O consórcio formado pela Diebold Procomp – empresa americana de automação comercial – e o Bradesco foi o vencedor da quarta e última licitação do megaprojeto da Caixa Econômica Federal (CEF) para equipar sua rede de lotéricas. A Diebold vai fornecer 25 mil terminais de aposta e pagamento de contas para as nove mil lotéricas da CEF. O preço final é de R$ 213 milhões, o que representa uma economia de 54% para a CEF em relação ao preço fixado inicialmente. Os equipamentos serão fornecidos em formado de leasing, numa operação a cargo do Bradesco.

O leilão, ocorrido no dia 17, demorou 13 horas e teve mais de mil lances. Dos cinco consórcios participantes, três foram classificados. A competição, no entanto, ficou polarizada entre o consórcio formado pela Itautec e o banco Itaú e a aliança Diebold/Bradesco, que saiu vencedora.

O contrato tem uma importância significativa para a Diebold, tanto do ponto de vista financeiro quanto estratégico. Em dólar, trata-se do segundo maior negócio da empresa no Brasil, desde que ela começou a atuar no país, há 20 anos. O montante corresponde a US$ 80 milhões, só inferior ao acordo de US$ 115 milhões (em valores atualizados) fechado em 2000, para o fornecimento de 196 mil urnas eletrônicas.

“Sempre que ganhamos um projeto especial há um reflexo direto no faturamento”, diz João Abud Junior, presidente da Diebold Procomp. A previsão é de que o acordo vai elevar a receita em 15% em 2005 e mais 15% no ano que vem. Mesmo em relação à receita global da companhia, de US$ 2,5 bilhões, o contrato representa um acréscimo de 3%.

Para o Bradesco, esse também foi um dos maiores contratos dos últimos dois anos e o maior de 2005, informa Cristiano Belfort, diretor executivo do banco. “Uma operação desse porte não se faz todo dia”, observa ele.

Do ponto de vista estratégico, a vitória no leilão abre espaço para a Diebold – que se concentra na automação de agências bancárias e na produção de caixas eletrônicos – entrar em um novo segmento, o de terminais para loterias, e, mais tarde, exportar o conceito para outros países.

Foi isso o que ocorreu no caso das urnas eletrônicas, diz Abud. Até ganhar a concorrência brasileira, a Diebold nunca havia produzido esse tipo de equipamento. Hoje, a empresa fornece os aparelhos nos Estados Unidos, afirma o executivo. O projeto é diferente do brasileiro, mas a inspiração partiu daqui, afirma o executivo. “Temos 50% do mercado americano, considerando os estados em que há votação eletrônica.”

Os terminais serão fabricados em Manaus, onde a Diebold emprega cerca de 200 pessoas em duas fábricas, uma delas dedicada especificamente à produção de cofres para caixas automáticos. A previsão é de ocorrer um acréscimo temporário entre 10% e 15% do número de funcionários que trabalham diretamente na produção.

A fábrica, porém, não deverá passar por grandes mudanças. “Existe bastante flexibilidade na produção”, diz Abud. Como exemplo, ele conta que no ano passado a empresa conseguiu produzir, em quatro meses e meio, as 75 mil urnas eletrônicas previstas em outra licitação vencida pela empresa.

Os terminais ficarão prontos 15 dias antes da data marcada para entrar em funcionamento. Pelo cronograma original, a instalação vai concentrar-se entre setembro deste ano e maio de 2006. Antes disso, está previsto um projeto piloto em maio e junho, ambos em Brasília.

Com o resultado da licitação, a CEF encerra uma longa pendência em relação à sua rede de lotéricas. As quatro empresas vencedoras substituirão a americana Gtech, que era a fornecedora única da CEF na área de loterias. Em 2000, quando a CEF propôs um novo modelo de fornecimento, a Gtech entrou com um processo na Justiça, alegando que o formato a impedia de concorrer. A empresa ganhou e, desde então, teve o contrato renovado duas vezes. O atual termina em maio. O valor original das licitações estava estimado em R$ 1,24 bilhão, mas a CEF vai gastar R$ 678 milhões, o equivalente a uma economia de 45%.

Fonte: Valor Econômico – João Luiz Rosa e Taís Fuoco

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