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MASSA SALARIAL DO TRABALHADOR CAIU 4,1% NO ANO PASSADO EM RELAÇÃO A 2002

Valor Econômico – Rodrigo Bittar
A massa salarial do trabalhador da indústria caiu 4,18% no ano passado em relação a 2002. Com os altos níveis de inflação do período e a estagnação dos outros indicadores industriais, a renda no setor apresentou os piores níveis desde 1999.
A informação faz parte do relatório sobre o desempenho industrial em 2003, divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) . Os dados de dezembro também mostram um arrefecimento da retomada da economia no fim do ano.
Segundo o documento, o nível de vendas reais subiu ligeiramente (0,53%), e a quantidade de horas trabalhadas elevou-se em 0,37%.
O dado que mais chamou a atenção do economista Flávio Castelo Branco, chefe da Unidade de Política Econômica da entidade, foi o de pessoal empregado, que aumentou 0,66%. “É um sinal surpreendente e mostra que o mercado de trabalho teve um comportamento ambíguo, com aumento de emprego e queda da remuneração.”
A utilização da capacidade instalada também caiu 0,92% em relação a 2002 e ficou em 79,72%, interrompendo uma série de três anos consecutivos em que o índice superou os 80%. A queda em relação ao ano anterior “revela um ano de fraca atividade industrial”, destacou o economista.
O documento frisa que a indústria iniciou “sua trajetória de recuperação no segundo semestre, sustentada pela melhora dos indicadores econômicos, entre eles a redução continuada dos juros e o controle inflacionário”.
Essa sinalização, no entanto, não foi suficiente para retomar nos mesmos níveis a dinâmica do mercado interno. “O grande desafio agora é promover o crescimento econômico a partir da demanda interna, que foi muito prejudicado pela queda na renda por causa da inflação”, salientou Castelo Branco.
No tocante ao mercado de trabalho, o relatório conclui que o salário do trabalhador sofreu um claro impacto da inflação, que foi amenizado com o ajuste econômico promovido pelo governo no primeiro semestre. “Não se observaram demissões expressivas nem no primeiro semestre, quando as vendas industriais declinaram”.
Em outro trecho, o relatório da CNI lembra que em dezembro houve uma redução do pessoal empregado em 0,44% no indicador dessazonalizado. Flávio Castelo Branco considerou esse resultado para o mês um sinal de que as expectativas geradas no início do ano pelo novo governo começaram a mudar.
“Muita gente deixou de demitir no início do ano pensando que o quadro iria mudar com o novo governo. Como muita coisa não aconteceu, em dezembro fez-se um ajuste”, disse.
O economista da CNI traçou projeções para este ano e declarou que é fundamental que o Comitê de Política Monetária (Copom) retome a trajetória de queda nos juros básicos, interrompida na reunião de janeiro. “Tudo vai depender do Copom.
A queda de dez pontos percentuais no ano passado ainda não foi totalmente absorvida pelo mercado, mas a retomada da trajetória é um indicador importante para as perspectivas de longo prazo”, concluiu. A partir da nova taxa que será definida pelo comitê, a CNI poderá rever suas projeções de crescimento.

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MASSA SALARIAL DO TRABALHADOR CAIU 4,1% NO ANO PASSADO EM RELAÇÃO A 2002

Valor Econômico – Rodrigo Bittar

A massa salarial do trabalhador da indústria caiu 4,18% no ano passado em relação a 2002. Com os altos níveis de inflação do período e a estagnação dos outros indicadores industriais, a renda no setor apresentou os piores níveis desde 1999.

A informação faz parte do relatório sobre o desempenho industrial em 2003, divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) . Os dados de dezembro também mostram um arrefecimento da retomada da economia no fim do ano.

Segundo o documento, o nível de vendas reais subiu ligeiramente (0,53%), e a quantidade de horas trabalhadas elevou-se em 0,37%.

O dado que mais chamou a atenção do economista Flávio Castelo Branco, chefe da Unidade de Política Econômica da entidade, foi o de pessoal empregado, que aumentou 0,66%. “É um sinal surpreendente e mostra que o mercado de trabalho teve um comportamento ambíguo, com aumento de emprego e queda da remuneração.”

A utilização da capacidade instalada também caiu 0,92% em relação a 2002 e ficou em 79,72%, interrompendo uma série de três anos consecutivos em que o índice superou os 80%. A queda em relação ao ano anterior “revela um ano de fraca atividade industrial”, destacou o economista.

O documento frisa que a indústria iniciou “sua trajetória de recuperação no segundo semestre, sustentada pela melhora dos indicadores econômicos, entre eles a redução continuada dos juros e o controle inflacionário”.

Essa sinalização, no entanto, não foi suficiente para retomar nos mesmos níveis a dinâmica do mercado interno. “O grande desafio agora é promover o crescimento econômico a partir da demanda interna, que foi muito prejudicado pela queda na renda por causa da inflação”, salientou Castelo Branco.

No tocante ao mercado de trabalho, o relatório conclui que o salário do trabalhador sofreu um claro impacto da inflação, que foi amenizado com o ajuste econômico promovido pelo governo no primeiro semestre. “Não se observaram demissões expressivas nem no primeiro semestre, quando as vendas industriais declinaram”.

Em outro trecho, o relatório da CNI lembra que em dezembro houve uma redução do pessoal empregado em 0,44% no indicador dessazonalizado. Flávio Castelo Branco considerou esse resultado para o mês um sinal de que as expectativas geradas no início do ano pelo novo governo começaram a mudar.

“Muita gente deixou de demitir no início do ano pensando que o quadro iria mudar com o novo governo. Como muita coisa não aconteceu, em dezembro fez-se um ajuste”, disse.

O economista da CNI traçou projeções para este ano e declarou que é fundamental que o Comitê de Política Monetária (Copom) retome a trajetória de queda nos juros básicos, interrompida na reunião de janeiro. “Tudo vai depender do Copom.

A queda de dez pontos percentuais no ano passado ainda não foi totalmente absorvida pelo mercado, mas a retomada da trajetória é um indicador importante para as perspectivas de longo prazo”, concluiu. A partir da nova taxa que será definida pelo comitê, a CNI poderá rever suas projeções de crescimento.

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