Mais uma megaliquidação tucana por aí. O governo do Estado de São Paulo vai dar início na segunda, dia 8, ao processo de venda de 18 empresas públicas.
Para ajudar na tarefa de avaliar o preço de cada uma dessas empresas, o governador José Serra chamou algumas consultorias. Veja o nome delas: Citi, Merril Lynch e JP Morgan. Sinal de que, mais uma vez, o plano é entregar patrimônios públicos em áreas estratégicas como energia elétrica, saneamento básico e transporte público para grupos estrangeiros e assim colocar de novo os interesses nacionais de joelhos. Uma dessas consultorias será escolhida na próxima segunda. Ainda que não participem diretamente da futura compra, defenderão seus interesses de origem.
Para um projeto de desenvolvimento que promova distribuição de renda e valorização do trabalho é necessário preservar o papel do Estado em setores que alavancam o crescimento e garantem sua finalidade social. Nossas experiências recentes comprovaram isso.
No governo FHC, do qual Serra foi ministro do Planejamento (!) e da Saúde, grandes conglomerados nacionais foram vendidos a preços muito abaixo do que na verdade valiam, com a promessa de que a dívida pública cairia, que os gastos com seu pagamento diminuiriam e que sobraria dinheiro para investir em programas e políticas públicas e sociais. Cadê? Ninguém sabe, ninguém viu.
Segundo anunciado pelo governo Serra, estarão em oferta empresas como a Cesp, companhia de energia, o Metrô, o banco Nossa Caixa, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), essencial para o desenvolvimento de pesquisas que garantam mais autonomia e inserção de nosso Estado na concorrência internacional, e a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), extremamente importante para superarmos o desafio de levar água encanada e esgoto a todos os lares paulistas e ainda garantir a proteção e recuperação dos mananciais.
Com a venda da Nossa Caixa, perderíamos o principal agente estadual de fomento público. Sem a Cesp, correremos novamente o risco de ver os investimentos em produção e transmissão de energia diminuírem. Se o Metrô for parar nas mãos da iniciativa privada, as passagens fatalmente aumentarão em ritmo acelerado.
Todos sabem que a iniciativa privada visa o lucro acima de tudo. Se for uma transnacional, sem quaisquer tipos de ligação sanguínea com projetos brasileiros de futuro, pior ainda. Dá lucro imediato levar esgoto a comunidades carentes? Dá lucro imediato garantir passagens de preço compatível às necessidades dos assalariados? Dá lucro imediato estender redes aéreas de transmissão de energia para acender uma lâmpada dentro de uma casa humilde no meio do campo?
Citi, Merril Lynch e JP Morgan, se consultados em encontros reservados, certamente responderão que não, não dá lucro. E o conselho será: cortem este tipo de investimento ou, se quiserem fazê-lo, aumentem bastante as tarifas.
Esta é a lógica neoliberal no curto prazo. No longo prazo, tal opção resulta em mais desequilíbrios regionais, em piora das condições de vida nas periferias e na falta de projetos que alavanquem novas frentes de desenvolvimento, sejam regionais ou locais.
Por isso, a CUT vai fazer o possível para impedir essa megaliquidação. Nosso primeiro passo nessa nova rodada de enfrentamento às privatizações acontece na segunda, em frente à Secretaria de Estado da Fazenda, na capital paulista, em ato contra o início do processo. Nossa mobilização começa às 10h.
Por Artur Henrique, que é presidente da Central Única dos Trabalhadores, a CUT.
ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.cut.org.br.