, queda de 40 pontos base no trimestre e de 60 pontos base em relação a junho de 2009. Trata-se do menor patamar da série histórica desde dezembro de 2008.
As operações em atraso acima de 60 dias representavam 3,1% da carteira ao final de junho. Esse percentual é 50 pontos base inferior ao registrado em março e 70 pontos base inferior àquele verificado em junho de 2009.
Em linha com a melhora observada na qualidade da carteira, houve redução nas despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PCLD). No trimestre as despesas chegaram a R$ 2.871 milhões, o que representa queda de 5,1% sobre o trimestre anterior e de 9,5% sobre as despesas observadas no 2T09. O índice que mede a relação entre as despesas com PCLD acumuladas em doze meses e a carteira de crédito média do mesmo período encerrou o 2T10 em 4,1%, ante 4,5% no trimestre anterior e 4,2% no 2T09.
Não obstante a melhora nos índices de inadimplência e a perceptível melhora no ambiente econômico e de negócios, o Banco do Brasil manteve a prudência em relação ao saldo das provisões para risco de crédito e ao percentual de cobertura da carteira. O saldo das provisões encerrou o trimestre em R$ 18.088 milhões, o que proporciona cobertura de 204% das operações vencidas há mais de 90 dias.
No trimestre houve redução de R$ 833 milhões no saldo da PCLD Adicional. A variação no período deve-se aos seguintes fatores:
· Reversão de provisão adicional de operações rurais no valor aproximado de R$ 332 milhões tratada como item extraordinário para apuração do resultado recorrente do BB. Mais detalhes podem ser encontrados no Capítulo 7.5 do relatório Análise do Desempenho.
· As demais variações decorrem de migração de saldo de provisão adicional para a requerida e não se constituem em reversão para resultado de valores aprovisionados. Mais detalhes podem ser encontrados no Capítulo 7.5 do relatório Análise do Desempenho.
Receitas de Prestação de Serviços apresentam crescimento robusto
As receitas de prestação de serviços (RPS) totalizaram R$ 7.588 milhões no 1S10, o que equivale a crescimento de 19,0% sobre o 1S09. Apenas no 2T10 essas receitas alcançaram R$ 3.954 milhões, evolução de 8,8% sobre o trimestre anterior e de 15,1% sobre igual período de 2009.
Na comparação com o 1S09 o desempenho foi beneficiado pela consolidação de receitas do Banco Votorantim (BV), cuja aquisição foi efetivada ao final de setembro de 2009, e do Banco Nossa Caixa, que sensibilizou as receitas de 2009 apenas a partir de abril. No entanto, mesmo utilizando uma base de comparação proforma, que considera a consolidação do BV e BNC durante todo o ano de 2009, as RPS do conglomerado teriam registrado expansão de 12,3% na comparação entre o 2T10 e 2T09, e 10,8% na comparação entre o 1S10 e o 1S09. O desempenho do semestre é superior ao Guidance de crescimento de RPS fornecido pelo BB ao mercado (7% a 10%).
As tarifas de crédito e conta corrente cresceram respectivamente 34,3% e 12,6% sobre o 1T10. No período não houve reprecificação ou criação de novas tarifas. O bom desempenho decorreu, além da expansão dos negócios, da implantação de uma série de medidas com o objetivo de melhorar o gerenciamento das tarifas a receber, aumentando a efetividade de cobrança.
Os negócios com seguros, previdência e capitalização foram o destaque entre as receitas de prestação de serviços e registraram crescimento de 79,2% sobre o trimestre anterior e de 62,2% sobre o 2T09.
Além de receitas de tarifas, as operações com seguros geraram rendas de R$ 468 milhões no trimestre, montante 0,6% inferior em relação ao mesmo trimestre de 2009 mas 6,3% maior que aquele registrado no 1T10. No acumulado do semestre o resultado das operações com seguros atingiu R$ 909 milhões, expansão de 17,3% sobre o observado no mesmo período do ano anterior.
Controle de gastos supera estimativas: despesas administrativas abaixo do
Guidance
As despesas administrativas, que compreendem as despesas de pessoal e as outras despesas administrativas, totalizaram R$ 10.771 milhões no 1S10, crescimento de 22,1% sobre igual período do ano anterior. No 2T10 as despesas administrativas chegaram a R$ 5.471 milhões, montante 3,2% superior ao observado no trimestre anterior, com crescimento de 3,0% nas despesas de pessoal e 3,5% nas outras despesas administrativas.
Assim como no caso das receitas de prestação de serviços, a comparação com o 1S09 e 2T09 fica prejudicada pela consolidação dos bancos Nossa Caixa (a partir do 2T09) e Votorantim (a partir do 4T09). Por esse motivo foi preparada a tabela abaixo, que traz uma base de comparação proforma para os períodos de 2009, simulando a consolidação dos bancos adquiridos durante todo o exercício. A tabela também segrega as despesas incorridas pelo BB + BNC, daquelas incorridas pelas demais coligadas e controladas, que apresentam uma dinâmica de crescimento diferenciada.
No comparativo proforma, que também é utilizando para fins de acompanhamento do Guidance 2010, as despesas do BB no 1S10 apresentam crescimento de 9,1% sobre o mesmo período de 2009, percentual inferior à range de estimativas que consta das projeções fornecidas ao mercado.
Considerando apenas as despesas do BB + BNC, as despesas administrativas do semestre crescem 8,2% sobre o 1S09. Na comparação trimestral o avanço das despesas foi de 1,6% sobre o 1T10 e de 6,2% sobre o 2T09.
O desempenho, tanto na comparação trimestral como semestral, é resultado de um intenso esforço de controle de gastos. Essa constatação é comprovada pelo desempenho das outras despesas administrativas do banco múltiplo, que cresceram apenas 6,1% na comparação entre o 1S10 e 1S09. Esse percentual é pequeno se considerado o efeito da inflação sobre os contratos de prestação de serviços e o crescimento orgânico das operações.
Em razão de atuarem em segmentos com elevado ritmo de crescimento, ou em setores nos quais o BB está estruturando/reestruturando sua atuação, as demais empresas do conglomerado apresentaram crescimento um pouco mais forte em suas despesas.
…
Eventos extraordinários
Os efeitos extraordinários agregaram R$ 310 milhões ao lucro líquido do BB no 2T10 e R$ 694 milhões no cômputo geral do 1S10. Esses impactos já estão líquidos de impostos e participações estatutárias no lucro. Os itens extraordinários e seus valores antes de impostos encontram-se detalhados a seguir.
2T10
· Reversão de PCLD adicional no montante de R$ 332 milhões em razão de melhorias no perfil de risco da carteira de agronegócios.
· Despesas de demandas cíveis de planos econômicos no montante de R$ 140 milhões.
· Ganho de capital no valor de R$ 114 milhões, em decorrência da reestruturação societária da Brasilprev. O Banco do Brasil aumentou sua participação no capital total daquela companhia de 50% para 75%.
· Reversão de demandas cíveis e trabalhistas no valor de R$ 250 milhões, em razão da finalização do cadastramento de processos oriundos do BESC nos sistemas e metodologias do BB. Mais informações sobre esse item estão disponíveis no capítulo 5.1 do relatório análise do desempenho.
1T10
· Despesas de demandas cíveis de planos econômicos no montante de R$ 85 milhões.
· Reversão de provisões para demandas trabalhistas no montante de R$ 568 milhões. O valor referese a demandas até então contabilizadas no BNC e que foram migradas para os sistemas e metodologias do Banco do Brasil.
· Alienação parcial de investimentos, de ações do conglomerado que correspondem a 0,156% do capital da empresa Visa Inc., gerando resultado extraordinário positivo de R$ 214 milhões no trimestre. O Banco do Brasil ainda detêm, em conjunto com o BB BI, ações representativas de 0,159% do capital da Visa Inc.
Além dos itens extraordinários, no trimestre houve reconhecimento de ganhos e perdas com planos de benefícios de funcionários. Houve ganho decorrente da avaliação de ativos e passivos atuariais da PREVI, no montante de R$ 389,2 milhões, e perdas decorrentes da reavaliação atuarial do plano de benefícios de responsabilidade exclusiva do BB, no montante de R$ 71,7 milhões, ambos antes de impostos.
Essas contabilizações fazem parte do resultado recorrente do BB no primeiro semestre de 2010 e 50% dos valores (bem como efeitos sobre impostos e PLR) auferidos no 2T10 foram realocados para compor o lucro recorrente e a DRE com Realocações do 1T10. Este ajuste faz-se necessário para fins de comparabilidade, além do fato de que os estudos atuariais avaliaram as movimentações de ativos e passivos do plano em todo o semestre.
TEXTO COLHIDO NO DOCUMENTO 2T10kkSumario.pdf EMITIDO PELO BANCO DO BRASIL.