Central é eleita para coordenar comissão da juventude do Cone Sul; dirigentes participam de discussões sobre desenvolvimento produtivo e gênero
Até 2011, a CUT comandará a Comissão de Juventude da Coordenadora Sindical do Cone Sul. A decisão ocorreu nessa terça-feira (14) durante encontro dos jovens das centrais sindicais de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, países que compõem o Mercado Comum do Sul (Mercosul), além do Chile, e que participam da X Cúpula Social do Mercosul, no Parque Tecnológico de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no Paraná.
Durante um ano, a Central organizará os debates sobre o trabalho juvenil nessas nações e a construção de políticas públicas para áreas como a educação.
As discussões também apontaram a defesa do trabalho decente, com diálogo social e igualdade de direitos, e da educação gratuita, universal e com valorização do profissional do ensino como as prioridades para o próximo período.
Secretária da Juventude da CUT, Rosana Sousa, também comentou que as seis centrais brasileiras promoverão no país uma grande mobilização em defesa dos dois eixos, ainda sem data definida, mas que acontecerá antes da próxima Cúpula Social.
Ampliar o combate – Em relação à educação, a dirigente afirmou que é preciso ampliar o diálogo para além do grupo de jovens sindicalizados, estreitando a relação com outros movimentos, especialmente o estudantil. “Primeiro, a bandeira não é o trabalho juvenil, mas a qualificação profissional para que esse jovem tenha melhores condições de se inserir dignamente no mercado quando estiver preparado”, disse.
Desenvolver com respeito ao trabalhador
Além da comissão da juventude, a direção cutista participou diretamente de outros espaços de debates.
Manoel Messias, secretário da Saúde do Trabalhador da CUT, coordenou a comissão de desenvolvimento produtivo e foi o responsável por apresentar os pontos levantados pelos participantes na plenária da Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul, na manhã desta quarta (15).
Segundo ele, para os integrantes do movimento sindical do bloco é fundamental acompanhar as cadeias produtivas dos diferentes setores do Mercosul que já atuam de maneira integrada. Um dos setores cruciais é a indústria naval. ”Nessa área o governo brasileiro preparou o catálogo Navipeças com regras para certificar fornecedores. Queremos que além itens como qualidade e tecnologia sejam considerados as questões ambientais e trabalhistas. E que isso seja expandido para os outros países. Isso demonstra que as centrais irão pautar suas intervenções pelas propostas e não apenas pelos discursos”, indica.
De acordo com o secretário, outro ponto relevante foi a avaliação do modelo energético. “A definição sobre qual matriz energética utilizaremos definirá o nosso modelo de desenvolvimento e se iremos favorecer apenas as grandes multinacionais ou trabalhar para todos”, explica.
Amplo combate à violência contra a mulher – Integrante da comissão de gênero, a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, comentou que a violência contra a mulher foi o tema principal do diálogo.
Com base na Frente Parlamentar de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher, uma associação de mulheres dos países do Cone Sul, lançada em Brasília no final de novembro, ela aponta que é preciso definir uma legislação comum no Mercosul. “Cada país tem suas leis e por conta da diplomacia não se pode invadir o país vizinho. Assim, nessas regiões em que os países são separados por uma rua, o agressor acaba atravessando a fronteira e a polícia brasileira não pode agir. Enquanto isso, ele aguarda para não ser configurado o flagrante de um crime de agressão e depois volta para o país de origem como se nada tivesse acontecido.”
De forma complementar, a comissão apresentou à coordenadora outras necessidades como o fortalecimento das redes de proteção à mulher vítima de violência, um protocolo de extradição comum para tratar os casos de violência e a criação de um pacto regional do Mercosul de combate à violência contra a mulher com recursos dos países da região.
Encerramento – A X Cúpula Social do Mercosul termina nesta quinta-feira (15) com uma plenária dos movimentos sociais e um painel sobre o diálogo social e a integração regional.
À noite, ocorrerá um encontro com a 40ª Cúpula Presidencial do Mercosul, evento que acontece paralelamente também em Foz do Iguaçu. Estão previstas as presenças do presidente Luis Inácio Lula da Silva, da presidenta eleita, Dilma Rousseff, e dos chefes de Estado da região.
Por Luiz Carvalho, de Foz do Iguaçu.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.