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Por 11:02 Notícias

Efeito Lula: fila do INSS cai pelo quarto mês consecutivo, diz nova presidente

fila de espera do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou queda pelo quarto mês consecutivo e atingiu 1,9 milhão de pedidos em aberto, o menor patamar desde outubro de 2024. A informação foi antecipada pela nova presidente do instituto, Ana Cristina Silveira, que concedeu sua primeira entrevista desde que assumiu o comando do órgão, em abril deste ano.

Segundo Silveira falou à Folha, a expectativa é de que o estoque de requerimentos continue diminuindo gradualmente nos próximos meses, enquanto o governo trabalha em medidas estruturais para evitar novos aumentos expressivos da fila no futuro.

“A entrega que a gente quer fazer não é [só] do ano de 2026, é uma entrega estruturante. A gente vai melhorar sistemas e fluxos de trabalho para que a gente possa continuar, de forma permanente, analisando os benefícios, os requerimentos, dentro de um prazo razoável para que a pessoa possa suprir a sua necessidade”, afirmou.

A redução da fila representa um dos principais desafios da nova gestão. Nos últimos anos, o tempo de espera por benefícios e o volume de pedidos pendentes oscilaram significativamente, acompanhando mudanças de orientação política e administrativa.

Digitalização

Após a digitalização dos serviços do INSS, o órgão registrou um de seus maiores volumes de pedidos represados em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2022, ano eleitoral, houve aceleração na concessão dos benefícios. Já no atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a fila voltou a crescer após decisões administrativas que incluíram a suspensão temporária da análise de benefícios assistenciais e mudanças nos critérios de concessão.

Em junho, o número de requerimentos pendentes caiu em 267 mil, ritmo inferior ao registrado em maio, quando a redução alcançou 366 mil pedidos. De acordo com a presidente do instituto, a desaceleração era esperada porque os casos mais simples já foram processados.

Apesar disso, Ana Cristina Silveira reafirmou a meta anunciada pelo presidente Lula de eliminar, até o final de setembro, todos os pedidos que estejam fora do prazo legal de análise. Atualmente, dos 1,9 milhão de requerimentos pendentes, cerca de 616 mil já ultrapassaram o prazo previsto. Os demais permanecem dentro do período regulamentar de até 45 dias ou dependem de informações complementares fornecidas pelos segurados.

— “A gente está ajustando o fluxo, melhorando o sistema, trazendo os órgãos para trabalhar junto, Ministério da Previdência, Dataprev, INSS. Essa diminuição [da fila] vai acontecer paulatinamente”, disse.

Instabilidade nos sistemas e falta de servidores: os desafios

Apesar da queda da fila, a presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, afirmou que a instabilidade dos sistemas continua sendo um dos principais problemas enfrentados pelo órgão. Segundo ela, a atual gestão passou a trabalhar em conjunto com a Dataprev para aumentar a estabilidade das plataformas e reduzir interrupções nos serviços.

Para acelerar a análise dos pedidos, o INSS também reorganizou suas prioridades internas, transferindo parte dos servidores para a avaliação de novos requerimentos e reduzindo temporariamente o ritmo das revisões do Benefício de Prestação Continuada.

Outro desafio é a redução do quadro de funcionários. O número de servidores ativos caiu de 33,8 mil, em 2018, para 17,8 mil no início de 2026. Diante desse cenário, o instituto solicitou a contratação emergencial de 2 mil novos servidores para 2027, além dos 300 já nomeados neste ano.

A presidente também rebateu críticas de que a redução da fila estaria ocorrendo por meio do aumento das negativas de benefícios. Segundo ela, o INSS vem analisando mais pedidos e, ao mesmo tempo, ampliando o número de concessões. Em março, o órgão concedeu um recorde de 890 mil benefícios, enquanto em abril e maio o volume permaneceu acima de 700 mil concessões mensais.

Texto: Julinho Bittencourt

Fonte: Revista Fórum

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