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G-8 não deve continuar por muito tempo, diz pesquisador

Giorgio Romano Schutte acredita que formato atual deve ser ampliado e que não é mais possível sustentar a lógica da economia mundial em torno apenas do dólar

O grupo dos países mais ricos do mundo terá que se abrir às nações emergentes e às futuras potências. Para Giorgio Romano Schutte, membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP (Gacint), o G-8 “está totalmente na contramão das tendências estruturais da economia mundial. O G-20 vem numa trajetória de legitimar-se como cúpula presidencial exatamente por reconhecer as mudanças que estão acontecendo e que são a base do impacto da crise no mundo”.

O pesquisador aponta que é acertada a visão de que os emergentes não podem estar apenas na hora da “sobremesa” escutando o que o G-8 decidiu. Esta semana, os países mais ricos do mundo estiveram reunidos naquele que foi considerado o último encontro de integração de China, Índia, Brasil, África do Sul e México. De agora em diante, será cada vez mais difícil imaginar que esses países sejam excluídos das conversas.

Na cúpula atual, em L’Áquila, Itália, os emergentes trataram de barrar um acordo preliminar em torno da redução das emissões de gases. O G-8 havia acertado uma redução de 80% sobre os níveis de 1990 até 2050, desde que os emergentes fizessem um recuo de 50%, o que foi imediatamente rechaçado por China e Brasil.

Por outro lado, para Giorgio Romano Schutte, o G-20, reunindo países da União Europeia e 11 emergentes, enfrentará resistência para ser o novo fórum de discussão das questões globais. Há pelo menos dois motivos: a resistência de nações medianas do G-8, como a Itália, que teriam o poder dissolvido quando integradas a um grupo muito grande, e a própria dinâmica das discussões, que seria dificultada com muitas vozes em jogo. Por essa razão, decisões no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) para certos temas também estariam vetadas.
Bric e nova moeda

Estudos de diversas consultorias internacionais mostram que, até 2050, a economia de Brasil, Rússia, Índia e China (os chamados Bric) deve superar a soma dos países do G-7. Além disso, é impossível que qualquer acordo sobre mudança climática exclua China e Índia, duas das maiores emissoras de gases-estufa da atualidade. O Brasil e a Rússia são considerados potências regionais e, por isso, não podem ficar fora.

Para o pesquisador do Gacint, o próprio presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, admite que o país tem outro papel dentro de um novo pacto internacional. Ainda será uma potência, sem dúvida, mas dividindo os espaços e as discussões de maneira diferente.

Parte das mudanças passa pelo peso do dólar frente a outras moedas. Rússia, Brasil e China têm insistido na adoção de uma moeda global. Giorgio Romano Schutte aponta que qualquer alteração nesse sentido não será breve, mas que a colocação em discussão do assunto é um fato muito positivo.

Ele acredita que o caminho mais provável é uma transição usando os Direitos Especiais de Saque do Fundo Monetário Internacional. A ideia é ampliar essa cesta de moedas para contemplar o dólar, o euro, a libra, o ien japonês e o iuan chinês. Para o pesquisador, esse é o embrião de uma moeda global. “Não dá mais para sustentar a economia internacional em torno do dólar. Isso gerou toda uma lógica que permite aos Estados Unidos entrarem em um endividamento enorme e atraírem as reservas do mundo todo. Isso não reflete mais a real situação econômica do mundo”, afirma.

Como não há outra potência hegemônica neste momento, é impossível a transição do dólar para outra moeda. Além disso, não interessa à China a desvalorização da moeda estadunidense, uma vez que as enormes reservas internacionais do país asiático, US$ 2 trilhões, estão na maioria atreladas a títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Para Giorgio Romano Schutte, será preciso que chineses – e brasileiros – diversifiquem aos poucos o destino de suas reservas internacionais para que depois se realize um pacto pela adoção de uma moeda global.

Por João Peres.

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Lula defende liderança do G-20

Presidente também disse que discussão sobre ambiente deve ser resolvida no próximo encontro da ONU, em dezembro

Brasília – Após participar da reunião do G8, grupo que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a manutenção do G20, que é formado pelas maiores economias do mundo.

“É preciso que haja manutenção do G20 até concluirmos toda essa discussão de economia. Se tivesse que escolher entre o G14 e o G20 eu escolheria o G20”, afirmou nesta sexta-feira (10) em coletiva à imprensa antes de partir de LÁquila, na Itália. O G14 a que Lula se referiu seria formado pela integração entre o G8 e o G5 e também o Egito.

O presidente disse que ao final da reunião ainda restam divergências sobre a liberação gases de efeito estufa que, no entanto, devem ser resolvidas até o próximo encontro da Organização das Nações Unidas (ONU) para tratar do clima a ser realizada em dezembro.

“Temos um pouco de divergências por que achamos que é preciso combinar aqueles que fazem pagamento pelo sequestro de carbono com a diminuição das emissões. Se ficar apenas no pagamento pelo sequestro os países ricos, como tem dinheiro, vão continuar emitindo gás de efeito estufa e pagar para os outros sequestrarem”.

Ao avaliar os discursos dos presidentes que participaram da reunião do G8, Lula disse que é possível perceber que o pior da crise já passou. “Penso que todos estão convencidos de que a partir do próximo ano vão estar numa fase de crescimento”, afirmou.

Fonte: Reuters

Por Yara Aquino.

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Ricos estão se dando conta da importância dos emergentes, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista ao final da cúpula do G8 em Áquila, na Itália, que os países ricos estão se dando conta de que não é mais possível discutir os grandes problemas do mundo sem levar em conta a posição de países emergentes, como Brasil, China ou Índia.

Lula participou como convidado da cúpula do G8, o grupo das nações mais industrializadas do planeta, que terminou nesta sexta-feira.

O Brasil faz parte do grupo chamado G5 de países emergentes, ao lado de China, Índia, África do Sul e México, e que vem sendo convidado para as cúpulas anuais do G8 desde 2005.

Segundo ele, essa importância ficou clara em declarações de líderes de países desenvolvidos, como o presidente da França, Nicolas Sarkozy, ou do próprio anfitrião da cúpula de Áquila, o premiê italiano Silvio Berlusconi, defendendo a ampliação do G8 para a incorporação dos países emergentes.

Mas Lula disse preferir apostar no fortalecimento do G20, grupo das 20 principais economias e que foi o fórum escolhido para as principais discussões sobre a crise econômica internacional.

O G20 deve realizar em setembro, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, uma nova reunião de cúpula, seis meses após a cúpula de Londres, em abril, que decidiu promover uma série de reformas no sistema financeiro internacional como medidas de combate à crise.

“Os grupos podem contuinuar se reunindo. Mas é preciso fortalecer o G20, porque em setembro vamos ter uma reunião muito importante, para verificar se as coisas estão de acordo com o que foi decidido em Londres”, disse Lula.

Grupo amplo

Segundo o presidente, um grupo mais amplo como o G20 tem mais chances de sucesso em seus objetivos. “Quanto mais países participarem, mais a gente tem chance de evitar os erros nas nossas decisões”, disse o presidente.

Apesar disso, Lula fez um balanço positivo das discussões nos três dias da cúpula do G8 em Áquila, com a participação do Brasil em discussões de temas importantes como o combate à fome, a ajuda a países pobres, questões econômicas e o combate ao aquecimento global.

As discussões sobre clima durante o G8, que tinham como objetivo um acordo preparatório para a conferência da ONU em dezembro que tentará fechar o acordo pós-Kyoto de combate ao aquecimento, foi um dos principais exemplos da influência que os países em desenvolvimento tiveram sobre os documentos finais da cúpula.

Na quarta-feira, o G8 havia proposto uma meta de redução de 80% das emissões de gases do efeito estufa dos países ricos em 2050, desde que o mundo como um todo fizesse uma redução de 50%.

Mas a discordância dos países emergentes, que exigem uma meta intermediária de 40% de redução das emissões dos países ricos até 2020, impediu um acordo amplo sobre o tema.

O documento final da cúpula acabou citando apenas o único ponto em comum entre os dois grupos, que é a necessidade de evitar um aumento das temperaturas médias do planeta superiores a 2 graus em relação à era pré-industrial, ponto considerado crítico após o qual as consequencias do aquecimento seriam imprevisíveis, de acordo com a ONU.

Economia

Lula disse ainda ter percebido entre os líderes presentes na cúpula de Áquila um otimismo sobre a recuperação da economia mundial.

“Se analisarmos pelo discurso que todos fizeram, acho que o pior já passou na maioria dos países”, disse.

Segundo ele, “o otimismo dos países é muito importante” num momento em que muitas nações desenvolvidas vem sofrendo quedas acentuadas em suas economias.

Ainda assim, ele advertiu que mesmo com a recuperação da economia mundial, a situação não voltará ao que era no período pré-crise.

“Tivemos aqui o discurso sincero do Obama, que diz que os americanos vão ter que se acostumar com o fato de que não vão mais poder ter o padrão de consumo que tinham antes. É preciso que eles maneirem”, disse.

Em uma declaração divulgada na quarta-feira, os líderes do G8 disseram ver sinais de estabilização da economia global nas últimas semanas, mas advertiram de que ainda é cedo para abandonar as políticas de estímulo à recuperação econômica.

Por Rogerio Wassermann – Enviado especial da BBC Brasil a Áquila.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bbcbrasil.com.br.

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