Com aval da ANP, norte-americana “descobre” petróleo a apenas 40 Km do campo de Jubarte, onde a estatal iniciou a produção de petróleo leve
Depois da descoberta pela Petrobrás da mega província do pré-sal – que levou o presidente Lula a retirar da 9ª rodada de licitação da Agência Nacional de Petróleo 41 blocos da área do pré-sal -, a norte-americana Anadarko anunciou que “descobriu” óleo no pré-sal na bacia de Campos, na terça-feira (30). O poço chamado Wahoo fica a apenas 40 Km do campo de Jubarte (ES), onde a Petrobrás recentemente deu início à produção de 18 mil barris/dia de petróleo no pré-sal, numa cerimônia com a presença do presidente Lula.
Bastou a Petrobrás anunciar a data de entrada em operação da produção de petróleo em Jabarte, ainda em fase de teste, para a petroleira dos EUA direcionar para aquela área a sonda de perfuração de águas profundas Deepwater Millenium, da Transocean, que trouxe para o Brasil. E aí se fez o milagre: a Anadarko anunciou a “descoberta” de petróleo no pré-sal, em uma área mapeada pela Petrobrás há anos atrás.
O bloco onde a Anadarko assevera que “descobriu” petróleo no pré-sal foi arrematado há quatro anos. Até 9 de março de 2008 a grande aposta da petroleira norte-americana era o campo de Peregrino, na Bacia de Campos. “Peregrino é nossa maior descoberta desde a Argélia, nossa base para o crescimento de longo prazo no Brasil”, garantiu o diretor da empresa no país, Kurt McCaslin. Oito dias depois da descoberta da Petrobrás, a multinacional vendeu sua parte nesse campo para a norueguesa StatoilHydro. A Anadarko, na década de 80, perfurava no Golfo do México para a Amoco Corporation, que até 1985 tinha o nome de Standard Oil Company (Indiana), fundada pelo magnata John D. Rockefeller.
O lote, leiloado em 2004, na 6ª rodada, fazia parte dos chamados blocos azuis – áreas com alta probabilidade de petróleo, por estarem próximos a grandes reservas descobertas pela Petrobrás e que pertenciam à estatal. Depois que a Petrobrás investiu uma grande quantidade de recursos em pesquisas, a ANP simplesmente entregou-os para as companhias norte-americanas e outras corporações estrangeiras.
Além dos leilões de blocos petrolíferos, a nefasta lei 9.478/97 estabeleceu um prazo de três anos para a Petrobrás demonstrar sua capacidade de investir e dar prosseguimento aos trabalhos nos blocos que lhe pertenciam na Rodada Zero. No entanto, durante todo o governo Fernando Henrique, a estatal sofreu constante sabotagem, impedindo-a de desenvolver suas pesquisas nestes blocos. A lei diz que caberia à ANP avaliar “a capacitação financeira da Petrobrás” e “aprovar os blocos em que os trabalhos referidos neste artigo terão continuidade”. Passando por cima da sabotagem sofrida pela Petrobrás, a ANP tomou os blocos da empresa e os colocou em leilão na 6ª rodada.
Conforme denunciou à época Fernando Siqueira, diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), que para justificar a 6ª Rodada de Licitações a ANP chegou ao cúmulo de forjar um gráfico – totalmente defasado em relação ao gráfico de Planejamento Estratégico da Petrobrás – prevendo que a auto-suficiência seria atingida somente em 2008 e que esta seria perdida no ano seguinte. Tamanho “rigor” com os números foi repassado para o Ministério de Minas e Energia, apresentado em seminários, reuniões técnicas e também nas não técnicas: tudo para “demonstrar” a necessidade dos leilões.
Como é sabido, a auto-suficiência que a ANP dizia que iria ser alcançada este ano foi anunciada pelo presidente Lula em 21 de abril de 2006 e agora o que se discute não é nenhuma hipotética perda de auto-suficiência, mas como garantir que as fabulosas reservas de petróleo do pré-sal sejam propriedade da União e como utilizá-las para impulsionar o desenvolvimento do país e garantir o bem-estar do povo brasileiro. Inversamente, como impedir que verdadeiros assaltos ao nosso petróleo, como esse, continuem acontecendo.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.horadopovo.com.br.