O presidente Lula voltou a expor a aliança entre a Globo e a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), selada com o mentiroso Power Point sobre o caso Master, em publicação na rede X na manhã desta terça-feira (31).
“É tanta coisa que não cabe num Powerpoint”, escreveu Lula ao divulgar um vídeo de mais de 12 minutos em que o ministro da Educação, Camilo Santana, faz um balanço das realizações do governo “da creche, passando pelo ensino básico, fundamental, médio até a universidade”.
É a segunda menção de Lula ao PowerPoint da Globonews sobre o caso Master em menos de 24 horas, revelando que o presidente vai expor a aliança dos clãs Marinho e Bolsonaro durante a campanha eleitoral.
A divulgação da arte, que mentirosamente liga Lula e o PT a Daniel Vorcaro – excluindo figuras íntimas do governo Bolsonaro, como ex-ministros, com o banqueiro – provocou uma crise interna na emissora e fez com que a apresentadora da Globonews, Andreia Sadi, lesse uma nota protocolar pedindo desculpas. A emissora, no entanto, não divulgou uma infografia correta, com as reais ligações políticas do caso Master.
“Vai fazer PowerPoint?”
Nesta segunda-feira (30), Lula usou o caso Power Point para expor as ações da mídia liberal para atacá-lo durante um ato oficial de inauguração de obras e escolas conectadas em Brasília.
“A Globo, o SBT, a Band, a Record, não vão fazer um PowerPoint mostrando isso aqui… Seria maravilhoso se fizessem um PowerPoint mostrando cada coisa que nós fizemos… Seria extraordinário, mas não vão fazer… Eu nem sei se eles captaram todas as informações que foram passadas aqui… Nem sei… Porque hoje, o fuxico, tem mais incidência que a verdade… O que foi dito aqui, se vocês acompanham a internet, vai ter mais gente destruindo o que foi falado aqui do que gente construindo o que foi falado aqui… E o que eu quero dizer com isso? Eu quero dizer com isso que, se nós não tivermos capacidade de sair daqui com as informações que nós recebemos e fazermos o debate, que precisa fazer, a gente poderá permitir que os mentirosos de sempre indulzam a sociedade a uma mentira”, disparou o presidente.
Estadão e Miriam Leitão falam em novo golpe com Flávio e Caiado
Após o naufrágio da candidatura Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), submisso aos interesses de Jair Bolsonaro (PL), e a fuga de Ratinho Jr. (PSD), que abandonou a disputa, a mágoa da mídia liberal aumentou diante de duas alternativas pífias, de Caiado e Eduardo Leite (PSD), que caiu atirando após trocar o PSDB pelo PSD de Gilberto Kassab.
No jornal O Globo, Miriam Leitão afirma nesta terça-feira que “o golpismo da direita continua sendo o problema da eleição” e lamenta que o PSD, de Kassab, tenha abandonado o “moderado” Eduardo Leite.
“O governador Eduardo Leite foi direto e contundente ao se apresentar. No programa de Júlia Duailibi, da GloboNews, na semana passada, Leite disse que o que está faltando nesta eleição é o centro”, diz Miriam.
Em seguida, a jornalista coloca Caiado no mesmo balaio golpista de Flávio Bolsonaro que, “para surpresa de ninguém”, pregou um novo golpe em discurso na conferência conservadora em Boston, nos EUA, no último final de semana.
“Dois dos três pré-candidatos da eleição de 2026 não mostram apreço pela democracia. Flávio Bolsonaro é de uma família que sempre defendeu a ditadura, e quer sua repetição. Caiado nunca condenou a de 1964, nem o último golpe”, afirmou, sem mencionar que Lula é o único que representa a possibilidade de continuidade democrática no Brasil.
Tal pai, tal filho…
Já o Estadão destila sua mágoa no editorial “Tal pai, tal filho”, em que afirma que “a natureza é implacável” e que “o golpismo bolsonarista parece ser mesmo genético” ao citar o mesmo discurso em que Flávio prega um novo golpe pedindo ajuda dos EUA.
“Flávio deu ares de verdade à fábula segundo a qual o governo americano, então presidido pelo democrata Joe Biden, financiou, por intermédio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 2022 contra Bolsonaro. “As mesmas pessoas que prenderam meu pai tiraram esse homem – o ex-presidente socialista Lula da Silva, condenado múltiplas vezes por corrupção – da prisão e o colocaram de volta na Presidência. Tudo isso sob uma enxurrada de dinheiro da USAID e com massiva interferência da administração Biden”. Como de hábito, nenhuma prova disso foi apresentada – mas, afinal, um bolsonarista de verdade não precisa de provas para acreditar em teorias da conspiração como essa”, diz o jornal.
Assim como Miriam Leitão, o Estadão lembra de entrevista recente do “01” à Folha de S.Paulo, em que ele diz que fará “uso da força” para “fazer com que o Supremo Tribunal Federal respeite os demais Poderes”.
“É digna de nota a facilidade com que o senador Flávio Bolsonaro usou a expressão “uso da força”, com a clara intenção de intimidar os adversários do pai e as instituições democráticas que lidaram com o seu golpismo. E agora, não menos indecorosa, é a tentativa de mobilizar o governo dos Estados Unidos e de outros países governados pela direita simpatizante do presidente americano, Donald Trump, para lançar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro e, por fim, não reconhecer uma eventual derrota do bolsonarismo na eleição presidencial”, emenda o editorial.
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Texto: Plinio Teodoro
Fonte: Revista Fórum