O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai defender em conferência da Organização das Nações Unidas, em Roma, que os países ricos abram mão dos subsídios agrícolas para que o alimento volte a se tornar acessível, segundo afirmou nesta segunda-feira (2) em seu programa de rádio semanal “Café com o presidente”.
“É importante que a gente comece a estabelecer uma estratégia de melhorar a produção de alimentos, aumentar a produção, e, sobretudo, tirar subsídios na agricultura dos países mais ricos que tornam praticamente impossível do mundo pobre vender comida à Europa. Não tem incentivo para produzir. Se conseguirmos fazer isso, estaremos criando condições para que o alimento volte a se tornar acessível”, disse Lula.
A Conferência sobre a Segurança Alimentar Mundial, da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), começa na terça-feira (3) e vai ser um palco de discussão de soluções para a crise alimentar global causada pela alta dos alimentos.
O fim dos subsídios agrícolas em discussão na Rodada de Doha da Organização Mundial de Comércio é uma solução para Lula.
“Eu penso que chegou a hora de tomarmos atitudes. Uma das atitudes seria concluir o acordo da OMC (Organização Mundial do Comércio) na Rodada de Doha, que os países ricos abram mão dos subsídios agrícolas que dão aos seus agricultores, que os Estados Unidos diminuam os subsídios”, disse o presidente brasileiro.
Como resolução mais imediata para crise alimentar, Lula destacará a necessidade de reduzir os preços altos do petróleo. Ele vai relacionar que o combustível encarece os custos com transporte e fertilizante.
“Discutir, por exemplo, porque que o preço do petróleo pode implicar o aumento do custo do produto a partir do custo do transporte e a partir do custo da matéria prima que faz o fertilizante. Essas são coisas que muita gente não quer discutir, mas que nós queremos discutir, porque nós entendemos que temos que dar uma resposta imediata”, declarou Lula. O Fome Zero e o Bolsa Família vão ser lembrados por Lula em seu discurso na conferência. Ele vai argumentar que já alertou governantes sobre o problema da fome muito antes da preocupação se tornar consenso.
O diretor da FAO, Jacques Diouf, disse em entrevista divulgada nesta segunda-feira que os países ricos devem aumentar para cerca de US$ 30 bilhões a ajuda dada a países em desenvolvimento para diminuir os efeitos do aumento dos preços dos produtos alimentícios.
Diouf disse ainda que “a única maneira de sair da crise é aumentar a produção, em particular nos países pobres.”
Ontem, Lula afirmou que o Brasil não tem planos para desmatar áreas da Amazônia para fazer o plantio de cana-de-açúcar para a produção de etanol, em resposta a acusações feitas por ONGs estrangeiras. Ele afirmou que nenhum país ou instituição do mundo rico tem “autoridade moral” para questionar o país ambientalmente.
“Ninguém no mundo tem autoridade moral para falar na questão ambiental no Brasil, porque o Brasil ainda detém 69% da sua mata virgem em pé”, disse o presidente.
Com agências
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