CUT se reúne com o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central
Representantes do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) foram recebidos nesta sexta-feira, na sede da CUT, em São Paulo, por Artur Henrique, presidente da entidade; Quintino Severo, secretário geral, e Jacy Afonso, secretário de Organização.
Um dos principais temas do debate foi o fortalecimento da organização sindical, conforme declarou Paulo Eduardo de Freitas, da coordenação do Sinal, sublinhando que esta é uma das principais preocupações da categoria, que também luta para ver regulamentada a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) – que estabelece a negociação coletiva no serviço público.
Outro ponto, exposto pelo Sinal é a questão do disciplinamento dos fluxos de capital, já que a alavancagem dos bancos norte-americanos, sem qualquer correspondência com a realidade, foi um dos grandes motores da crise internacional. “O Estado precisa colocar freio no processo de acumulação do capital, atuar para garantir uma ação mais equilibrada. Como ficou evidenciado pelos acontecimentos, a autorregulação não funciona, nem confiar em recomendações como as de Basiléia, que não são cumpridas e depois têm de ser pagas pelo conjunto da sociedade”, acrescentou Paulo Eduardo.
CONTROLE SOCIAL – Artur Henrique destacou que o debate da crise trouxe para a pauta, “junto com a necessidade do fortalecimento do papel do Estado, do mercado interno e de um sistema de proteção social, a importância da regulamentação do sistema financeiro e de um maior controle social”. “O papel dos bancos públicos também precisa ser destacado, como instrumento de desenvolvimento”, destacou. O presidente cutista lembrou que participará nos próximos dias de um debate na Rússia e que esteve recentemente nos Estados Unidos, pois todos querem saber da experiência brasileira, “apesar das nossas evidentes limitações”. “Está ficando cada vez mais claro que é estratégico dispormos de organismos de controle do sistema financeiro. Sem instrumentos não temos como construir propostas para a construção de um modelo de desenvolvimento inclusivo, com geração de emprego e distribuição de renda”, enfatizou Artur.
Eduardo Stalin, diretor de Estudos Técnicos do Sinal, informou que a regulamentação do artigo 192 da Constituição também é uma das prioridades da entidade, que traz princípios bastante avançados como a de que o Sistema Financeiro nacional estará à disposição do desenvolvimento da nação, estabelecendo também direitos para o consumidor, já que o banco lida com o dinheiro que é da sociedade.
Presente ao encontro, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro da CUT (Contraf), Carlos Cordeiro, saudou a iniciativa do Sinal e defendeu o lançamento de uma cartilha conjunta sobre os direitos do consumidor, possibilitando que o conjunto da categoria tenha uma visão para além do meramente corporativo, incorporando como sua a bandeira da regulamentação do artigo 192.
Também representando o Sinal-SP, Iso Sendacz disse que cresce entre a direção da entidade a percepção de que a ação das centrais sindicais têm contribuído para garantir importantes avanços para o conjunto da classe trabalhadora, como a política de valorização do salário mínimo e, mais recentemente, a luta pela redução da jornada, “o que facilita a luta dos servidores das carreiras como as do Banco Central”.
Diante disso, frisou Eduardo Stálin, o Sinal estará realizando no próximo dia 26 de novembro, no Banco Central, em Brasília, um debate com as centrais sindicais. “Nossa presença aqui também é para reafirmar este convite à CUT”, disse.
O secretário de Organização da CUT Nacional, Jacy Afonso, lembrou que a partir do mecanismo de reconhecimento das centrais sindicais, que também estabelece uma cláusula de barreira de representatividade, muitas entidades, como o Sinal, estão avaliando a possibilidade de se somarem a uma central. “Este é um ponto positivo, que aponta para uma maior organização da classe, o que vai contra a cultura de dispersão e desqualificação que a grande imprensa tenta nos impor”, frisou Jacy Afonso.
Para o secretário geral da Contraf/CUT, Marcel Barros, o encontro serviu para aproximar as entidades e estabelecer pontos comuns que repercutirão favoravelmente em defesa de um projeto de desenvolvimento com valorização da produção e não da especulação.
Membro da executiva nacional da CUT e da Coordenação dos Servidores Públicos, Pedro Armengol lembrou que as chamadas carreiras típicas do Estado não existirão sem Estado e sublinhou a relevância de todos somarem forças para institucionalizar o direito a negociar.
Por Leonardo Severo.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.