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A oposição só acredita em desemprego

Aécio Neves não se fez de rogado: a saúde da economia depende de medidas impopulares, entre elas, claro, o aumento do desemprego.

Por Wanderley Guilherme dos Santos

Ciclos de recessão e desemprego fazem parte da dieta normal da tristeza capitalista. Isso é história econômica banal. Mas nada triviais são os esforços para evitar, superar e em último caso amenizar as seqüelas que, como já diagnosticara Alexis de Tocquevile, constituem o outro lado da moeda da expansão do mercado.

Em favor da verdade, a necessidade de intervir nesses maléficos processos não foi desde logo reconhecida nem muito menos, mesmo depois de registrada em cartório, aceita como necessária. Para os que, julgando-se Isaac Newton, acreditavam que as leis dos mercados capitalistas copiavam as leis da física clássica, toda intervenção seria inútil, tentativa de emendar a lei da gravidade universal. Pior, seria desastrosa, desajustando as leis da oferta e demanda. Foram precisos muito desemprego e muitas recessões até que surgissem concepções não mecânicas do mundo humano.

No Brasil criou-se o seguro-desemprego em 1986, embora já previsto na Constituição de 1946. O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), instituído em 1990, foi outro grande marco de defesa do trabalho diante da imprevisibilidade capitalista. Finalmente, durante as três administrações petistas estenderam-se amplamente as políticas pró-trabalho. Não é à toa que organismos internacionais proclamam a excelência do programa Bolsa-Família, entre outros, copiada em vários países.

Mas o seguro-desemprego e equivalentes só compensam relativamente a perda de renda quando o trabalhador já está desempregado. Com o fim da estabilidade no emprego, na década de 80 do século passado, estabeleceu-se um buraco legislativo que a criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) não preencheu. Trata-se de desenhar medidas que evitem ao ciclo de expulsão do mercado de trabalho sem onerar excessivamente a folha de pagamentos das empresas. É neste sentido que os Ministérios da Fazenda e do Trabalho preparam medida provisória regulamentando a flexibilização da jornada laboral. Por ela, as empresas em comprovada dificuldade financeira cortariam temporariamente em até 30% o salário do trabalhador enquanto o governo ficaria responsável por complementar metade da parcela reduzida. Com a dificuldade financeira conjuntural do FAT (com fundos destinados a outras demandas do crescimento econômico e proteção aos trabalhadores), o governo inclina-se para financiar o programa com recursos do FGTS. Na proposta, o empregado beneficiado continuará a descontar para o Fundo de Garantia do Trabalhador. As centrais sindicais estão de acordo com a futura medida provisória.

Sem nenhuma surpresa, já se ouvem vozes críticas ao financiamento do novo programa, disfarce da real oposição que, no fundo, é à própria medida. Não importa que programas semelhantes tenham sido implantados em um punhado de países, desenvolvidos ou não: Bélgica, Alemanha, Itália, Japão, Nova Zelândia, México, Hungria e República Tcheka. O Brasil, para esses arautos, nunca estará pronto para nenhuma iniciativa contrária ao mito do automatismo mercadista. Se o FAT, conjunturalmente, apresenta débitos em suas contas, o excedente real do FGTS não deveria ser utilizado em seu lugar, tendo em vista possíveis despesas futuras de origem sabida ou não sabida. Ou seja, uma possibilidade, que a seu tempo será administrada, como tudo em qualquer governo, seria motivo para abortar um extraordinário benefício atual, considerando as mais do que previsíveis oscilações do mercado.

O terrorismo fiscal sempre fez parte do embornal conservador. De nada valem os fracassos de suas previsões. Mudam de argumento. Os conservadores brasileiros estão, todavia, exagerando. Além de substituírem as verdadeiras estatísticas nacionais pelos sensacionalismos da mídia estrangeira, apelam para um indicador único para avaliar o “sucesso” de um governo: a taxa de desemprego. Quanto maior, melhor o governo. Deles.

O problema, como se sabe, não faz parte da estratosfera sustentável em que Marina Silva desfila. Eduardo Campos é omisso neste quesito, assim como em vários outros, embora fosse interessante saber como ele faria mais e melhor em matéria de emprego e de proteção ao trabalhador. Aécio Neves não se fez de rogado: a saúde da economia depende de medidas impopulares, entre elas, claro, o aumento do desemprego. Só desemprego estima a saúde de uma economia. Repetindo: para a oposição quanto maior o desemprego, melhor o governo. Cáspite!

Artigo colhido no sítio http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-oposicao-so-acredita-em-desemprego/4/30990

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Em abril, desocupação foi de 4,9%

Indicador / período ABRIL DE 2014 MARÇO DE 2014 ABRIL DE 2013
Taxa de desocupação
4,9%
5,0%
5,8%
Rendimento real habitual
R$ 2.028,00
R$ 2.040,27
R$ 1.977,24
Valor do rendimento em relação a
-0,6%
2,6%

A taxa de desocupação em abril de 2014 foi estimada em 4,9% para o conjunto das seis regiões metropolitanas investigadas. Frente a março (5,0%), a taxa não apresentou variação significativa. No confronto com abril de 2013 (5,8%), esse indicador declinou 0,9 ponto percentual. A população desocupada (1,2 milhão de pessoas) não apresentou variação frente a março. Em relação a abril de 2013, esse contingente ficou 17,0% menor. A população ocupada (22,9 milhões) indicou estabilidade em relação a março de 2014 e na comparação com abril do ano passado. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,7 milhões) não variou frente a março e, comparado com abril de 2013, registrou elevação de 2,2%.

O rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 2.028,00) foi 0,6% menor em relação ao de março (R$ 2.040,27) e 2,6% acima do registrado em abril de 2013 (R$ 1.977,24). A massa de rendimento real habitual (R$ 47,2 bilhões) caiu 0,5% em relação a março. Na comparação com abril do ano passado, esta estimativa aumentou 3,6%.A massa de rendimento real efetivo dos ocupados(R$ 47,7 bilhões), estimada em março de 2014, caiu 0,6% no mês e subiu 5,0% no ano.

A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/default.shtm.

Taxa de desocupação (%)

Desocupação fica estável em todas as seis regiões pesquisadas

Regionalmente, a taxa de desocupação ficou estável em todas as regiões pesquisadas. Em relação a abril de 2013, a taxa declinou 1,3 ponto percentual no Rio de Janeiro; 1,5 ponto percentual em São Paulo e 0,8 ponto percentual em Porto Alegre. Em Recife, Salvador e Belo Horizonte o cenário foi de estabilidade.

Taxa de desocupação (%)

Mês/ano
Total
Rec
Sal
BH
RJ
SP
PoA
abr/03
12,5
14,0
16,7
10,5
9,2
14,3
9,8
abr/04
13,1
14,3
16,6
11,4
10,7
14,5
10,7
abr/05
10,8
13,0
17,0
9,5
8,6
11,4
8,0
abr/06
10,4
16,5
13,4
9,1
8,4
10,7
8,3
abr/07
10,2
12,1
14,2
8,1
7,5
11,6
7,9
abr/08
8,5
9,3
11,9
6,9
7,1
9,4
6,7
abr/09
8,9
10,6
12,4
6,8
6,8
10,2
6,2
abr/10
7,3
9,1
11,2
5,8
5,9
7,7
5,4
abr/11
6,4
7,5
10,2
5,3
4,8
7,1
4,6
abr/12
6,0
5,6
8,3
5,0
5,6
6,5
4,7
abr/13
5,8
6,4
7,7
4,2
4,8
6,7
4,0
mar/14
5,0
5,5
9,2
3,6
3,5
5,7
3,2
abr/14
4,9
6,3
9,1
3,6
3,5
5,2
3,2

O contingente de desocupados, em abril de 2014, manteve-se estável em todas as regiões. No confronto com abril de 2013, caiu 16,0% na região metropolitana de Belo Horizonte, 27,9% no Rio de Janeiro, 22,8% em São Paulo e 19,5% em Porto Alegre. Manteve a estabilidade em Recife e Salvador.

Nível da ocupação fica estável em 53,0%

O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa) foi estimado, em abril de 2014, em 53,0% para o total das seis regiões investigadas, revelou estabilidade em relação ao mês anterior. No confronto com abril de 2013 (53,6%), esse indicador reduziu 0,6 ponto percentual. Regionalmente, na comparação mensal, o cenário foi de estabilidade em todas as regiões. No confronto com abril do ano passado, duas regiões apresentaram redução: Recife (1,8 ponto percentual) e Belo Horizonte (1,4 ponto percentual) e as demais regiões mantiveram-se estáveis.

Na análise do contingente de ocupados por grupamentos de atividade para o conjunto das seis regiões, de março para abril de 2014, não foi observada variação significativa em nenhum dos grupamentos de atividade. Em comparação com abril de 2013, esse comportamento se repetiu.

Na comparação anual, rendimento médio sobe em todas as regiões

Regionalmente, em relação a março de 2014, o rendimento dos trabalhadores subiu na região metropolitana de Belo Horizonte (0,9%). Apresentou queda em Salvador (2,4%); Rio de Janeiro (0,8%) e em Porto Alegre (1,9%). Ficou estável em Recife e São Paulo. Na comparação com abril de 2013, o rendimento subiu em: Recife (3,2%); Salvador (4,5%); Belo Horizonte (0,4%); Rio de Janeiro (4,4%); São Paulo (1,3%) e Porto Alegre (4,1%).

A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados foi estimada em 47,2 bilhões em abril de 2014, caiu 0,5% em relação a março. Na comparação com abril do ano passado esta estimativa aumentou 3,6%.

Na classificação por grupamentos de atividade, para o total das seis regiões, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em relação a março de 2014 foi na construção (2,3%), e a maior queda no grupamento educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (-2,4%). Na comparação anual, observou-se aumento de 10,8% na construção e queda de -1,0%na indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água.

Rendimento médio real habitualmente recebido

Grupamentos de atividade
abr/13
mar/14
abr/14
%m
%a
População ocupada
1.977,24
2.040,27
2.028,00
-0,6
2,6
Indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água
2.089,99
2.072,28
2.068,10
-0,2
-1,0
Construção
1.681,89
1.823,21
1.864,30
2,3
10,8
Comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis
1.563,40
1.658,21
1.662,00
0,2
6,3
Serviços prestados à empresa, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira
2.513,06
2.561,86
2.550,20
-0,5
1,5
Educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social
2.650,02
2.746,09
2.679,50
-2,4
1,1
Serviços domésticos
826,40
869,22
864,60
-0,5
4,6
Outros serviços (alojamento, transporte, limpeza urbana e serviços pessoais)
1.723,82
1.746,60
1.741,30
-0,3
1,0

Já na classificação por categorias de posição na ocupação, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido se deu entre os empregados sem carteira no setor privado (1,5%) na comparação mensal, e entre empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (2,1%) na comparação anual.

Rendimento médio real habitualmente recebido

Categorias de posição na ocupação
abr/13
mar/14
abr/14
%m
%a
Empregados com carteira no setor privado
1.805,99
1.859,05
1.844,50
-0,8
2,1
Empregados sem carteira no setor privado
1.475,92
1.407,83
1.428,40
1,5
-3,2
Militares e funcionários públicos
3.337,76
3.454,24
3.347,40
-3,1
0,3
Pessoas que trabalharam por conta própria
1.730,51
1.781,83
1.749,20
-1,8
1,1

 

Comunicação Social
22 de maio de 2014

Notícia colhida no sítio http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=2643

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