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Seminário discute recuperação de documentos que retratam luta dos trabalhadores

Paulo Virgilio
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Arquivo Nacional, na capital fluminense, sedia até sexta-feira (20) a terceira edição do Seminário Internacional o Mundo dos Trabalhadores e seus Arquivos, evento bienal promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pelo Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil (1964-1985) – Memórias Reveladas. O seminário reúne conferencistas nacionais e estrangeiros e tem como missão promover debates e reflexões sobre a documentação reunida pelos arquivos operários, rurais, sindicais e populares, além de discutir as particularidades que envolvem o tratamento desses acervos.

O Direito à Memória e à Verdade é o tema desta terceira edição, que discute, em especial, os esforços de recuperação da trajetória dos trabalhadores durante a ditadura militar no Brasil. A militância, a organização sindical e a repressão, as formas de resistência e de superação daquele período estão sendo abordadas desde ontem (19) em mesas redondas, conferências e exibição de vídeos.

De acordo com Vicente Rodrigues, assessor de coordenação do Centro de Referência das Lutas Políticas do Brasil, há muito o que se fazer sobre esse tema, e não só no que abrange o período da ditadura, mas antes e depois. “Os acervos que estão sob guarda das entidades federais, estaduais e municipais formam uma documentação enorme. Se nós somarmos a isso os acervos privados, e entre esses, nós podemos dividir entre aqueles que são patronais e os que são das organizações de trabalhadores, a massa documental é ainda maior”, disse.

Uma das preocupações do projeto Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional, é quanto à destruição de documentos referentes aos trabalhadores, em especial os da Justiça do Trabalho. “Há um exemplo clássico dessa destruição, o de um processo referente a um acidente de trabalho sofrido por um operário que trabalhava em uma metalúrgica do ABC Paulista. Esse operário teve um dedo esmagado por uma prensa. Posteriormente ele se tornou presidente da República”, conta Vicente Rodrigues, a respeito do processo do acidente que vitimou, na década de 1960, o então metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva.

Além de especialistas brasileiros na organização e preservação de arquivos, o seminário conta com palestrantes do Uruguai, da Argentina, do México e da Itália. “É interessante trazer para o Brasil a experiência de outros países, não só da América Latina mas também da Europa, onde essa discussão também existe, ou seja, a necessidade de recuperar a história dos trabalhadores”, disse.

O seminário é dirigido a profissionais com atuação na área de arquivos e centros de documentação de organizações de trabalhadores e dos movimentos sociais, a dirigentes e militantes sindicais e a profissionais de arquivos públicos e privados. As discussões também interessam a historiadores, cientistas políticos e sociais, bibliotecários e estudantes.

Edição: Aécio Amado

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Notícia colhida no sítio http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-09-17/seminario-discute-recuperacao-de-documentos-que-retratam-luta-dos-trabalhadores

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3º Seminário Internacional o Mundo dos Trabalhadores e seus Arquivos debate o direito a verdade e a memória

17/09/2013

Mesa que será coordenada pelo secretário geral da CUT ocorre nesta quarta (18)

Escrito por: CUT Nacional

Desde a última segunda-feira (16) acontece no Rio de Janeiro o 3º Seminário Internacional o Mundo dos Trabalhadores e seus Arquivos.

Promovido pela CUT em conjunto com o Arquivo Nacional, o evento é organizado pelo Centro de Documentação e Memória Sindical da própria CUT, Centro de Referência Memórias Reveladas e importantes arquivos e centros de documentação de universidades brasileiras.

Nesta terceira edição, o Seminário tem como tema o “Direito à Memória e à Verdade”, compreendido como um direito transindividual que ultrapassa a formulação por meio dos atores políticos tradicionais, alcançando os mais diversos grupos da sociedade civil e experimentandohttp://www.cut.org.br/acontece/23739/3-seminario-internacional-o-mundo-dos-trabalhadores-e-seus-arquivos-debate-o-direito-a-verdade-e-a-memoria as mais diferentes formas de reivindicação e concretização.

Amanhã (18), o secretário geral da CUT, Sérgio Nobre, coordenará uma mesa sobre o direito a verdade e a memória.

O Seminário prossegue até sexta (20).

Confira a programação

Notícia colhida no sítio http://www.cut.org.br/acontece/23739/3-seminario-internacional-o-mundo-dos-trabalhadores-e-seus-arquivos-debate-o-direito-a-verdade-e-a-memoria

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Primeiro ato da Comissão Nacional pela Memória, Verdade e Justiça da CUT reúne trabalhadores perseguidos pela ditadura

13/09/2013

Atividade aconteceu no estacionamento do Palácio das Mangabeiras

Escrito por: Rogério Hilário – CUT-MG
No primeiro ato no país, a Comissão Nacional pela Memória, Verdade e Justiça da CUT foi lançada na tarde desta quarta-feira (11) no acampamento dos trabalhadores e trababalhadoras em educação do Estado de Minas Gerais, que ocupam o estacionamento do Palácio das Mangabeiras desde o dia 30 de agosto. À atividade, coordenada pela secretária de Políticas Sociais da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), Lourdes Aparecida de Jesus Vasconcelos, compareceram ex-sindicalistas perseguidos, dirigentes nacionais da Central e da CUT/MG, diretores e militantes de sindicatos e entidades CUTistas, representantes da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão de Direitos Humanos da OAB.

Instituída pela CUT, a Comissão vai levantar informações e documentos históricos sobre a repressão contra o movimento sindical no período ditatorial em Minas Gerais. Depoimentos de ex-dirigentes sindicais e trabalhadores perseguidos, cassados, torturados e exilados serão colhidos e gravados para constar do relatório, que deve ficar pronto até julho de 2014.  A Comissão da CUT vai pedir reparação para os perseguidos pelos militares. Ela também vai colaborar com a Comissão Nacional da Verdade pela responsabilização e punição dos que cometeram crimes contra o povo brasileiro durante o período.

Para a presidente da CUT/MG, Beatriz Cerqueira, o ato da Comissão pela Memória, Verdade e Justiça no acampamento dos educadores na porta da residência oficial do governador Antonio Anastasia é simbólico. “A primeira atividade da Comissão faz com a Central se reinvente e vai para as ruas. O acampamento dos educadores, que protestam pelo cumprimento de acordo feito em 2011 e pelo respeito à Constituição, com o pagamento de R$ 8 bilhões que o governo deve à educação, acolhe este movimento tão importante. Também registro o acorrentamento dos demitidos na Cemig S na sede da empresa, outros injustiçados pelo governo do Estado. Os protestos mostram que vivemos num estado de exceção. Outro exemplo foi a repressão e as prisões dos encapuzados que protestaram no dia 7 de setembro, que demonstram uma tentativa de higienização em Belo Horizonte. Ocupar os espaços das cidades é direito nosso. A classe oprimida, aqui e em tantos lugares, não vai se calar.”

“Uma vez mais a nossa Central mostra a preocupação com a recuperação e o registro das lutas da classe trabalhadora no período da ditadura militar, bem como todas as informações sobre perseguições, cassações, repressão, tortura, assassinatos e desaparecidos. Não podemos deixar cair no esquecimento o que aconteceu no passado, pois o futuro de nossos netos depende de nossas lutas. Parabéns à CUT/MG pelo ato, parabéns aos trabalhadores em educação, por recebê-lo no acampamento, e parabéns à companheira Lourdes por coordenar no Estado a Comissão Nacional pela Memória, Verdade e Justiça da CUT”, disse Shakespeare Martins de Jesus, da Direção Executiva da CUT Nacional.

“Para nós é muito importante que o primeiro ato da Comissão pela Memória, Verdade e Justiça da CUT aconteça no acampamento dos trabalhadores em educação, que aqui estão pelo pagamento do piso salarial nacional, pelo fim do congelamento da carreira, para forçar o governo do Estado a cumprir um acordo e ter um comportamento digno. É muito bom reforçar esta luta. Cabe lembrar que, depois de um ano e seis meses, vai ser instaurada a comissão estadual, mesmo que seja apenas para cumprir formalidade. As comissões são importantes para a nossa história, porque há muito por investigar no país.

No dia 31 de março de 1964, mais de 600 sindicatos sofreram intervenção, sindicalistas foram presos, cassados, perseguidos. O golpe foi antissindicalista e anticamponês. É necessário que haja punição dos crimes de lesa humanidade, como desaparecimentos, tortura, assassinatos. Estes crimes não prescrevem. Os responsáveis devem ir para a cadeia e precisa haver reparação dos perseguidos. Nós trabalhadores temos que escrever a história com as nossas próprias mãos. Em Minas, já colhemos depoimentos de jornalistas, bancários, metalúrgicos. Começamos bem por Minas Gerais”, afirmou Expedito Solaney Pereira de Magalhães, secretário de Políticas Sociais da CUT Nacional.

San Romanelli, assessora da Comissão Nacional da Verdade (CNV), revelou que a CUT faz parte do  Grupo de Trabalho “Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical”  (GT) para dar voz a toda da classe trabalhadora. “A CUT está com uma agenda muito importante ao assumir o compromisso de ajudar a buscar todas as informações sobre a repressão, a violação aos direitos humanos, as intervenções, as cassações nos sindicatos, a vinculação das empresas a repressão  e dar voz aos trabalhadores. Não é admissível  tortura, o cerceamento da liberdade, as mortes e os desaparecimentos. A sociedade atual tem que saber que morreram mais trabalhadores e sindicalistas, do que estudantes e intelectuais  no período ditatorial. Nós temos que contar a história do ponto de vista dos trabalhadores.”
William Santos, da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MG, parabenizou a CUT/MG pela iniciativa e também defendeu  punição dos responsáveis. “A Comissão Nacional da Verdade precisa ter caráter punitivo, crimes como tortura são imprescritíveis. A Comissão da CUT vai neste sentido e no de reconstituir a história e denunciar os crimes da ditatura militar contra a classe trabalhadora, os movimentos sindicais, sociais e os trabalhadores no campo. Pode contar com a gente  aqui no Estado.”

Ênio Seabra, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de BH, Contagem e Região que comandou a greve de 1968 em Contagem, a primeira paralisação depois do golpe militar de 1964, falou da repressão que o movimento sindical sofreu durante os anos de exceção. “Houve intervenção no sindicato em1964, mas conseguimos reconquistar a direção e organizamos uma greve em 1968, contra o arrocho salarial, que teve repercussão nacional.  Só voltamos com um acordo. Depois da paralisação, houve uma perseguição dura. A polícia invadiu várias fábricas, houve prisões e agressões a muitos companheiros. Eu fui preso cinco vezes. Vi companheiros sendo massacrados dentro das prisões. Um deles foi torturado na minha frente e da mulher dele. Nós fomos amarrados nas cadeiras para ver a agressão. Fui cassado por dez anos e só consegui emprego depois da anistia. Uma coisa é certa: lutamos muito no passado, mas temos que lutar sempre.”

William Santos, da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MG, parabenizou a CUT/MG pela iniciativa e também defendeu  punição dos responsáveis. “A Comissão Nacional da Verdade precisa ter caráter punitivo, crimes como tortura são imprescritíveis. A Comissão da CUT vai neste sentido e no de reconstituir a história e denunciar os crimes da ditatura militar contra a classe trabalhadora, os movimentos sindicais, sociais e os trabalhadores no campo. Pode contar com a gente  aqui no Estado.”

Notícia colhida no sítio http://www.cut.org.br/acontece/23728/primeiro-ato-da-comissao-nacional-pela-memoria-verdade-e-justica-da-cut-reune-trabalhadores-perseguidos-pela-ditadura

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