(Fortaleza) A venda do BEC, da forma como aconteceu, com a decisão da ministra Ellen Gracie divulgada apenas 14 minutos antes do horário marcado para o leilão, surpreendeu o Sindicato dos Bancários do Ceará. “Não era nossa expectativa e isso só leva a creditar que prevaleceu a decisão política no STF, em vez de um posicionamento jurídico”, avaliou o presidente da entidade, Marcos Saraiva.
Saraiva lembrou que o sindicato “lutou arduamente durante 11 anos contra a venda do BEC”. Agora, a entidade vai tentar negociar como novo dono, o Bradesco, para garantir a manutenção dos direitos dos becistas.
CABEC – Outro ponto de negociação entre o sindicato e o novo controlador do BEC diz respeito à cobertura do déficit atuarial da Caixa de Previdência dos servidores do banco (Cabec). Conforme Saraiva, a entidade vai negociar para que o Bradesco cubra o rombo de R$ 70 milhões. “São recursos assegurados aos becistas aposentados e aos pensionistas. Inclusive, muitas mulheres de ex-funcionários sobrevivem dos proventos da Cabec”.
CULPA – Questionado sobre a falta de interesse político do Governo Lula de impedir a transferência do controle acionário do BEC para a iniciativa privada, o sindicalista reconhece o desinteresse. “O Governo Lula poderia ter ajudado também, fazendo estudos sobre a incorporação do BEC pelo BNB (Banco do Nordeste), assim como do abatimento da dívida do Estado com a União”, disse.
Fonte: Diário do Nordeste