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Lupi a Meirelles: redução maior da Selic ajuda a gerar empregos

Lupi a Meirelles: “há projeções otimistas sobre baixa da Selic”

Ministro do Trabalho contesta “previsões” do presidente do BC sobre índice de desemprego

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, rebateu na quarta-feira (20) as previsões sombrias de Henrique Meirelles, de que o Brasil irá retroceder em dois anos na geração de empregos. “Também tem projeções otimistas quanto a baixar mais ainda a taxa Selic. É uma opinião, ele tem o direito de ter a opinião dele e eu tenho a minha opinião. Eu quero ver cada vez mais baixa a taxa Selic para ajudar a produzir mais emprego”, disse o ministro Lupi.

No dia anterior, o presidente do BC havia afirmado: “A previsão para os índices de desemprego no segundo semestre vão levar a uma trajetória comparável a 2007. É preocupante, estamos retrocedendo dois anos”. Ou seja, Meirelles estava projetando o desempenho da economia sob a ótica contracionista da política monetária que estabeleceu no Banco Central, sob medida para turbinar os ganhos dos especuladores.

Tamanho retrocesso previsto por Meirelles está escorado, notadamente, nas estimativas dos analistas dos bancos e consultorias, divulgadas pelo boletim Focus, que em sua última versão estipula uma queda de 0,49% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. “Analistas”, aliás, com quem Meirelles se reúne regularmente: é o que ele chama de “mercado”.

O BC levou três meses – de meados de setembro de 2008 a meados de janeiro – para reduzir os juros e com magnitudes de cortes insuficientes para ampliar o crédito. Ao lado dos efeitos da crise externa – como a restrição da ampliação das nossas exportações, em função da crise de grande parte de compradores de nossos produtos –, isso provocou uma redução da produção industrial. Porém, outras iniciativas que não da alçada de Meirelles, como os negócios fechados na China e a decisão do governo de reduzir o superávit primário para 2009 de 3,8% para 2,5% do PIB e a manter os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de um presidente da República que acredita no Brasil, apontam para o caminho oposto das aves de mau agouro.

Por isso, Lupi argumentou, serenamente, que os negócios fechados na China, com a viagem do presidente Lula, irão aumentar o nível de emprego em setores como mineração e frigoríficos, a partir do mês de julho. “Melhorando venda, principalmente minério, setor de frigoríficos. Nós diminuímos os estoques que ainda temos no Brasil, com isso precisamos de que as empresas contratem mais para produzir mais”, frisou o ministro.

Com a avaliação semelhante à de Lupi, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, disse na segunda-feira (18) que os últimos resultados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) – geração de 34.828 novas vagas em março e de 106.205 novos postos em abril – mostram que a melhora da economia deverá resultar em uma expansão do PIB em 1,6% no segundo trimestre na comparação com o primeiro. “É importante manter a queda da Selic, que tem espaço para baixar a 7% nominais até o final do ano, o que representaria uma economia de R$ 30 bilhões ao Tesouro nas despesas com juros”, argumentou Pochmann.

Ao rebater Meirelles, o ministro do Trabalho expôs a principal trava que impede a economia de deslanchar e ampliar ainda mais a geração de empregos: os juros alucinados do BC. E que, por isso mesmo, precisam ser reduzidos drasticamente.

Por VALDO ALBUQUERQUE.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.horadopovo.com.br.

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