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Por 12:14 Notícias

Justiça da Itália decide extraditar Carla Zambelli, que deve ser presa no Brasil

AJustiça italiana decidiu, nesta quinta-feira (26), autorizar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil. Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão em dois processos, a bolsonarista havia fugido do país e foi capturada em julho de 2025, na Itália, onde permanece detida desde então.

A decisão foi proferida pelo Tribunal de Roma, em resposta a um pedido formal do governo brasileiro, mas ainda não é definitiva. A defesa de Zambelli pode recorrer ao Supremo Tribunal de Cassação, a mais alta instância do Judiciário italiano. Além disso, a palavra final caberá ao ministro da Justiça, Carlo Nordio, que tem a prerrogativa de confirmar ou rejeitar a extradição. Até a conclusão do processo, a ex-deputada seguirá presa no país europeu.

A expectativa é que, caso todos os trâmites sejam concluídos, Zambelli seja transferida ao Brasil nas próximas semanas e cumpra pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.

Próximos passos da extradição de Zambelli na Itália

Os próximos desdobramentos do caso seguem o rito previsto na legislação italiana. Em informações repassadas à Fórum, o deputado italiano Angelo Bonelli — responsável por localizar Zambelli quando ela estava foragida e acionar a polícia — detalhou as etapas que ainda precisam ser cumpridas.

Segundo Bonelli, a defesa ainda pode recorrer ao Supremo Tribunal de Cassação. Caso a decisão seja mantida, o processo segue para análise do Ministério da Justiça italiano, conforme prevê o artigo 708 do Código de Processo Penal.

Pela regra, o ministro Carlo Nordio terá até 45 dias para decidir se confirma ou não a extradição após o encerramento da fase judicial. Se não houver decisão nesse prazo, a prisão pode ser revogada.

Caso a extradição seja autorizada, o governo italiano deverá informar ao Brasil a data e o local da entrega. A transferência precisa ocorrer em até 15 dias, podendo ser prorrogada por mais 20, mediante justificativa. Se o Brasil não assumir a custódia dentro desse período, a ordem perde validade e a ex-deputada pode ser libertada.

Prisão na Itália após cooperação internacional

Zambelli foi presa em 29 de julho de 2025, em Roma, após quase dois meses foragida. A captura ocorreu em uma operação conjunta da Polícia Federal brasileira, da Interpol e das autoridades italianas.

A localização da ex-deputada só foi possível graças à atuação de Angelo Bonelli, parlamentar do partido Europa Verde. Ele identificou o endereço onde Zambelli estava escondida e repassou a informação às autoridades italianas.

“Liguei para a Polícia Nacional para informar o endereço. Duas horas e meia depois, confirmaram que ela estava no apartamento e aplicaram o pedido da Interpol”, relatou à época.

Apesar de alegar que teria se apresentado voluntariamente para pedir asilo, a versão foi desmentida por documentos oficiais e pela própria dinâmica da operação policial, que confirmou a prisão em residência.

Fuga do Brasil e pedido de extradição

A ex-deputada deixou o Brasil no fim de maio de 2025, pouco após o Supremo Tribunal Federal (STF) decretar sua prisão. Ela atravessou a fronteira com a Argentina de carro, seguiu para os Estados Unidos e depois viajou à Itália, onde entrou com passaporte italiano.

Em 11 de junho, o Ministério da Justiça formalizou o pedido de extradição junto ao governo italiano. Desde então, Zambelli permaneceu presa preventivamente, com a Justiça local apontando risco de fuga caso fosse colocada em liberdade.

Condenações no STF

Carla Zambelli acumula duas condenações no STF, que somam mais de 15 anos de prisão.

A principal delas prevê pena de 10 anos e 8 meses por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica. Segundo a decisão, ela atuou em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto para acessar ilegalmente dados do Judiciário.

A segunda condenação impôs pena de 5 anos e 3 meses por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. O caso remete a um episódio ocorrido em outubro de 2022, quando Zambelli perseguiu armada o jornalista Luan Araújo nas ruas de São Paulo, durante o segundo turno das eleições.

Caso ganhou dimensão internacional

O caso Zambelli ganhou repercussão internacional e chegou a envolver autoridades dos dois países. Em outubro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou, em Roma, com Angelo Bonelli, o deputado que denunciou o paradeiro da parlamentar brasileira.

Bonelli tem defendido que a Itália não sirva como refúgio para pessoas condenadas pela Justiça e atuou diretamente para viabilizar a prisão da ex-deputada.

Agora, com a decisão favorável à extradição, o processo entra em sua fase final — que pode determinar o retorno de Zambelli ao Brasil para o cumprimento das penas impostas pelo STF.

Texto: Ivan Longo

Fonte: Revista Fórum

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