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Com pedidos para retornar em 2014, a presidenta Michelle Bachelet encerra seu governo no Chile

Santiago (Chile) – Nos últimos dias de seu governo, a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet enfrentou o maior desafio dos quatro anos de gestão: administrar os efeitos do pior terremoto ocorrido desde 1960 no país. Apesar da tragédia, a primeira mulher presidente da América Latina foi avaliada com 84% de aprovação popular e com pedidos para disputar as eleições em 2014. Sob aplausos, Bachelet encerrou ontem (11) seu mandato.

“Estou aqui pela [ex-] presidente Bachelet que admiro e desejo muita sorte. Quero que ela volte para o Palácio de La Moneda [a sede do governo] em 2014”, afirmou a dona de casa Isabel Rubio, que segurava uma fotografia da ex-presidente e uma flor. “Esta rosa vermelha é o símbolo de Bachelet.”

Para outra dona de casa, Neli Fuentes, Bachelet foi um exemplo a ser seguido por outros políticos no Chile. “Ela [Bachelet] fez muito por todos nós e quero muito que volte a ser nossa presidente”, disse ela, que acompanhou a cerimônia de transmissão de cargo do lado de fora do prédio do Congresso Nacional, na cidade de Valparaiso, a 120 quilômetros de Santiago, a capital.

Antes dos tremores de terra e tsunamis, a ex-presidente havia confirmado que pretendia concorrer às eleições em 2014. Mas depois da catástrofe, evitou comentar o assunto. Na quarta-feira (10), Bachelet afirmou apenas que assumiu a missão de trabalhar pelas pessoas que necessitam de sua ajuda. Não entrou em detalhes sobre como seria esse trabalho.

À frente do governo do Chile, Bachelet se concentrou em duas frentes – executar políticas sociais e ampliar as relações econômicas com os parceiros mais próximos. Até então, a tradição chilena era de estreitar as relações com os europeus e norte-americanos.

Sem dívida externa, o Chile é credor líquido e ainda responsável pela maior reserva mundial de cobre, detendo 40% da produção. Consciente do poder de seu país, Bachelet buscou consolidar externamente a imagem do Chile e ampliar oportunidades de comércio. O Brasil é um dos principais parceiros dos chilenos, ocupando o oitavo lugar geral e o primeiro na América Latina.

Em 2005, a eleição de Bachelet foi um marco para o Chile, cuja memória histórica registra 17 anos de uma das ditaduras mais violentas da América Latina. O general Augusto Pinochet – morto em 2006 – é acusado pelo desaparecimento de cerca de 3 mil pessoas. O pai de Bachelet foi uma das vítimas da ditadura. Militar e assessor do ex-presidente Salvador Allende, ele não resistiu às pressões do regime autoritário e morreu.

Mãe de três filhos e separada, Bachelet representou a renovação em uma sociedade conservadora e com resistências à discussão de vários temas, como a legalização da união civil entre pessoas do mesmo sexo, o chamado aborto terapêutico e mudanças na Lei de Anistia.

Por Renata Giraldi – Enviada Especial.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.

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