A saída de Cássio Casseb Lima do Banco do Brasil é só o começo das mudanças que o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) pretende fazer para acabar com a guerra aberta dentro da instituição. O próximo a ser destituído é o vice-presidente de Varejo e Distribuição, Edson Monteiro -segundo mais importante na hierarquia do banco, apurou a Folha.
Palocci quer também separar a área de governo da de agronegócios, para criar uma nova vice-presidência, segundo informações obtidas pela Folha. Apesar de o ministro não ser simpático à idéia, o posto pode entrar na cota da reforma ministerial, sendo cedido ao PMDB.
Indicado como interino para o lugar de Casseb, o vice-presidente da área Internacional, Rossano Maranhão, deverá ser confirmado como presidente efetivo da instituição financeira.
Depois de testar a reação dos funcionários e do mercado financeiro ao nome de Maranhão, Palocci pretende anunciá-lo como presidente definitivo, uma vez que os sinais foram positivos (as ações do banco subiram 4% na Bolsa de Valores no dia em que ele foi nomeado para o cargo).
A queda de Monteiro -funcionário do banco há 28 anos- é reivindicada por vários setores dentro da instituição e também pela ala petista ligada ao sindicalismo bancário, a mesma que acabou por conseguir derrubar Casseb na semana passada.
Nos últimos meses, a relação de Monteiro com outros vice-presidentes, diretores e funcionários de médio escalão se deteriorou muito. Segundo a Folha apurou, o próprio Maranhão não gostaria de trabalhar mais com Monteiro no posto que ocupa.
Os superintendentes indicados pelo vice-presidente de Varejo não teriam mais controle sobre os escalões inferiores, que os estariam boicotando em retaliação a Monteiro.
Hoje, Ricardo Conceição, também funcionário do banco, comanda duas das áreas mais importantes, a de agronegócios e governo, concentradas numa mesma vice-presidência. A parte de governo cresceu muito nos últimos anos.
Além de cuidar do dinheiro da União (depositado no BB), é responsável também por administrar as taxas municipais e IPTU (Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana) captados por cerca de 2.000 prefeituras que têm convênio com o banco.
Segundo a Folha apurou, a área de governo seria de grande interesse do PMDB, devido à sua capilaridade no interior do país, reduto dos peemedebistas. A de agronegócios continuaria com Conceição.
O apoio do PMDB é importante no campo político, pois garante ao governo maioria na Câmara e no Senado -e, em tese, maior facilidade para aprovar projetos de seu interesse que tramitam no Congresso Nacional.
Sucessão
O nome de Maranhão foi uma escolha de caráter conservador por Palocci. O ministro queria evitar uma “partidarização” da instituição, por isso preferiu não indicar alguém do PT, apesar da pressão de vários executivos e funcionários do banco em defesa do nome de Ricardo Berzoini, ministro do Trabalho.
Deputado eleito pelo PT paulista, Berzoini é funcionário de carreira do BB com fortes raízes no sindicalismo. Chegou a ser presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, o maior e mais influente do país.
Segundo a Folha apurou, Berzoini prefere continuar como ministro do Trabalho, mas não recusaria a indicação se recebesse convite do Palácio do Planalto como uma espécie de missão para tornar o banco mais eficiente. Antes de assumir a pasta, Berzoini foi ministro da Previdência.
A queda de Casseb se deveu a uma série de fatores. Primeiro, o desgaste com as denúncias levantadas no decorrer da CPI do Banestado de que teria enviado dinheiro irregularmente para o exterior, fato negado por ele.
Depois, a compra de ingressos pelo banco para o show da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, cuja arrecadação seria revertida para o PT comprar uma nova em São Paulo. O responsável pela compra foi o diretor de Marketing do banco, Henrique Pizzollato, ex-sindicalista ligado ao PT. Após a denúncia, o dinheiro foi devolvido ao banco pelo restaurante onde aconteceu o show.
Por último, a informação noticiada pela Folha, no dia em que pediu demissão (na terça-feira da semana passada), da contratação de três consultores conhecidos seus, por salários anuais de até R$ 820 mil, sem licitação.
O último evento foi a gota d”água para Casseb e para integrantes do governo. O ex-presidente do BB teria recebido um recado do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, de que sua situação poderia ficar insustentável com mais uma denúncia. Antes mesmo de a reportagem da Folha ter sido publicada, Dirceu foi informado do conteúdo da notícia.
Casseb teria ouvido muitos elogios sobre sua competência e trabalho realizado no banco, mas também que teria, mais uma vez, de apagar
incêndio. Decidiu, então, que era realmente a hora de sair do cargo.
Fonte: Folha de São Paulo – Leonardo Souza
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Por Mhais• 22 de novembro de 2004• 10:25• Sem categoria
Reformulação do BB não pára com a saída de Casseb
A saída de Cássio Casseb Lima do Banco do Brasil é só o começo das mudanças que o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) pretende fazer para acabar com a guerra aberta dentro da instituição. O próximo a ser destituído é o vice-presidente de Varejo e Distribuição, Edson Monteiro -segundo mais importante na hierarquia do banco, apurou a Folha.
Palocci quer também separar a área de governo da de agronegócios, para criar uma nova vice-presidência, segundo informações obtidas pela Folha. Apesar de o ministro não ser simpático à idéia, o posto pode entrar na cota da reforma ministerial, sendo cedido ao PMDB.
Indicado como interino para o lugar de Casseb, o vice-presidente da área Internacional, Rossano Maranhão, deverá ser confirmado como presidente efetivo da instituição financeira.
Depois de testar a reação dos funcionários e do mercado financeiro ao nome de Maranhão, Palocci pretende anunciá-lo como presidente definitivo, uma vez que os sinais foram positivos (as ações do banco subiram 4% na Bolsa de Valores no dia em que ele foi nomeado para o cargo).
A queda de Monteiro -funcionário do banco há 28 anos- é reivindicada por vários setores dentro da instituição e também pela ala petista ligada ao sindicalismo bancário, a mesma que acabou por conseguir derrubar Casseb na semana passada.
Nos últimos meses, a relação de Monteiro com outros vice-presidentes, diretores e funcionários de médio escalão se deteriorou muito. Segundo a Folha apurou, o próprio Maranhão não gostaria de trabalhar mais com Monteiro no posto que ocupa.
Os superintendentes indicados pelo vice-presidente de Varejo não teriam mais controle sobre os escalões inferiores, que os estariam boicotando em retaliação a Monteiro.
Hoje, Ricardo Conceição, também funcionário do banco, comanda duas das áreas mais importantes, a de agronegócios e governo, concentradas numa mesma vice-presidência. A parte de governo cresceu muito nos últimos anos.
Além de cuidar do dinheiro da União (depositado no BB), é responsável também por administrar as taxas municipais e IPTU (Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana) captados por cerca de 2.000 prefeituras que têm convênio com o banco.
Segundo a Folha apurou, a área de governo seria de grande interesse do PMDB, devido à sua capilaridade no interior do país, reduto dos peemedebistas. A de agronegócios continuaria com Conceição.
O apoio do PMDB é importante no campo político, pois garante ao governo maioria na Câmara e no Senado -e, em tese, maior facilidade para aprovar projetos de seu interesse que tramitam no Congresso Nacional.
Sucessão
O nome de Maranhão foi uma escolha de caráter conservador por Palocci. O ministro queria evitar uma “partidarização” da instituição, por isso preferiu não indicar alguém do PT, apesar da pressão de vários executivos e funcionários do banco em defesa do nome de Ricardo Berzoini, ministro do Trabalho.
Deputado eleito pelo PT paulista, Berzoini é funcionário de carreira do BB com fortes raízes no sindicalismo. Chegou a ser presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, o maior e mais influente do país.
Segundo a Folha apurou, Berzoini prefere continuar como ministro do Trabalho, mas não recusaria a indicação se recebesse convite do Palácio do Planalto como uma espécie de missão para tornar o banco mais eficiente. Antes de assumir a pasta, Berzoini foi ministro da Previdência.
A queda de Casseb se deveu a uma série de fatores. Primeiro, o desgaste com as denúncias levantadas no decorrer da CPI do Banestado de que teria enviado dinheiro irregularmente para o exterior, fato negado por ele.
Depois, a compra de ingressos pelo banco para o show da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, cuja arrecadação seria revertida para o PT comprar uma nova em São Paulo. O responsável pela compra foi o diretor de Marketing do banco, Henrique Pizzollato, ex-sindicalista ligado ao PT. Após a denúncia, o dinheiro foi devolvido ao banco pelo restaurante onde aconteceu o show.
Por último, a informação noticiada pela Folha, no dia em que pediu demissão (na terça-feira da semana passada), da contratação de três consultores conhecidos seus, por salários anuais de até R$ 820 mil, sem licitação.
O último evento foi a gota d”água para Casseb e para integrantes do governo. O ex-presidente do BB teria recebido um recado do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, de que sua situação poderia ficar insustentável com mais uma denúncia. Antes mesmo de a reportagem da Folha ter sido publicada, Dirceu foi informado do conteúdo da notícia.
Casseb teria ouvido muitos elogios sobre sua competência e trabalho realizado no banco, mas também que teria, mais uma vez, de apagar
incêndio. Decidiu, então, que era realmente a hora de sair do cargo.
Fonte: Folha de São Paulo – Leonardo Souza
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