JOÃO SANDRINI
da Folha Online
Após reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 10 pontos percentuais nos últimos sete meses, o Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central) entende agora que resta pouco espaço para cortar ainda mais os juros.
Na ata da reunião do Copom da semana passada, que foi divulgada somente nesta quarta-feira, os diretores do BC –que decidiram na reunião reduzir os juros em 1 ponto percentual, para 16,5% ao ano– deixam claro que serão mais conservadores na condução da política monetária daqui em diante:
“Tendo em vista as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária, o Copom entende que a preservação das importantes conquistas dos últimos meses no combate à inflação e na deflagração do processo de retomada da atividade econômica requer que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida de forma parcimoniosa [não-abundante, simples, modesta, sóbria]”, diz a ata.
Segundo o Copom, o Brasil já vive hoje um momento de recuperação da produção industrial, dos investimentos, do consumo e até da renda. No entanto, como essa recuperação generalizada não se dá de maneira uniforme em todos os segmentos da economia, seria a hora, segundo o Copom, de evitar que os setores que lideram a retomada acabem não conseguindo atender ao aumento da demanda e comecem a elevar preços.
“A política monetária deverá ser implementada de maneira a não sancionar em hipótese alguma o impacto sobre o nível agregado de preços de reajustes elevados em setores que, por estarem liderando o processo de retomada da atividade, se defrontam com um nível relativamente maior de demanda. Só assim será possível assegurar a convergência contínua da inflação para as metas em um contexto de crescimento sustentado da economia”, afirma a ata.
Em relação à inflação, o Copom estima que o IPCA (índice que serve como base para o cálculo das metas) deverá ficar pouco acima de 9%. Para 2004, a estimativa é de que o índice ficaria pouco abaixo da meta (5,5%) se não tivesse sido feito o corte da taxa Selic de 17,5% para 16,5% ao ano na semana passada.
Além disso, o BC afirma que os índices de inflação continuam a mostrar “estabilidade” e não enxerga pressões extraordinárias em dezembro e janeiro. No entanto, o banco alerta que os efeitos dos sete cortes de juros promovidos nos últimos sete meses ainda vão surtir efeito na economia.
“É importante ressaltar uma vez mais que há defasagens importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos sobre o nível de atividade e sobre a inflação. Desde o início do ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa de juros básica já foi reduzida em um total de dez pontos percentuais. Boa parte dos efeitos desse corte significativo de juros ainda não se refletiu no nível de atividade, assim como os efeitos da recente retomada da atividade sobre a inflação também não tiveram tempo de se materializar”, diz o BC.
A próxima reunião do Copom acontece nos dias 20 e 21 de janeiro.
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Por Mhais• 24 de dezembro de 2003• 10:48• Sem categoria
BC VÊ POUCO ESPAÇO PARA NOVAS QUEDAS DE JUROS
JOÃO SANDRINI
da Folha Online
Após reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 10 pontos percentuais nos últimos sete meses, o Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central) entende agora que resta pouco espaço para cortar ainda mais os juros.
Na ata da reunião do Copom da semana passada, que foi divulgada somente nesta quarta-feira, os diretores do BC –que decidiram na reunião reduzir os juros em 1 ponto percentual, para 16,5% ao ano– deixam claro que serão mais conservadores na condução da política monetária daqui em diante:
“Tendo em vista as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária, o Copom entende que a preservação das importantes conquistas dos últimos meses no combate à inflação e na deflagração do processo de retomada da atividade econômica requer que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida de forma parcimoniosa [não-abundante, simples, modesta, sóbria]”, diz a ata.
Segundo o Copom, o Brasil já vive hoje um momento de recuperação da produção industrial, dos investimentos, do consumo e até da renda. No entanto, como essa recuperação generalizada não se dá de maneira uniforme em todos os segmentos da economia, seria a hora, segundo o Copom, de evitar que os setores que lideram a retomada acabem não conseguindo atender ao aumento da demanda e comecem a elevar preços.
“A política monetária deverá ser implementada de maneira a não sancionar em hipótese alguma o impacto sobre o nível agregado de preços de reajustes elevados em setores que, por estarem liderando o processo de retomada da atividade, se defrontam com um nível relativamente maior de demanda. Só assim será possível assegurar a convergência contínua da inflação para as metas em um contexto de crescimento sustentado da economia”, afirma a ata.
Em relação à inflação, o Copom estima que o IPCA (índice que serve como base para o cálculo das metas) deverá ficar pouco acima de 9%. Para 2004, a estimativa é de que o índice ficaria pouco abaixo da meta (5,5%) se não tivesse sido feito o corte da taxa Selic de 17,5% para 16,5% ao ano na semana passada.
Além disso, o BC afirma que os índices de inflação continuam a mostrar “estabilidade” e não enxerga pressões extraordinárias em dezembro e janeiro. No entanto, o banco alerta que os efeitos dos sete cortes de juros promovidos nos últimos sete meses ainda vão surtir efeito na economia.
“É importante ressaltar uma vez mais que há defasagens importantes entre a implementação da política monetária e seus efeitos sobre o nível de atividade e sobre a inflação. Desde o início do ciclo de flexibilização da política monetária, a taxa de juros básica já foi reduzida em um total de dez pontos percentuais. Boa parte dos efeitos desse corte significativo de juros ainda não se refletiu no nível de atividade, assim como os efeitos da recente retomada da atividade sobre a inflação também não tiveram tempo de se materializar”, diz o BC.
A próxima reunião do Copom acontece nos dias 20 e 21 de janeiro.
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