fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 17:17 Caixa, Recentes

Saúde Caixa e o adoecimento mental no trabalho

O Brasil vive uma verdadeira crise de saúde mental no trabalho. Os dados mais recentes do Ministério da Previdência Social comprovam a gravidade desse cenário: somente em 2025, 546.254 trabalhadores receberam benefício por incapacidade temporária em razão de transtornos mentais e comportamentais. Trata-se do maior número de afastamentos já registrado pela Previdência Social para esse grupo de doenças, evidenciando que o adoecimento psíquico deixou de ser um problema individual para se consolidar como um dos maiores desafios das relações de trabalho no país.

Na Caixa Econômica Federal, o tema ganha contornos ainda mais relevantes. Ano após ano, todas as pesquisas realizadas por nós da Federação Nacional das Associação da Caixa (Fenae) revelaram que a pressão por resultados, a cobrança por metas e a insegurança em relação à manutenção de funções e cargos de comissão têm causado do adoecimento mental nas empregadas e empregados do banco.

Na última pesquisa nacional realizada pela Fenae, com 3.820 empregados da ativa e aposentados, revelou que 37% dos trabalhadores já receberam diagnóstico de problemas de saúde mental relacionados ao trabalho. Ansiedade, estresse, depressão, burnout, síndrome do pânico e transtorno de estresse pós-traumático aparecem entre os principais problemas enfrentados pelos bancários

O adoecimento também se reflete nos afastamentos e prejudica o atendimento à população. Segundo a pesquisa, 58% das licenças médicas registradas entre os participantes estão relacionadas a problemas de saúde mental. Outro dado chama atenção: mesmo diagnosticados e medicados, muitos trabalhadores continuam exercendo suas atividades normalmente, sem afastamento formal.

Outro aspecto que ganha força no debate é a relação entre o adoecimento dos empregados e a sustentabilidade do próprio Saúde Caixa, o plano de saúde dos empregados da Caixa. Diante dos dados alarmantes, defendemos que a discussão sobre o financiamento do plano não pode ser dissociada das condições de trabalho dentro do banco.

Entendemos que a relação entre estes dois fatores está diretamente ligada. Se de um lado pesquisas recentes mostram índices elevados de adoecimento mental entre os empregados da Caixa, associados à pressão por metas, ao medo do descomissionamento e à sobrecarga de trabalho, do outro, o levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre o Saúde Caixa mostra um aumento contínuo da utilização do plano de saúde dos empregados e dos custos assistenciais.

O raciocínio é simples: se o ambiente organizacional da Caixa está contribuindo para o adoecimento dos trabalhadores, é natural que haja maior demanda por atendimento médico, tratamentos, acompanhamento psicológico e outras formas de assistência à saúde.

Diante destas observações, cabe a Caixa, além de adotar medidas para prevenir o adoecimento, também deve assumir maior responsabilidade pela sustentabilidade do Saúde Caixa. Mais do que prestar assistência médica, o fortalecimento do plano de saúde é uma forma de reparar, ainda que parcialmente, os impactos provocados por um modelo de gestão que tem sido apontado como fator de risco para a saúde física e mental dos bancários. 

Apesar de números mostrarem a relação tênue entre adoecimento mental causado pelo modelo de trabalho adotado pelo banco e o aumento no número de atendimento do plano de assistência médica, a gestão do Saúde Caixa anda na contramão desse entendimento. 

Prova disso é que os últimos estudos apresentados pelo Dieese revelam que o plano enfrenta um desequilíbrio estrutural que vem sendo agravado ao longo dos últimos anos. Entre os fatores apontados estão o envelhecimento da carteira, a inflação médica e as limitações impostas pelo teto de custeio de 6,5% da folha salarial, instituído em 2017.

As análises demonstram que, enquanto os custos assistenciais cresceram de forma acelerada, a participação da Caixa no financiamento do plano deixou de acompanhar essa evolução, aumentando gradativamente a parcela arcada pelos beneficiários.

As projeções apresentadas pela própria Caixa indicam que o modelo atual tende a produzir déficits crescentes até 2030. Em contrapartida, simulações realizadas pelo Dieese apontam que a retomada do modelo 70/30 será essencial para restabelecer o equilíbrio financeiro do plano. Além de garantir a sustentabilidade do Saúde Caixa e pôr fim ao déficit existente, essa mudança garantiria um melhor atendimento aos usuários do plano, principalmente com o crescimento do adoecimento mental causado pelo modelo de trabalho adotado pela Caixa.

Mais do que nunca é bom lembrar que de os fatores organizacionais contribuem para o adoecimento, a Caixa não pode limitar sua atuação ao tratamento das consequências, mas, sim, enfrentar as causas do problema e assumir sua parcela de responsabilidade na proteção da saúde dos seus empregados e empregadas. A retomada do modelo 70X30 é mais uma medida fundamental para reparar os danos causados à saúde mental dos empregados causados durante as funções exercidas no ambiente bancário. 

Sergio Takemoto, presidente da Fenae 

Fonte: Fenae

Close