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Gilberto Carvalho: essa será a eleição mais difícil de todas

Ministro defende proposta para aumentar participação social na definição de políticas públicas, conforme demanda surgida nos protestos de junho de 2013.

Por Najla Passos Arquivo

Brasília – O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse, nesta quarta (18), que a eleição presidencial de outubro será a mais difícil de todas as já disputadas pelo PT, porque, além da correlação de forças desfavorável, o partido enfrenta 12 anos da propaganda contrária ininterrupta, disseminada pela mídia monopolista e, agora, pelo ativismo de um novo ator social: o militante de direita virtual.

“É por isso que eu digo que essa eleição vai ser a mais difícil de todas, porque ela enfrenta o resultado desse longo processo. E a correlação de forças vai ficando cada vez mais complicada pra gente”, afirmou aos jornalistas, ativistas e midialivristas que participaram, nesta quarta (18), do debate sobre a Política Nacional de Participação Social.

Para o ministro, é só observar o número de parlamentares de direita com mandatos para ver que é quase um milagre que o PT tenha conseguido permanecer no poder durante este tempo. “Do ponto de vista da governabilidade institucional, nos somos uma estrondosa minoria”, constatou.

“Se você acrescenta ainda que nós não fizemos o debate da mídia para valer, e eu acolho as críticas, nós passamos este tempo todo com uma pancadaria diária que deu resultado. Essa pancadaria diária é o que resulta no palavrão para a Dilma lá no Itaquerão. E no Itaquerão não tinha só elite branca, não”, acrescentou.

Na opinião de Carvalho, as críticas aos governos petistas já atingem setores da população que historicamente apoiaram o PT. “Esse cacete diário de que nós inventamos a corrupção, de que nós aparelhamos o estado brasileiro, de que nós somos um bando de aventureiros que viemos aqui para se locupletar, essa história pegou na elite, na classe média e vai gotejando, vai descendo. Porque nós não demos combate. Nós não conseguimos fazer o contraponto”, admitiu.

Em função da conjuntura, o ministro ressaltou a importância da Política Nacional de Participação Social, lançada em maio pela presidenta Dilma Rousseff, via decreto, que vêm suscitando grande polêmica no país. “A articulação com a sociedade é o único caminho capaz de compensar essa correlação de forças brutal”, afirmou Carvalho, pedindo amplo apoio ao projeto.

Conforme ele lembrou, o decreto tem o propósito de articular os canais já existentes para que a participação social se transforme em método de governo e o povo, conforme demanda surgida nos protestos de junho, possa participar mais efetivamente das definições das políticas públicas. Entretanto, o coro que vem da direita oposicionista chega ao limite de classificá-la como estratégia para implantar o comunismo no país ou transformar o Brasil na Venezuela.

Carvalho destacou ainda que o decreto, ao contrário do que alardeia a oposição, tem um conteúdo inocente e até inofensivo: a política não cria novos conselhos, não retira atribuições do Congresso Nacional ou entes federativos, não desrespeita o papel dos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e tão pouco submete as instâncias de participação social a quaisquer espécies de controle centralizado.

Para ele, os ataques ao projeto, muito mais de que uma oposição real ao seu conteúdo, destacam a força crescente do conservadorismo no país que quer prevalecer nas urnas. “O decreto tem um significado simbólico muito além do prático. O que está em jogo é uma disputa de hegemonia. E nós temos que encarar esse debate”, conclamou.

Críticas pela esquerda

Os jornalistas, ativistas e midialivristas que participaram do bate-papo rechaçaram as críticas à Política Nacional de Participação Social marteladas pelos setores de direita, mas também fizeram duras cobranças ao governo. Para a maioria, o projeto só terá efetividade se for combinado com outras políticas públicas como a de democratização da mídia, cuja discussão está interditada desde que a presidenta Dilma assumiu a presidência, e a Política Nacional de Banda Larga, estagnada nos gabinetes do Ministério das Comunicações.

Os militantes destacaram também que, para que o projeto ganhe mais respaldo de setores da sociedade civil, é preciso que, primeiro, conquiste o compromisso de ser implantado por todos os setores do próprio governo.

“Um dos problemas é que esta política não é hegemônica nem dentro do governo. No campo dos movimentos de democratização da comunicação, a dificuldade não é entender o quanto ela é importante, mas saber o quanto há decisão política do governo para que esta política saia do papel”, verbalizou Bia Barbosa, da coordenação do Coletivo Intervozes e da executiva do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação.

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