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Momento inadiável de superar barreiras e promover a igualdade racial

A aprovação da Lei 10.639, de 9/1/2003, que dimensiona o ensino de História da África e da Cultura Afro-brasileira no currículo escolar, tornando-o obrigatório na educação básica, nos estimula a participarmos de amplas discussões sobre a identidade da cultura afro-brasileira, como o combate à discriminação racial no espaço escolar em seus diferentes níveis de ensino. Um dos pontos que mais me chamou a atenção e que me motivou a escrever este texto tem como objetivo fundante atacar, no berço da formação escolar, toda a forma de exclusão que nós, afro-brasileiros, sofremos. É na educação infantil que são formados os primeiros embriões dos valores humanos, costumes e princípios éticos. Estão nascentes ali, com certeza, as manifestações discriminatórias que vêm desde a visão didática preconceituosa até comportamentos racistas herdados, que poderão ser contidas.

A escola brasileira precisa conhecer e vivenciar a diversidade de seus alunos e, principalmente, permitir que seja um instrumento de alfabetização, mas também um instrumento de crescimento cultural, de descoberta de experiências étnico- raciais. Através da matriz africana, jovens e crianças reproduzam e recriem, em sua experiência cotidiana, na vida familiar e nas celebrações grupais, os valores que são passados de geração em geração.

A recente discussão e a posterior aprovação do sistema de cotas em duas grandes universidades gaúchas (UFRGS E UFSM) nos remeteram ao um intenso debate sobre acesso e mérito. Este debate (que não é novo), que vem sendo discutido há muitos anos pelo movimento negro gaúcho e brasileiro, trouxe à luz da sociedade gaúcha momentos de intensa alegria e de grandes preocupações, e até mesmo assustadores momentos de como o racismo ainda é uma chaga adormecida na sociedade, que só dá sinais visíveis quando afetam interesses de uma pequena elite conservadora.

Torna-se urgente a real implementação da Lei 10.639/03 nas escolas gaúchas, desde suas séries iniciais, mostrando para os jovens negros e brancos o valor e a importância da raça negra para a formação econômica, social, cultural, intelectual, religiosa, educacional e gastronômica da sociedade gaúcha e brasileira. É urgente construir um currículo democrático que reconheça a importância de se incorporar valores da tradição afro-brasileira, na criação de espaços para a participação, para cantar, dançar, partilhar.

É urgente explicar para a juventude quem foi Zumbi dos Palmares, contar quem foram os lanceiros negros e registrar quem são os heróis negros de ontem e de hoje. Só assim poderemos continuar a sonhar com uma sociedade mais justa, mais humana e igualitária. Só assim poderemos continuar a acreditar que um outro mundo é possível. Porque o resgate e a promoção da história e da identidade africana no Brasil são bens que pertencem a todos nós, negros e brancos, homens e mulheres, adultos e idosos, jovens e crianças. A hora é agora!

Por Anderson Antunes, que é estudante de Administração e militante da Juventude Negra do RS.

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.pt.org.br.

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