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Banco Central desafia Dilma e prevê que em 2011 juro sobe e crescimento cai

“Erradicação da miséria” fica para outra ocasião

BC desafia Dilma e “prevê” que em 2011 juro sobe e crescimento cai

Corte de gasto, créditos e salários completa o programa para testar a paciência da nossa presidente

BC, como sempre atribuindo as “previsões” ao “mercado”, publicou no indefectível Boletim Focus que os juros básicos aumentarão para 12,25% até o fim de 2011 – um aumento, em juros reais, de 39% -, que o crescimento cairá para 4,5%, o saldo comercial cairá pela metade e o déficit nas contas externas aumentará em US$ 19 bilhões, também em 2011. Enquanto isso, o ministro Mantega propõe um corte de R$ 12 bilhões no Orçamento, a guerra cambial dos EUA agride o país, que é invadido por importados que substituem a produção interna, colocando em risco o crescimento, o emprego e os avanços conquistados sobre a miséria. Não é à toa que os que querem aumentar ainda mais os juros, pregam os cortes de gastos públicos. Querem cortar gastos com o povo para aumentar os gastos públicos com juros.

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“Expectativa” do BC é Selic a 12,25% e ‘PIB potencial’ de 4,5%

“Previsões” alimentam guerra cambial a favor dos EUA

O último Boletim Focus – aquela publicação do Banco Central que a cada segunda-feira atribui às “expectativas de mercado” aquilo que sua diretoria está fazendo o possível para que aconteça – traz algumas sinistras previsões.

Primeiro, a taxa básica de juros (Selic), hoje em 10,75%, ao final de 2011 estaria em 12,25% – o que, descontada a inflação que o BC projeta (IPCA: 5,21%), significaria um aumento do juro real dos atuais 4,8% para 6,69%, isto é, um aumento de 39% nos juros básicos.

Segundo, o crescimento do PIB cairia de 7,61% em 2010 para 4,5% em 2011 – ou seja, seria reduzido ao “PIB potencial” dos tucanos e neoliberais, segundo eles o máximo que o Brasil pode crescer, que antes era 3,5%, e, depois que Lula acabou com essa estupidez, foi agora exumado com um ponto a mais.

Terceiro, o déficit nas contas externas (transações correntes) aumentaria US$ 19,05 bilhões – iria dos US$ 50 bilhões previstos pelo BC até o final deste ano para US$ 69,05 bilhões em 2011. Portanto, o aumento das remessas de lucros e do importacionismo das filiais de multinacionais elevaria o deficit em 38%, quase o mesmo que os juros.

Quarto, o saldo comercial cairia pela metade: de US$ 16 bilhões para US$ 8 bilhões, portanto, a invasão de mercadorias importadas aumentaria. O câmbio médio cairia de R$ 1,76 por dólar (2010) para R$ 1,73 por dólar (2011) – certamente que para facilitar essa invasão.

JUROS

Evidentemente, qualquer desses resultados depende da política econômica que for aplicada. Portanto, qual a base para se dizer que a taxa de juros ao final de 2011 será 12,25%, ou que o saldo comercial cairá pela metade, ou que o nosso crescimento descerá para 4,5%? Só uma: o desejo de que seja assim. O BC está defendendo uma política que leve a isso: a de aumentar os juros, frear o crescimento, colaborar com a guerra cambial dos EUA (isto é, com a enxurrada de dólares desvalorizados que no momento afoga o país, com a consequente apreciação do real, e as importações aditivadas por esse dumping cambial). Mas não há nada de natural ou inevitável nisso. Tanto assim que aumentar a Selic para 12,25% não é uma responsabilidade do mercado, mas do Copom, que é a diretoria do BC.

A taxa de juros real dos títulos públicos dos EUA está em -0.9% (menos 0,9%). Os dólares que entram no Brasil obtêm, hoje, uma taxa líquida de 11% (cf. “Financial Times”, 04/11/2010). Enquanto a diferença de juros for tão colossal, os dólares continuarão jogando a cotação do real para cima, com a produção de setores inteiros da nossa indústria substituída por importados. Mas o BC faz previsões de que aumentará os seus próprios juros em nada menos do que 39% até o final de 2011…

Implicitamente, ao “prever” que o deficit externo será coberto pelos dólares que nos asfixiam, o BC reconhece que a guerra cambial existe. O problema é que nessa guerra ele está do lado dos americanos, mais precisamente, do banco central dos EUA (Fed). Daí esses desejos, essas previsões, essa política sobre o saldo comercial, a taxa de câmbio e, evidentemente, os juros.

De janeiro a outubro, entraram no país US$ 132,9 bilhões – mais do que em qualquer ano anterior – e o déficit externo, segundo o BC, dobrará até o fim de 2010 (de US$ 24,3 bilhões em 2009, iria para US$ 50 bilhões). Querer resolver esse problema paralisando a economia, mais parece o massacre da serra elétrica, que certamente deve ter resolvido vários problemas de crescimento excessivo das suas vítimas.

IMPORTAÇÕES

No terceiro trimestre deste ano, o Coeficiente de Importação, medido pela Fiesp, foi o mais alto desde que o índice é calculado: 22,7%. Ou seja, a parcela do consumo interno de produtos industriais sequestrada por importações (incluindo o consumo das próprias indústrias) chegou a 22,7%. Foi o quinto trimestre consecutivo em que aumentou essa fatia, que era 16,9% no segundo trimestre de 2009.

Do terceiro trimestre de 2009 ao terceiro trimestre de 2010, o consumo interno cresceu 12,9%, mas, diz o estudo da Fiesp, “desta fatia que se adicionou ao consumo, a indústria nacional foi responsável por suprir cerca de 41,6%, com os 58,4% restantes sendo aproveitados pelos importados” (grifo nosso). Enquanto as importações cresciam 41,6%, e o consumo 12,9%, a produção industrial cresceu apenas 7,9%.

Nitidamente, a parcela do mercado interno ocupada por mercadorias importadas está crescendo aceleradamente, à custa de substituir a produção interna.

Mais de 40% das importações (45,45% do valor importado em novembro) são de bens intermediários, isto é, componentes para montagem de produtos pela indústria, principalmente por filiais de multinacionais. Mas isso só faz com que a guerra cambial dos EUA torne mais grave a situação – e, portanto, a queda de juros e outras medidas de enfrentamento a essa guerra sejam mais urgentes.

O que está em jogo são os empregos dentro do país. Para a maioria do povo, é assim que aparece, tragicamente, o desequilíbrio nas contas externas, causado por juros altos, câmbio manipulado desde fora e freada no crescimento. O estudo da Fiesp mostra que, na série dessazonalizada (isto é, expurgada de variações devidas à época do ano), o crescimento da indústria é declinante desde o segundo trimestre deste ano: na comparação com o mesmo trimestre de 2009, a indústria cresceu 18,2% no primeiro trimestre, 14,3% no segundo e 7,9% no terceiro. Em relação ao trimestre anterior, a produção industrial cresceu 2,9% no primeiro trimestre, 1,2% no segundo e caiu 0,5% no terceiro.

GASTOS

No entanto, há quem defenda o breque no crescimento, o estancamento dos salários – portanto, a redução do próprio mercado interno, no momento em que o mercado externo tende a encolher – e o corte dos gastos públicos. O que só demonstra que tanto o reacionarismo quanto a burrice não são racionais. Aliás, são anti-humanos.

O Orçamento Nacional deste ano reserva R$ 138,4 bilhões para pagamento de juros, o dobro do que destina aos investimentos (R$ 69 bilhões). Até o dia cinco de dezembro, foram pagos R$ 120,3 bilhões de juros, o triplo do que foi liberado para investimentos orçamentários (R$ 37,6 bilhões). No entanto, o BC quer aumentar os pagamentos de juros, elevando-os em 39% até o fim de 2011.

Só há uma razão, portanto, para que os corifeus do aumento de juros sejam também os corifeus do corte de gastos públicos: querem que sobre mais dinheiro para os juros. Alguns dizem que são a favor de cortar o “custeio” para aumentar os investimentos. Se fosse verdade, estariam a favor de fazer obras para sucateá-las. Como construir, por exemplo, hospitais, e depois cortar o custeio, isto é, o dinheiro para medicamentos, higiene, manutenção, etc., etc.? Exceto se eles são a favor – e devem ser – de privatizar as obras construídas com investimentos públicos. Se for isso, vão ter que se entender com os 56 milhões de brasileiros que elegeram Dilma e escorraçaram um candidato que era a favor desse roubo.

Antes de tudo, vão ter que se entender (ou não) com Dilma. Pois o que propõem é o aumento da miséria, do desemprego e da fome. Se fossem, realmente, a favor de aumentar os investimentos, estariam defendendo a redução dos juros para que o governo dispusesse de mais dinheiro para investir. Mas é esse gasto público que não querem cortar – pelo contrário, querem aumentar.

Por CARLOS LOPES.

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Mantega diz que corte de R$ 12 bilhões não é corte

O ministro Mantega parece ter encontrado uma forma original de cortar o Orçamento de 2011. Segundo ele e o ministro Paulo Bernardo disseram a membros da Comissão de Orçamento, o corte de R$ 12 bilhões que estão propondo não é um corte. A previsão de receita para o próximo ano é que foi “frustrada” ou estava “inflada”. Nenhum deles explicou o que isso quer dizer – frustrada como, ou por quê? Inflada por que razão?

O corte de R$ 12 bilhões implicará numa redução de R$ 4,4 bilhões nas transferências a Estados e municípios e R$ 7,82 bilhões, que o Congresso terá de cortar em algum lugar – nas palavras do ministro Bernardo: “não é um valor desprezível, e estamos deixando um abacaxi para o Congresso. Poderão ser feitos cortes nas despesas diante deste valor”.

O ministro Paulo Bernardo esclareceu na Comissão de Orçamento que a mudança partiu do Ministério da Fazenda, e que ele, depois de receber os novos números, apenas resolveu comunicá-los ao Congresso.

Mas, então, seria melhor que a Fazenda explicasse qual foi e onde foi o erro. Algumas autoridades do Ministério relacionaram a mudança à guerra cambial dos EUA. Supõe-se que a guerra cambial tenha dois lados – os EUA e os outros países do mundo, que, com raras exceções, como o Brasil, têm se defendido nessa guerra. Mas a arrecadação depende do crescimento. Seria a previsão de crescimento para o ano que vem, em função da guerra cambial, que estaria sendo revista? Que medidas propõe a Fazenda para nos defendermos nessa guerra? Ou a proposta é de simples rendição diante dela?

Na proposta enviada ao Congresso, as receitas eram de R$ 967,6 bilhões. No dia sete, a previsão passou a ser de R$ 955,3 bilhões. Da mesma forma, a proposta inicial mencionava uma arrecadação de impostos de R$ 632 bilhões. Agora, essa previsão de arrecadação passou a ser de R$ 619,8 bilhões.

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