Em entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores, Artur Henrique da Silva Santos, reafirma o papel da CUT na batalha deste início de ano pelas verbas do Orçamento da União, a ação da Central no Fórum Social Mundial (FSM) e a importância da mobilização conjunta com os movimentos sociais para fazer avançar o projeto democrático-popular e barrar o retrocesso neoliberal representado eleitoralmente pelo PSDB e PFL.
O ano de 2005 terminou com marchas e mobilizações em Brasília. Qual é a pauta para 2006?
Já no começo deste ano temos uma reunião das centrais na próxima terça (dia 10) e uma reunião com o governo na quarta (11), onde reforçaremos a posição da CUT de que é preciso uma política de valorização permanente do salário mínimo, com aumento condizente, o reajuste da tabela do Imposto de Renda e a redução da jornada para 40 horas semanais sem diminuição de salário. Neste sentido programamos para o Dia Nacional dos Aposentados, 24 de janeiro, em Brasília, um Seminário de lideranças sindicais, envolvendo além de aposentados e pensionistas aquelas categorias nas quais o mínimo tem grande peso. O objetivo é ampliar a pressão sobre deputados e senadores para vencer a disputa pelas verbas do Orçamento da União. Queremos garantir a pauta dos trabalhadores conquistando mais verbas para políticas sociais e a valorização dos servidores públicos.
Será um ano de intensas batalhas, tanto do ponto de vista do movimento social como da própria agenda eleitoral…
Com certeza, a agenda do ano eleitoral dominará o ano, com a posição da CUT em relação ao governo Lula sendo amplamente debatida no nosso 9º congresso, em junho. Nas conversas que estamos tendo nas várias reuniões da executiva e da direção da Central prevalece a visão de que o que está em jogo mais uma vez é o embate entre dois projetos antagônicos, duas concepções completamente distintas. De um lado, temos o retrocesso, a volta às políticas neoliberais implantadas nos oito anos de governo Fernando Henrique. Querem vender o que não conseguiram, Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, terminar o serviço, retirando do país seus instrumentos de política econômica, sua capacidade de investimento. Esse lado é representado pelo PSDB e pelo PFL. Do outro, temos a continuidade de um projeto representado pelo presidente Lula, mas que também necessita de mudanças.
A reeleição de Lula é ao mesmo tempo afirmação e contraponto?
Temos a avaliação clara de que para barrarmos o retrocesso e garantir a reeleição de Lula é preciso pressionar pelas mudanças que os trabalhadores vêm exigindo desde o início do governo, como a redução dos juros e do superávit primário, a fim de que o país disponha do volume de recursos necessário para um crescimento sustentável, com geração de milhões de empregos e fortalecimento cada vez maior da renda e da justiça social. Na verdade, temos como bastante provável um cenário onde há possibilidade do governo Lula vencer com um apoio parlamentar limitado. Numa situação como essa, os movimentos sociais têm um papel fundamental na aliança preferencial que deve ser feita. Para a consolidação dessa aliança, será decisivo que o governo tome decisões que fortaleçam a distribuição de renda, que apontem claramente para a construção de um modelo econômico mais vinculado às necessidades do povo e do país.
De 24 a 29 de janeiro será realizado em Caracas o Fórum Social das Américas, um capítulo continental do Fórum Social Mundial. Como será a participação da CUT neste importante evento?
Como nos outros fóruns, a intervenção da CUT vem se dando em dois grandes eixos. Inicialmente, na articulação com o movimento sindical e social mundial, mais especificamente na América Latina, buscando construir alternativas e projetos comuns que fortaleçam a visão de integração, de soberania dos povos, de luta contra o imperialismo norte-americano e a ação das multinacionais. Um segundo eixo de intervenção tem sido historicamente nossa iniciativa de realizar oficinas, atividades e seminários envolvendo questões de interesse do movimento sindical, tendo em vista a amplitude do evento. Entre os vários temas que merecem destaque encontram-se a democratização dos meios de comunicação; a Secretaria de Políticas Sociais realizará atividades relacionadas ao combate à discriminação racial e também contra o trabalho infantil; a Secretaria de Políticas Sindicais desenvolverá atividades voltadas para o combate à violência contra os trabalhadores e a organização sindical e a Secretaria Nacional de Organização ampliará o debate sobre o tema da liberdade e da autonomia sindical.
Fonte: CUT
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Por Mhais• 5 de janeiro de 2006• 15:26• Sem categoria
“Garantir mais recursos para as políticas sociais” diz Artur
Em entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores, Artur Henrique da Silva Santos, reafirma o papel da CUT na batalha deste início de ano pelas verbas do Orçamento da União, a ação da Central no Fórum Social Mundial (FSM) e a importância da mobilização conjunta com os movimentos sociais para fazer avançar o projeto democrático-popular e barrar o retrocesso neoliberal representado eleitoralmente pelo PSDB e PFL.
O ano de 2005 terminou com marchas e mobilizações em Brasília. Qual é a pauta para 2006?
Já no começo deste ano temos uma reunião das centrais na próxima terça (dia 10) e uma reunião com o governo na quarta (11), onde reforçaremos a posição da CUT de que é preciso uma política de valorização permanente do salário mínimo, com aumento condizente, o reajuste da tabela do Imposto de Renda e a redução da jornada para 40 horas semanais sem diminuição de salário. Neste sentido programamos para o Dia Nacional dos Aposentados, 24 de janeiro, em Brasília, um Seminário de lideranças sindicais, envolvendo além de aposentados e pensionistas aquelas categorias nas quais o mínimo tem grande peso. O objetivo é ampliar a pressão sobre deputados e senadores para vencer a disputa pelas verbas do Orçamento da União. Queremos garantir a pauta dos trabalhadores conquistando mais verbas para políticas sociais e a valorização dos servidores públicos.
Será um ano de intensas batalhas, tanto do ponto de vista do movimento social como da própria agenda eleitoral…
Com certeza, a agenda do ano eleitoral dominará o ano, com a posição da CUT em relação ao governo Lula sendo amplamente debatida no nosso 9º congresso, em junho. Nas conversas que estamos tendo nas várias reuniões da executiva e da direção da Central prevalece a visão de que o que está em jogo mais uma vez é o embate entre dois projetos antagônicos, duas concepções completamente distintas. De um lado, temos o retrocesso, a volta às políticas neoliberais implantadas nos oito anos de governo Fernando Henrique. Querem vender o que não conseguiram, Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, terminar o serviço, retirando do país seus instrumentos de política econômica, sua capacidade de investimento. Esse lado é representado pelo PSDB e pelo PFL. Do outro, temos a continuidade de um projeto representado pelo presidente Lula, mas que também necessita de mudanças.
A reeleição de Lula é ao mesmo tempo afirmação e contraponto?
Temos a avaliação clara de que para barrarmos o retrocesso e garantir a reeleição de Lula é preciso pressionar pelas mudanças que os trabalhadores vêm exigindo desde o início do governo, como a redução dos juros e do superávit primário, a fim de que o país disponha do volume de recursos necessário para um crescimento sustentável, com geração de milhões de empregos e fortalecimento cada vez maior da renda e da justiça social. Na verdade, temos como bastante provável um cenário onde há possibilidade do governo Lula vencer com um apoio parlamentar limitado. Numa situação como essa, os movimentos sociais têm um papel fundamental na aliança preferencial que deve ser feita. Para a consolidação dessa aliança, será decisivo que o governo tome decisões que fortaleçam a distribuição de renda, que apontem claramente para a construção de um modelo econômico mais vinculado às necessidades do povo e do país.
De 24 a 29 de janeiro será realizado em Caracas o Fórum Social das Américas, um capítulo continental do Fórum Social Mundial. Como será a participação da CUT neste importante evento?
Como nos outros fóruns, a intervenção da CUT vem se dando em dois grandes eixos. Inicialmente, na articulação com o movimento sindical e social mundial, mais especificamente na América Latina, buscando construir alternativas e projetos comuns que fortaleçam a visão de integração, de soberania dos povos, de luta contra o imperialismo norte-americano e a ação das multinacionais. Um segundo eixo de intervenção tem sido historicamente nossa iniciativa de realizar oficinas, atividades e seminários envolvendo questões de interesse do movimento sindical, tendo em vista a amplitude do evento. Entre os vários temas que merecem destaque encontram-se a democratização dos meios de comunicação; a Secretaria de Políticas Sociais realizará atividades relacionadas ao combate à discriminação racial e também contra o trabalho infantil; a Secretaria de Políticas Sindicais desenvolverá atividades voltadas para o combate à violência contra os trabalhadores e a organização sindical e a Secretaria Nacional de Organização ampliará o debate sobre o tema da liberdade e da autonomia sindical.
Fonte: CUT
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