Sindicatos criticam manutenção da taxa Selic em 11% ao ano
As duas principais centrais sindicais do país criticaram hoje (16) a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de manter em 11% ao ano a taxa básica de juros (Selic). Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), a decisão só beneficia bancos, rentistas e especuladores.
“Os únicos beneficiados são os bancos, os rentistas e grandes especuladores financeiros, que continuarão lucrando muito, tirando recursos públicos que deveriam ser direcionados para o crescimento da economia com distribuição de renda”, ressalta nota divulgada pela Contraf logo depois do anúncio do Copom.
“Além de penalizar os consumidores, os bancos abocanham recursos bilionários do Estado, pois são os principais detentores de títulos públicos e se beneficiam das altas taxas da Selic, dificultando investimentos que o país tanto precisa para acelerar o crescimento”, acrescenta a nota.
A Força Sindical ressaltou que a decisão, além de manter a taxa Selic em patamares “proibitivos”, mostra a insensibilidade do governo ante as demandas da classe trabalhadora e impede o crescimento da produção, do consumo e da geração de empregos.
Nota da Força Sindical diz que “a política conservadora adotada pelo governo continua a privilegiar os especuladores, em detrimento dos anseios dos trabalhadores e do setor produtivo. Reforçamos nosso posicionamento de que a política monetária precisa ser voltada a um projeto de desenvolvimento do país”.
“Infelizmente os dados da economia são pouco animadores. E a postura conservadora por parte do governo vem minando qualquer esperança de sua recuperação ainda para este ano”, acrescentou a central sindical.
Para Contraf-CUT, manutenção da Selic em 11% favorece juros altos dos bancos
A Contraf-CUT criticou a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 11 % ao ano, pela segunda vez consecutiva, anunciada durante a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorrida nesta quarta-feira (16), em Brasília.
“Os únicos beneficiados são os bancos, os rentistas e grandes especuladores financeiros, que continuarão lucrando muito, tirando recursos públicos que deveriam ser direcionados para o crescimento da economia com distribuição de renda”, afirma o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.
Para ele, “o Copom deixou escapar uma nova oportunidade para baixar a Selic e forçar uma queda dos juros e dos spreads dos bancos, a fim de baratear o crédito para a produção e para o consumo, incentivando o emprego e a distribuição de renda”.
A manutenção da Selic em 11% favorece a cobrança de altas taxas de juros pelos bancos nas operações de crédito para pessoas físicas e jurídicas. Segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), desde abril de 2013, quando a Selic saiu de 7,25% ao ano, a taxa de juros dos bancos subiu 15,27% no período.
Os juros do cartão de crédito, por exemplo, passaram em média de quase 193% ao ano para 238,67% ao ano, uma alta de 23,7%. “Em pouco mais de um ano, os bancos vêm elevando as suas taxas de juros muito acima do aumento da Selic no período, obtendo lucros fabulosos e onerando os clientes e a sociedade brasileira”, destaca Cordeiro.
“Além de penalizar os consumidores, os bancos abocanham recursos bilionários do Estado, na medida em que são os principais detentores de títulos públicos e se beneficiam das altas taxas da Selic, dificultando investimentos que o país tanto precisa para acelerar o crescimento e combater as desigualdades sociais”, salienta o dirigente sindical. Praticamente 50% do orçamento da União destina-se ao pagamento dos juros e amortização da dívida pública, comprometendo recursos que poderiam ser destinados à saúde, educação ou segurança, por exemplo.
O presidente da Contraf-CUT avalia que o custo social e econômico da utilização da Selic no controle da inflação tem se revelado muito elevado para o país. “É urgente acionar outras políticas voltadas para este fim, cujos efeitos sejam menos danosos para a sociedade. É necessário buscar outras variáveis, que possibilitem a geração de empregos e o aumento da remuneração média dos trabalhadores”, enfatiza Cordeiro.
“Essa política de juros altos só tem contribuído para turbinar o lucro dos bancos e a concentração da renda. Para que haja um crescimento sustentável é necessário que tenha desenvolvimento com geração de empregos e distribuição de renda”, conclui o dirigente da Contraf-CUT.
Fonte: Contraf-CUT