O governo brasileiro faz hoje a sua primeira captação de dívida externa em moeda nacional. A operação foi iniciada nesta manhã e os títulos vencem em 2016.
“O Tesouro Nacional informa que iniciou emissão de bônus da República denominado em reais com vencimento em 2016”, diz a instituição em nota.
Empresas privadas, como o banco Votorantim, já realizaram emissão de títulos em reais, mas isso nunca foi feito pelo governo federal.
A vantagem para o governo de uma emissão desse tipo é ficar livre do risco cambial –ou de fortes oscilações na cotação do dólar– na hora de fazer o pagamento da dívida.
A operação começou a ser estruturada na semana passada, quando o Tesouro decidiu que os bancos JP Morgan e Goldman Sachs iriam liderar a emissão. Além disso, o Itaú foi escolhido como “co-manager” –figura pouco usada nas emissões brasileiras, mas que, para o governo, pode agregar mais demanda à operação.
Em 2006 e 2007, o governo pretende captar US$ 9 bilhões. Desse montante, o Tesouro já emitiu US$ 1 bilhão.
O valor da operação de hoje e quanto será a taxa de retorno ao investidor deverá ser anunciada no final do dia.
O governo decidiu para fazer essa captação agora para aproveitar o bom momento que vive no mercado internacional. O risco-país brasileiro está em torno de 370 pontos, patamar similiar ao de 1997.
Além disso, esses recursos ajudarão o governo a se precaver de um possível contágio na economia da crise política, iniciada em junho, com a denúncia de suposto pagamento de “mensalão” a deputados da base aliada.
A emissão de títulos denominados em reais não significa que os investidores estrangeiros terão que comprar reais para adquirir os papéis. No dia da liquidação da operação eles pagarão em dólares o equivalente aos títulos comprados. O mesmo irá ocorrer no vencimento dos títulos –receberão em moeda estrangeira convertida pela cotação do dia.
Além disso, o fato de o Itaú poder participar da operação não significa que brasileiros poderão comprar os títulos da dívida externa. Para comprar os papéis é necessário residir no exterior ou o pagamento deve ser feito com recursos de fora do país.
Quanto mais o governo emite títulos, mais cresce sua dívida externa. No entanto, ao trazer dólares do exterior para pagar sua dívida, o governo também protege as reservas internacionais do Banco Central, que servem como garantia aos investidores de que o país pagará sua dívida em momentos de turbulência econômica internacional.
Fonte: www.folha.com.br
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Por Mhais• 19 de setembro de 2005• 11:18• Sem categoria
Governo inicia primeira captação externa em reais da história
O governo brasileiro faz hoje a sua primeira captação de dívida externa em moeda nacional. A operação foi iniciada nesta manhã e os títulos vencem em 2016.
“O Tesouro Nacional informa que iniciou emissão de bônus da República denominado em reais com vencimento em 2016”, diz a instituição em nota.
Empresas privadas, como o banco Votorantim, já realizaram emissão de títulos em reais, mas isso nunca foi feito pelo governo federal.
A vantagem para o governo de uma emissão desse tipo é ficar livre do risco cambial –ou de fortes oscilações na cotação do dólar– na hora de fazer o pagamento da dívida.
A operação começou a ser estruturada na semana passada, quando o Tesouro decidiu que os bancos JP Morgan e Goldman Sachs iriam liderar a emissão. Além disso, o Itaú foi escolhido como “co-manager” –figura pouco usada nas emissões brasileiras, mas que, para o governo, pode agregar mais demanda à operação.
Em 2006 e 2007, o governo pretende captar US$ 9 bilhões. Desse montante, o Tesouro já emitiu US$ 1 bilhão.
O valor da operação de hoje e quanto será a taxa de retorno ao investidor deverá ser anunciada no final do dia.
O governo decidiu para fazer essa captação agora para aproveitar o bom momento que vive no mercado internacional. O risco-país brasileiro está em torno de 370 pontos, patamar similiar ao de 1997.
Além disso, esses recursos ajudarão o governo a se precaver de um possível contágio na economia da crise política, iniciada em junho, com a denúncia de suposto pagamento de “mensalão” a deputados da base aliada.
A emissão de títulos denominados em reais não significa que os investidores estrangeiros terão que comprar reais para adquirir os papéis. No dia da liquidação da operação eles pagarão em dólares o equivalente aos títulos comprados. O mesmo irá ocorrer no vencimento dos títulos –receberão em moeda estrangeira convertida pela cotação do dia.
Além disso, o fato de o Itaú poder participar da operação não significa que brasileiros poderão comprar os títulos da dívida externa. Para comprar os papéis é necessário residir no exterior ou o pagamento deve ser feito com recursos de fora do país.
Quanto mais o governo emite títulos, mais cresce sua dívida externa. No entanto, ao trazer dólares do exterior para pagar sua dívida, o governo também protege as reservas internacionais do Banco Central, que servem como garantia aos investidores de que o país pagará sua dívida em momentos de turbulência econômica internacional.
Fonte: www.folha.com.br
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