Fortalecer a intervenção da Central nos espaços de negociação é fundamental para a construção de uma agenda propositiva que resulte em novas conquistas
Escrito por: CUT Nacional
A Secretaria de Relações de Trabalho da CUT tem um papel importante na articulação de temas centrais para o mundo do trabalho. A Secretaria é responsável pela extensa pauta das relações de trabalho, seja na negociação coletiva e composição dos conflitos, seja na articulação pela aprovação ou retirada de projetos de lei, ou ainda na atuação em espaços institucionais de diálogo e elaboração de propostas.Este conjunto de temas e ações deve ser também a base para a atuação dos sindicatos cutistas na negociação com os empregadores e gestores, na luta pela ampliação de direitos e pela elevação do patamar do conteúdo das convenções e acordos coletivos.
Os desafios da CUT no que tange as relações de trabalho são imensos. A pressão por flexibilização das relações de trabalho, como saída para aumentar a competitividade, exige da CUT um posicionamento firme na defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e a construção de uma agenda sindical propositiva para a disputa por novas conquistas.
Diante disto, é fundamental fortalecer a intervenção da Central nos espaços de negociação das relações do trabalho.
I Conferência Nacional de Emprego e Trabalho Decente
No período de 08 a 11 de agosto, em Brasília, foi realizada a Conferência do Trabalho Decente. A CUT teve papel determinante para a construção da Conferência, desde a construção do texto base, realização das conferencias regionais e estaduais até a etapa Nacional.
A SRT, além de interlocutora com o governo na construção desta agenda, foi responsável por articular o conjunto de Secretarias da CUT e ramos na construção de propostas e qualificação da nossa intervenção, além de levar este tema para o centro do debate da ação sindical dos sindicatos. A militância cutista, a partir da orientação da Central, assumiu papel de protagonista em todo o processo de organização das conferências estaduais garantindo que 42% da delegação eleita pelos trabalhadores/as para a conferência nacional fosse CUTista.
Realizamos oficinas preparatórias com nossos delegados para as intervenções e a defesa das nossas propostas. Garantimos uma forte presença CUTista em todos os grupos temáticos e nas plenárias onde as propostas foram debatidas.
Desconsiderando todo o esforço de construção coletiva e busca de consenso que marcou o processo de preparação da Conferência, a bancada patronal boicotou os trabalhos e se retirou da plenária final, demonstrando falta de disposição política para uma construção tripartite de avanços nas relações de trabalho no Brasil.

Ações contra a TerceirizaçãoA disputa por uma regulamentação da Terceirização que acabe com a precarização das relações de trabalho que decorre do que vem sendo praticado nas últimas décadas no Brasil tem mobilizado o movimento sindical e entidades da sociedade civil.
Em 2011, foi criada na Câmara Federal uma Comissão Especial de Estudos sobre a Terceirização, a SRT acompanhou os debates da Comissão e atou frente a ela para denunciar um falso acordo com as centrais sindicais sobre o substitutivo ao PL 4330/2004. O substitutivo foi aprovado na comissão, mas a bancada do PT, PCdoB e PSB votaram contra, fato que enfraqueceu tal PL e obrigou a bancada patronal a buscar um acordo na Comissão de Constituição e Justiça, onde o mesmo está tramitando. A ação da CUT foi efetiva em desmascarar o falso acordo e mobilizar a bancada destes partidos contra o PL 4330/2004 e garantia das premissas apontadas no PL 1621/07.
Paralelamente, a SRT mobilizou os ramos participantes do GT da CUT sobre Terceirização para participar da Audiência Pública do TST, evidenciando ao Tribunal Superior do Trabalho como a terceirização inegavelmente produz precarização do trabalho. A participação da CUT foi de tal importância para a audiência, que resultou na constituição de um Fórum em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização. Reúnem-se neste fórum pesquisadores e acadêmicos, diferentes setores do sindicalismo brasileiro, procuradores do Ministério Público do Trabalho, juízes trabalhistas e operadores do direito.
No último período, a secretária de Relações do Trabalho, o presidente da CUT e membros do GT representaram a Central em audiências públicas no Senado e na Câmara debatendo o tema da Terceirização e alertando para os riscos da aprovação do substitutivo ao PL 4330 na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
A Direção Nacional, reunida em Brasília em agosto, aprovou um conjunto de ações para impedir a aprovação do projeto, garantindo visibilidade ao debate no Dia Nacional de Mobilização realizado em Brasília e indicando a realização de audiências com o presidente da CCJ, deputado Ricardo Berzoini, com o ministro do TST, João Orestes Dalazen.
O CRT e os Espaços de Diálogo
A SRT vem pautando a necessidade de se consolidar o Conselho de Relações de Trabalho – CRT como um espaço determinante para garantirmos avanços nas relações de trabalho no país.
O Ministro do Trabalho, Brizola Neto, assumiu um compromisso público para colocar fim à “fábrica de sindicatos” e levou para o CRT o desafio de atualização da Portaria 186 e de construção de uma nova tabela de categorias para orientar a concessão do registro sindical.
Realizamos consulta às Entidades Nacionais da CUT e enviamos nossas propostas para a alteração da Portaria 186. Estas propostas foram consolidadas e a assessoria jurídica formatou uma Minuta com as sugestões da CUT, que foi enviado ao Ministério. Sobre a construção de uma nova Tabela de Categorias, realizamos uma oficina e solicitamos aos Ramos que nos enviassem suas propostas. Os dois temas são extremamente delicados e aguardam encaminhamentos do Ministério
Convenção 151-Direito de Organização e Negociação dos Servidores
Outro ponto importante foram as ações desenvolvidas pela ratificação da Convenção 151- que trata do direito de organização e negociação coletiva no serviço público. A convenção foi ratificada em março de 2010, mas ainda falta a sua regulamentação.
No último período, após a greve dos servidores e diante de uma ameaça de regulamentação da lei de greve via projeto da Advocacia Geral da União, as Centrais Sindicais se reuniram e chegaram a um consenso sobre a proposta final.
Esta proposta final foi encaminhada à Secretaria Geral da Presidência e aguarda a constituição de um grupo institucional formado pela Casa Civil, Ministério do Planejamento, Ministério do Trabalho, AGU e as Centrais Sindicais que deverá encaminhar a proposta de regulamentação da Convenção 151.
Mesa Nacional Permanente para o Aperfeiçoamento das Condições de Trabalho na Indústria da Construção
Em parceria com a Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira (CONTICOM) da CUT, a SRT participou ativamente da negociação que resultou no Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Indústria da Construção realizada na Mesa Nacional de Negociação.
A Mesa Nacional da Construção monitora a aplicação do compromisso e trata possíveis conflitos. A CUT compõe a mesa através da SRT e CONTICOM. Atualmente, estão em atividade três grupos de trabalho: um grupo responsável pela construção de indicadores que permitam avaliar os impactos da implantação do compromisso, um grupo de trabalho da construção pesada e outro responsável pela construção civil.
Coordenação Sistêmica de Relações de Trabalho do Plano Brasil Maior
Lançado no final de 2011, o Plano interministerial Brasil Maior criou uma estrutura onde funcionam 18 Conselhos de Competitividade Setorial e Coordenações Sistêmicas para tratar dos temas fundamentais que compõem uma política industrial: Investimentos, Comércio Exterior, Inovação, Formação e Qualificação Profissional, Produção Sustentável, Competitividade de Pequenos Negócios, Ações Especiais de Desenvolvimento Regional, Bem Estar do Consumidor e Condições e Relações de Trabalho. Essa Coordenação foi criada por demanda apresentada pela CUT ao MDIC quando o Plano foi apresentado em um seminário da Central.
A secretária de relações de trabalho, Graça Costa e o presidente da CNM/CUT, Paulo Cayres, são os representantes da CUT nessa Coordenação Sistêmica.
Notícia colhida no sítio http://www.cut.org.br/destaques/22816/pressao-por-flexibilizacao-das-relacoes-de-trabalho-exige-posicionamento-firme-da-cut