Termina hoje o prazo para entrega de propostas (“non-bidding offer”) para a aquisição do Lloyds Bank no Brasil. No processo, capitaneado pelo JP Morgan, a atual fase funciona como uma espécie de pré-qualificação, sem efeito de definição do valor a ser pago pela instituição. O Lloyds está há 140 anos no Brasil e controla a financeira Losango, o ativo que mais interessa aos compradores. Seis bancos mostraram interesse no negócio.
A expectativa é de que os escolhidos para disputar a segunda fase do processo sejam informados de sua pré-qualificação dentro de uma a duas semanas. Eles serão avisados individualmente e não saberão quem mais estará na disputa. Terão um mês para analisar o “data room” (sala de informações) do Lloyds e só então farão uma proposta final pelo banco, incluindo a tesouraria, a área “corporate” (centrada em pequenas e médias empresas) e a Losango, uma das maiores no ranking de crédito direto ao consumidor, com 15 mil lojas ativas, 14 milhões de clientes e uma carteira de empréstimos de R$ 2 bilhões. Só se esse modelo não for bem-sucedido é que o Lloyds admitiria fatiar o banco no Brasil e vender separadamente a Losango.
Os bancos que mostraram interesse no processo de venda do Lloyds são o Bradesco, Itaú, Unibanco, ABN AMRO, Citibank e BNP Paribas, segundo o Valor apurou. O HSBC, que no passado teve conversas firmes com o Lloyds e que recentemente adquiriu a gigante de crédito Household, nos Estados Unidos, desta vez não chegou a analisar o dossiê de venda, segundo fonte que participa das negociações.
Já o BNP Paribas analisou o dossiê, mas desistiu de fazer proposta de compra. O Valor apurou que a configuração atual da modelagem de venda não interessa ao banco francês, que, assim como o HSBC no passado, queria apenas a Losango. Se uma eventual segunda rodada desmembrar as operações do Lloyds para negociação, o BNP Paribas se candidataria a ver os números específicos da Losango. O banco tem há seis anos no Brasil a financeira Cetelem, que é uma das maiores da França, mas muito acanhada por aqui.
A expectativa é de que a disputa fique concentrada entre Itaú e Bradesco. Para o Itaú, seria uma maneira de pular rapidamente para a liderança no ranking de crédito ao consumidor. Hoje, com a Fináustria, especializada em veículos, o banco tem uma atuação tímida na área se comparado ao Bradesco e ao Unibanco. Para o Bradesco, além de disparar no ranking, a aquisição tem outra motivação: impedir o avanço do rival Itaú. O Unibanco também tem interesse no negócio, mas seu poder de fogo é menor. “Nos negócios recentes, eles fizeram propostas para pagar as aquisições com ações do banco ou com títulos de longo prazo. Mas o Lloyds já deixou claro que quer “cash” (dinheiro) e não tem interesse em manter investimentos no Brasil”, explicou a fonte. A grande incógnita é o ABN, que controla a financeira Aymoré e recentemente comprou o Sudameris, mostrando que tem apetite em crescer no Brasil.
Os bancos interessados no Lloyds também estão considerando outra questão para fechar suas propostas. Tão logo o Lloyds seja vendido, o banco de investimentos Morgan Stanley deve dar início ao processo de venda de um outro grande banco estrangeiro no Brasil. Se forem com muita sede ao pote agora, podem ficar sem fôlego para a próxima batalha.
Raquel Balarin e Maria Christina Carvalho, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 25 de julho de 2003• 09:25• Sem categoria
BANCOS TÊM ATÉ HOJE PARA FAZER AS PROPOSTAS PARA COMPRA DO LLOYDS
Termina hoje o prazo para entrega de propostas (“non-bidding offer”) para a aquisição do Lloyds Bank no Brasil. No processo, capitaneado pelo JP Morgan, a atual fase funciona como uma espécie de pré-qualificação, sem efeito de definição do valor a ser pago pela instituição. O Lloyds está há 140 anos no Brasil e controla a financeira Losango, o ativo que mais interessa aos compradores. Seis bancos mostraram interesse no negócio.
A expectativa é de que os escolhidos para disputar a segunda fase do processo sejam informados de sua pré-qualificação dentro de uma a duas semanas. Eles serão avisados individualmente e não saberão quem mais estará na disputa. Terão um mês para analisar o “data room” (sala de informações) do Lloyds e só então farão uma proposta final pelo banco, incluindo a tesouraria, a área “corporate” (centrada em pequenas e médias empresas) e a Losango, uma das maiores no ranking de crédito direto ao consumidor, com 15 mil lojas ativas, 14 milhões de clientes e uma carteira de empréstimos de R$ 2 bilhões. Só se esse modelo não for bem-sucedido é que o Lloyds admitiria fatiar o banco no Brasil e vender separadamente a Losango.
Os bancos que mostraram interesse no processo de venda do Lloyds são o Bradesco, Itaú, Unibanco, ABN AMRO, Citibank e BNP Paribas, segundo o Valor apurou. O HSBC, que no passado teve conversas firmes com o Lloyds e que recentemente adquiriu a gigante de crédito Household, nos Estados Unidos, desta vez não chegou a analisar o dossiê de venda, segundo fonte que participa das negociações.
Já o BNP Paribas analisou o dossiê, mas desistiu de fazer proposta de compra. O Valor apurou que a configuração atual da modelagem de venda não interessa ao banco francês, que, assim como o HSBC no passado, queria apenas a Losango. Se uma eventual segunda rodada desmembrar as operações do Lloyds para negociação, o BNP Paribas se candidataria a ver os números específicos da Losango. O banco tem há seis anos no Brasil a financeira Cetelem, que é uma das maiores da França, mas muito acanhada por aqui.
A expectativa é de que a disputa fique concentrada entre Itaú e Bradesco. Para o Itaú, seria uma maneira de pular rapidamente para a liderança no ranking de crédito ao consumidor. Hoje, com a Fináustria, especializada em veículos, o banco tem uma atuação tímida na área se comparado ao Bradesco e ao Unibanco. Para o Bradesco, além de disparar no ranking, a aquisição tem outra motivação: impedir o avanço do rival Itaú. O Unibanco também tem interesse no negócio, mas seu poder de fogo é menor. “Nos negócios recentes, eles fizeram propostas para pagar as aquisições com ações do banco ou com títulos de longo prazo. Mas o Lloyds já deixou claro que quer “cash” (dinheiro) e não tem interesse em manter investimentos no Brasil”, explicou a fonte. A grande incógnita é o ABN, que controla a financeira Aymoré e recentemente comprou o Sudameris, mostrando que tem apetite em crescer no Brasil.
Os bancos interessados no Lloyds também estão considerando outra questão para fechar suas propostas. Tão logo o Lloyds seja vendido, o banco de investimentos Morgan Stanley deve dar início ao processo de venda de um outro grande banco estrangeiro no Brasil. Se forem com muita sede ao pote agora, podem ficar sem fôlego para a próxima batalha.
Raquel Balarin e Maria Christina Carvalho, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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