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Instabilidade externa não afetará gestão da dívida pública, diz Tesouro

Daniel Lima – Repórter da Agência Brasil

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, José Franco Medeiros de Morais, disse hoje (24) que a instabilidade no mercado financeiro internacional não deve afetar a gestão da dívida pública federal (DPF). Segundo Morais, a participação de investidores não residentes na dívida, que poderia ser afetada por essa volatilidade internacional, embora seja relevante, não é crucial para a gestão da DPF.

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, José Franco Medeiros de Morais, dá entrevista, para comentar os resultados do Relatório Mensal da Dívida Pública referente ao mês de julho (Antônio Cruz/Agência Brasil)
Tesouro tem reservas para dívidas externa e interna, diz José Medeiros de Morais  Arquivo/Agência Brasil

“Na verdade, 80% da dívida pública federal está na mão de investidores locais, o que é um fator de segurança adicional. Sempre que, por alguma razão, falha a demanda de não residentes, há uma local, que pode perfeitamente compensá-la”, destacou.

Em relação especificamente à dívida externa, José Franco informou que o Tesouro Nacional não tem necessidade de financiamento externo em 2015, porque já fez um prefinanciamento.

“Toda a dívida que vence em 2015, e parte em 2016, o Tesouro já comprou os recursos em dólar e fez um hedge [espécie de proteção contra oscilações no mercado financeiro]. Portanto, não temos necessidade de financiamento externo”, afirmou Morais.

De acordo com o coordenador de Operações da Dívida, o Tesouro tem um “colchão de liquidez” [reservas] para as dívidas externa e interna. “Esse colchão fica entre três e seis meses, de modo que se possa enfrentar as turbulências. Mas posso assegurar que fica no limite superior desse intervalo”, acrescentou Morais, sem revelar o valor.

O Tesouro Nacional deve evitar fazer emissões externas no momento. Morais disse que, considerando a volatilidade no mercado internacional e o fato de o Tesouro Nacional não ter necessidade de financiamento externo, “não há razão para se apressar e fazer emissões externas”.

Ele lembrou que o principal motivo para fazer emissões de títulos púbicos no exterior é abrir mercados, sobretudo para empresas nacionais, levando-as a ter bons pontos de referência na curva de juros para as emissões de papéis. “De forma geral, são papéis de 10 a 30 anos, que estão lá e têm bastante liquidez. Isso não quer dizer que não continue nos planos do Tesouro uma emissão externa.”

Hoje (24), A bolsa de Xangai, na China, registrou perdas superiores a 8%, aproximadamente meia hora depois da abertura da sessão, tendência seguida nas praças de Hong Kong e de Tóquio e em outros mercados. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo chegou a registrar queda de 6%. Às 13h20, o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de São Paulo, caiu 1,94%,.

Edição: Armando Cardoso
Daniel Lima – Repórter da Agência Brasil

A Secretaria do Tesouro Nacional revisou os limites da dívida pública federal de 2015, definidos no plano anual de financiamentos (PAC), passando a considerar o nível mínimo de R$ 2,65 trilhões e o nível máximo de R$ 2,8 trilhões, informou o coordenador de Operações da Dívida Pública, da Secretaria do Tesouro Nacional, José Franco Medeirosde Morais.

Os limites anteriores estavam situados entre R$ 2,45 trilhões e R$ R$ 2,6 trilhões.

Ao dar a informação, José Franco disse que a alteração dos limites mínimo e máximo do endividamento público foi adotada para atender ao aumento da demanda dos bancos e financeiras por títulos do governo.

“Isso não é de forma alguma coisa ruim”, acrescentou José Franco. Ele disse também que a divulgação dos novos limites dão “previsibilidade e transparência [da gestão da dívida pública] aos agentes financeiros”. Explicou que, em um cenário de juros em alta, cresce o apetite por títulos que tenham a garantia do Tesouro Nacional, entre eles, os títulos da dívida pública.

Segundo ele, a maior demanda dos leilões de títulos públicos, verificada ao longo do ano, é fator que contribui para que o governo tenha folga para refinanciar a divida pública. “Isso favorece a estratégia para [que o governo possa administrar] o estoque da dívida pública federal”, acrescentou.

Segundo ele, dentro da estratégia de endividamento por meio dos títulos da dívida pública, o Tesouro Nacional tem buscado emitir volumes superiores à necessidade de financiamento do mercado, visando a auxiliar a redução do excesso de liquidez do sistema bancário.

Edição: José Romildo
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