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Seminário Internacional apresenta pesquisa sobre as relações entre China e América Latina

Debater as relações econômicas e geopolíticas recentes entre a China e os países da América Latina foi o tema do primeiro dia do Seminário “A presença econômica chinesa na América Latina e as conseqüências para o mundo do trabalho”. O evento é uma iniciativa da RedLat (Rede Latinoamericana da Pesquisas em Empresas Multinacionais) e foi organizado pelo Instituto Observatório Social, responsável pela secretaria operativa da rede.

Também foram apresentados os primeiros resultados da pesquisa “Oportunidades e ameaças da ascensão global da China para os trabalhadores latino-americanos”, estudo coordenado pelo Observatório Social com o apoio da FNV Mondiaal, central sindical holandesa com longo histórico de parceria com o Observatório.

Os movimentos sociais latinoamericanos, mais uma vez, iniciaram tardiamente o debate e a mobilização sobre um tema que muda o perfil das relações econômicas entre países. Até muito pouco tempo o “fenômeno China” estava restrito a círculos acadêmicos, governos e empresas. Só agora os sindicatos e as ONGs da região começam a refletir sobre como atuar diante do impacto representado pela ascensão chinesa no cenário econômico. “Tarde demais, mas antes tarde do que nunca”, segundo o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e assessor da presidência do BNDES, o economista Antonio Barros de Castro.

Mobilização

Para o presidente do Instituto Observatório Social e diretor executivo da CUT, Aparecido Donizeti da Silva, o seminário busca a criação de grupos de trabalho que estudem e tirem conclusões sobre esse assunto. “Respeitando a diversidade de cada país, temos que tirar uma agenda de mobilização. No caso no Brasil, precisamos definir como cada ramo de atividade deve agir frente à atuação chinesa.”

O embaixador da China no Brasil, Qui Xiaoqui, em espanhol fluente, leu um documento com a visão chinesa sobre o mercado latino-americano: “Temos uma complementaridade de interesses, com foco nas matérias primas e nos investimentos a elas associados. A China se converteu na 2ª parceira comercial da América Latina, com investimento que chegam a 150 bilhões de dólares em 2008. Estamos dispostos a consolidar isso estreitando os laços de cooperação”. Como de praxe, o embaixador não tocou em temas sensíveis, como a exploração abusiva da mão de obra e o desrespeito aos Direitos Humanos, freqüentes no país. Em seu discurso, o embaixador sequer citou a palavra “trabalhadores”.

Para o representante do BNDES, Elvio Gaspar, o estudo sobre a influência chinesa na América Latina tem uma relevância muito importante. “Precisamos fazer política para o trabalhador, construindo relações que visem o acesso ao consumo, ao trabalho, a inclusão social, aos serviços públicos.”

A assessora política da FNV, Andriette Nommensen, relatou que a instituição apoia vários projetos que subsidiam a luta contra as mais variadas formas de precarização do trabalho. “Por exemplo: se há exploração de trabalhadores holandeses em alguma instituição brasileira, a CUT nos informa e intervimos rapidamente. Na China é diferente porque não temos um parceiro natural e o movimento sindical muitas vezes é subordinado ao governo. Seria muito importante que tivéssemos representantes dos trabalhadores na China.”

O diretor executivo da CUT, Adeilson Telles, considera que o século XXI aparece como um desafio para o movimento sindical. “É necessário criar novos paradigmas, oposto do modelo dos séculos passados. Resta a nós, forçar e lutar para que os dois países não repitam o modelo mundial atual de desenvolvimento econômico, com base no capitalismo e na globalização.”

O final dos debates pela manhã foi reservado para o primeiro painel do dia, sobre a ascensão chinesa e o novo cenário internacional. Presente a mesa, o professor da Universidade Colégio de México, Romer Cornejo, lembrou que há 200 anos a China era a nação mais rica, mas que no século 19, pela invasão de várias nações, tornou-se instável politicamente, com atraso cientifico e tecnológico.

“A China nunca renunciou este espaço hierárquico no mundo. Sendo a maior concentração de massa no mundo, com a mesma língua, com um discurso nacionalista, o país conseguiu retomar a sua posição entre as maiores potências”, descreve Cornejo.

O professor Antonio Barros de Castro disse que graças a política econômica de baixo preço adotada pela China teremos a criação de uma nova classe média, com um maior poder aquisitivo. “Supõe-se que entre 2020 e 2030, dois bilhões de habitantes entrem nessa nova classe média.”

Para ele, o mundo passa por profundas mudanças que precisam vir acompanhadas com políticas públicas a longo prazo. “No Brasil já existem algumas políticas neste sentido, como por exemplo, a reconstrução do sistema elétrico.”

Relações comerciais

No período da tarde foram apresentados os estudos envolvendo a África e a América Latina. No primeiro painel, a representante do Labour & Economic Development Research Institute of Zimbaue (LEDRIZ), Naome Chakanya, apresentou a pesquisa “Chinese Investments in África”, feita pela entidade com apoio da FNV. O resultado final mostrou que para os trabalhadores africanos, a inserção chinesa no continente trouxe conseqüências negativas.

A pesquisa “Oportunidades e ameaças da ascensão global da China para os trabalhadores latino-americanos”, foi apresentada pelo professor da Universidade de São Paulo, Alexandre de Freitas Barbosa.

O estudo passou por algumas fases, desde a receptação de fatos econômicos até o estudo setoriais dos oito países membros (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru e Uruguai). Com estes subsídios poderá ser feita a socialização e construção de estratégias sindicais por meio de reuniões nacionais para compartilhar os resultados de projeto com sindicalistas, sociedade civil e representantes do governo.

“O que está em jogo é a articulação de uma agenda latino-americana de desenvolvimento com soberania, geração de emprego e inclusão social”, conta Alexandre.

Todos os estudos estarão disponíveis no site da RedLat e do Instituto Observatório Social.

Por William Pedreira e Marques Casara.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.observatoriosocial.org.br.

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