Nem bem havia terminado de comemorar o lucro líquido de R$ 1,079 bilhão obtido no primeiro semestre, o presidente do Banco do Brasil (BB), Cassio Casseb, já debruçava-se no aprofundamento da segmentação do banco, que passa, de um lado, pela criação de duas áreas para o atendimento de clientes de alta renda, que envolverá a solução do impasse com o Maxblue, do outro, do desenvolvimento do microcrédito e lançamento de linhas dirigidas de crédito direto ao consumidor (CDC).
Casseb está revisando a segmentação da área de varejo do banco, cuja carteira cresceu 17,2%, de R$ 12,2 bilhões no primeiro semestre de 2002 para R$ 14,3 bilhões em igual período deste ano. Ele antecipou que serão criadas duas áreas para atender o cliente de alta renda, uma para quem recebe mais de R$ 4 mil por mês, e outra para administrar fortunas, o private banking. “Percebemos que conquistávamos a folha de pagamento de uma empresa mas os diretores e donos não se tornavam nossos clientes”, explicou Casseb.
Dois grupos de trabalho estão estudando as áreas e pesquisam o mercado para definir os produtos desejados pelos clientes.
A área de alta renda deve começar a funcionar entre outubro e novembro e um programa piloto já está sendo desenvolvido em algumas cidades do interior de São Paulo.
O private deve iniciar operações em janeiro do próximo ano. Dará suporte à área o Maxblue, sociedade do BB com o Deutsche Bank, criada há cerca de dois anos para oferecer produtos de investimento a clientes de alta renda, mas que não decolou e teve prejuízo de R$ 71,5 milhões no primeiro semestre. “Uma solução está sendo negociada com o Deutsche”, disse Casseb.
Na outra ponta, o Banco do Brasil vai lançar, no próximo mês, linhas dirigidas de CDC, com taxas a partir de 2,9% até 6,3% ao mês “para estimular o crescimento” com financiamento à compra de material de construção, linha branca e eletroeletrônicos. Do total de R$ 14,3 bilhões de crédito de varejo do BB, metade já é CDC.
Além disso, prepara o lançamento de sua operação de microcrédito, o Banco Popular do Brasil (BPB), que deve ser operar experimentalmente na segunda quinzena de outubro e por “o pé no acelerador em 2004”. O BB destinará R$ 2 bilhões ao microcrédito, mas quer entrar no negócio com cautela. Por isso, está previamente estudando a modelagem de risco de experiências semelhantes em outros países e no próprio Brasil e começará em velocidade de programa piloto.
Para Casseb, depende da viabilidade do programa a entrada no sistema financeiro de 40 milhões de pessoas que hoje estão à margem. A intenção do BB é usar o microcrédito como instrumento de conquista de novos clientes.
Um primeiro passo será transformar em clientes as 3,5 milhões de pessoas que apenas recebem benefícios do INSS através do banco. Ainda este mês, essas pessoas – 250 mil por mês – terão ofertas de linhas de crédito.
“Essa será a peneira que garantirá nosso lugar no ranking dos bancos”, disse Casseb que comemorou o fato de a instituição ter conquistando 1,5 milhão de novos clientes no primeiro semestre, chegando perto dos 17 milhões, dos quais 1 milhão de empresas.
Casseb informou ainda que está ativando a área de project finance para apoiar o investimento em infra-estrutura.
Maria Christina Carvalho, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 18 de agosto de 2003• 09:22• Sem categoria
SOLUÇÃO PARA MAXBLUE PASSA POR CRIAÇÃO DO PRIVATE DO BB
Nem bem havia terminado de comemorar o lucro líquido de R$ 1,079 bilhão obtido no primeiro semestre, o presidente do Banco do Brasil (BB), Cassio Casseb, já debruçava-se no aprofundamento da segmentação do banco, que passa, de um lado, pela criação de duas áreas para o atendimento de clientes de alta renda, que envolverá a solução do impasse com o Maxblue, do outro, do desenvolvimento do microcrédito e lançamento de linhas dirigidas de crédito direto ao consumidor (CDC).
Casseb está revisando a segmentação da área de varejo do banco, cuja carteira cresceu 17,2%, de R$ 12,2 bilhões no primeiro semestre de 2002 para R$ 14,3 bilhões em igual período deste ano. Ele antecipou que serão criadas duas áreas para atender o cliente de alta renda, uma para quem recebe mais de R$ 4 mil por mês, e outra para administrar fortunas, o private banking. “Percebemos que conquistávamos a folha de pagamento de uma empresa mas os diretores e donos não se tornavam nossos clientes”, explicou Casseb.
Dois grupos de trabalho estão estudando as áreas e pesquisam o mercado para definir os produtos desejados pelos clientes.
A área de alta renda deve começar a funcionar entre outubro e novembro e um programa piloto já está sendo desenvolvido em algumas cidades do interior de São Paulo.
O private deve iniciar operações em janeiro do próximo ano. Dará suporte à área o Maxblue, sociedade do BB com o Deutsche Bank, criada há cerca de dois anos para oferecer produtos de investimento a clientes de alta renda, mas que não decolou e teve prejuízo de R$ 71,5 milhões no primeiro semestre. “Uma solução está sendo negociada com o Deutsche”, disse Casseb.
Na outra ponta, o Banco do Brasil vai lançar, no próximo mês, linhas dirigidas de CDC, com taxas a partir de 2,9% até 6,3% ao mês “para estimular o crescimento” com financiamento à compra de material de construção, linha branca e eletroeletrônicos. Do total de R$ 14,3 bilhões de crédito de varejo do BB, metade já é CDC.
Além disso, prepara o lançamento de sua operação de microcrédito, o Banco Popular do Brasil (BPB), que deve ser operar experimentalmente na segunda quinzena de outubro e por “o pé no acelerador em 2004”. O BB destinará R$ 2 bilhões ao microcrédito, mas quer entrar no negócio com cautela. Por isso, está previamente estudando a modelagem de risco de experiências semelhantes em outros países e no próprio Brasil e começará em velocidade de programa piloto.
Para Casseb, depende da viabilidade do programa a entrada no sistema financeiro de 40 milhões de pessoas que hoje estão à margem. A intenção do BB é usar o microcrédito como instrumento de conquista de novos clientes.
Um primeiro passo será transformar em clientes as 3,5 milhões de pessoas que apenas recebem benefícios do INSS através do banco. Ainda este mês, essas pessoas – 250 mil por mês – terão ofertas de linhas de crédito.
“Essa será a peneira que garantirá nosso lugar no ranking dos bancos”, disse Casseb que comemorou o fato de a instituição ter conquistando 1,5 milhão de novos clientes no primeiro semestre, chegando perto dos 17 milhões, dos quais 1 milhão de empresas.
Casseb informou ainda que está ativando a área de project finance para apoiar o investimento em infra-estrutura.
Maria Christina Carvalho, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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