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Irresponsabilidades do sistema financeiro ameaçam conquistas sociais, diz Lula

Em entrevista a rede portuguesa, ex-presidente destaca avanços sociais da democratização pós Revolução dos Cravos e afirma que erros do sistema bancário internacional recaem sobre os trabalhadores
por Redação RBA publicado 27/04/2014 18:13, última modificação 27/04/2014 18:15

 

Reprodução/RTP
 Lula

Ex-presidente diz que o estrangeiro que vier à Copa vai ver ‘a cara do Brasil, a beleza e a pobreza’

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista à rede portuguesa RTP que o entristece a situação econômica da Europa, sobretudo em países como Portugal, Alemanha e Grécia. Segundo Lula, a construção da União Europeia, consolidou a reconstrução do continente que sofreu os estragos da Segunda Guerra Mundial, é um patrimônio da humanidade e da democracia mundial. Lula esteve nos país durante as comemorações da Revolução dos Cravos, de 25 de abril de 1974.

Provocado a comentar a situação portuguesa, o ex-presidente se disse cauteloso para não cometer indelicadezas diplomáticas, mas criticou as políticas de austeridade e de cortes de gastos sociais determinadas pela chamada Troika – trio formado por FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia. Afirmou que Portugal teve evidentes avanços econômicos nos últimos 40 anos, refletindo diretamente na qualidade de vida de sua população. E que essa conquistas estão ameaçadas em decorrência da irresponsabilidade do sistema financeiro internacional, que desencadeou a crise de 2008 que hoje afeta vários países.

Lula criticou ainda a falta de ousadia dos governos democraticamente eleitos. “A política foi terceirizada na Europa”, disse, referindo-se à subordinação dos chefes de Estado às decisões da Comissão Europeia. “Não adianta o presidente François Hollande terceirizar para seus representantes na Comissão Europeia as decisões, porque ele é que foi eleito para determinar os rumos políticos da França.”

O ex-presidente respondeu a perguntas sobre as manifestações recentes no Brasil, em meio às proximidades da Copa do Mundo. Defendeu que não se faz Copa do Mundo pensando em dinheiro, mas que se trata de um encontro de nações. Que os estádios são construídos com financiamentos, e que as demais obras de infraestrutura ficarão para o país, e não para a Fifa.

Comentou também que o “tempo vai se encarregar de mostrar que o mensalão teve “80% de decisão política e 20% de decisão jurídica” e que o processo foi “um massacre destinado a destruir a história do PT, e não conseguiu”.

Voltou ainda a rechaçar uma eventual candidatura à presidência e defendeu enfaticamente o governo e a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Disse que será um, grande cabo eleitoral e garantiu que ela vencerá. “Eu não preciso de ocupar um cargo político para demonstrar que tenho importância.”

Acesse aqui a entrevista completa, de 38 minutos.

Notícia colhida no sítio http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/04/irresponsabilidade-do-sistema-financeiro-ameaca-conquistas-sociais-diz-lula-132.html

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Crise do neoliberalismo poderá durar mais de dez anos, diz economista

Em livro, Gérard Duménil retrata os efeitos do período da ‘Grande Contração’ da economia, que durou de 2007 a 2010. Autor estará em São Paulo para debate nesta quinta-feira (24)
por Redação RBA publicado 23/04/2014 09:59

 

Prefeitura de São Paulo/CC
duménil

Duménil: “A segunda fase da crise não será a última. O novo mergulho na recessão necessitará novas políticas”

São Paulo – A crise do neoliberalismo, iniciada em 2008 devido à fragilidade das práticas desenfreadas de financeirização e de globalização dos Estados Unidos e da Europa, chega à segunda fase e pode durar mais de dez anos, de acordo com estudo do pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), Gérard Duménil, para quem o declínio do sistema liberal se manterá devido ao aumento da dívida pública dos países essencialmente capitalistas.

O economista francês estará em São Paulo nesta quinta-feira (24) para o lançamento do livro A crise do neoliberalismo. O debate com o autor ocorrerá às 19 horas, na Biblioteca Mário de Andrade, no centro da cidade. Duménil também passará por Foz do Iguaçu (PR) no dia 5 de maio e por Porto Alegre (RS) no dia 8 de maio para um ciclo de palestras gratuito.

Em A crise do neoliberalismo, escrito em parceria com o pesquisador Dominique Lévy, o autor retrata os efeitos do período da “Grande Contração” da economia, que durou de 2007 a 2010. Segundo Duménil, a globalização adotada a partir dos anos 1980 pelos Estados Unidos fez com que apenas 5% dos norte-americanos mais ricos prosperassem com o modelo capitalista. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país, no entanto, caiu de 40% para 10% em menos de 30 anos.

O economista destaca que o declínio do modelo neoliberal levou esses países a adotarem medidas intervencionistas na economia interna e protecionistas com relação ao mercado internacional. Entretanto, ele reforça que tanto os norte-americanos quanto os países europeus permanecem distantes de um modelo de gestão econômica à esquerda.

“A direita se atém à questão dos déficits orçamentários e da elevação da dívida pública. Ela finge não ver que a austeridade orçamentária, além da transferência, que a felicita, do peso da dívida para as classes populares, não pode, senão, provocar a recaída numa nova contração da atividade. Essa é a segunda fase da crise. Essa segunda fase não será a última. O novo mergulho na recessão necessitará de novas políticas”, explicou Duménil, em entrevista ao cientista político Armando Boito Júnior para o Jornal da Unicamp.

São Paulo
Palestra no ciclo “Democracia na história”
24 de abril | 19h
Biblioteca Mário de Andrade | Auditório
Rua da Consolação, 94 | Centro
Próximo da estação Anhangabaú do metrô
3256-5270 e 3241-4384

Foz do Iguaçu
5 de maio | 18h30
Auditório da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu
R. Quintino Bocaiúva, 577, Centro.

Porto Alegre
A crise do neoliberalismo: origens, desenvolvimento e perspectivas
8 de maio de 2014 | 14h30
Fundação de Economia e Estatística | Auditório
Rua Duque de Caxias, 1691

Notícia colhida no sítio http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2014/04/crise-do-neoliberalismo-podera-durar-mais-de-dez-anos-diz-economista-9389.html

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