Em janeiro de 2021, o então presidente do Banco do Brasil, André Brandão, soltou uma notícia que caiu como uma bomba no meio bancário: a de que o BB passaria por uma “reestruturação”. Em um primeiro momento, pode parecer bom, interessante. Contudo, quem é do meio sindical sabe muito bem que esta medida não passa de mais um golpe deste governo contra o patrimônio público. A palavra certa aqui não é “reestruturação”, mas sim “sucateamento”.

Para entender melhor o que o nefasto governo atual quer fazer com um banco bicentenário, siga o fio: a “ideia” prevê mudanças em 870 pontos de atendimento por meio do fechamento de agências, postos de atendimento e escritórios e a conversão de 243 agências em postos. Como se isso não fosse o suficiente, estão previstas a transformação de oito postos de atendimento em agências, de 145 unidades de negócios em Lojas B, em que estas serão exclusivas para negócios com clientes do BB, porém, sem qualquer tipo de contato pessoal, obrigando o cliente a se auto-atender, e sem atendimento para não clientes do banco. Ou seja, os gestores do BB deste governo federal querem se livrar da função pública do BB, que é atender a população.

Achou pouco? Calma, tem mais. O “sucateamento” do Banco do Brasil prevê ainda a demissão de 5,5 mil trabalhadores e trabalhadoras. Tem noção disso? Em plena pandemia, em que mais de 330 mil pessoas perderam a vida, o governo federal quer fechar postos de trabalho.

PREJUÍZO PARA A POPULAÇÃO

O que isso vai gerar? Com menos agências e menos funcionários, teremos, obviamente, filas maiores, trabalhadores do banco mais estressados e correntistas do BB mais irritados com a demora no atendimento. Com um serviço precário, o governo irá se ouriçar todo para privatizar o Banco do Brasil, sua meta desde o fatídico dia em que assumiu o governo federal.

PREJUÍZO À AGRICULTURA

Agora, senhoras e senhores, vocês têm noção do desastre que será para o Brasil com uma privatização do BB? Para quem (ainda) não sabe, o Banco do Brasil é o banco da agricultura familiar. Duvida? Veja os números. O BB, sozinho, é responsável por 54,1% de todo crédito do agronegócio de saldo em dezembro de 2020. Para este ano, o Banco do Brasil anunciou R$ 103 bilhões, dos quais R$ 60 bi serão para custeio, R$ 14,2 bi para comercialização e outras finalidades, R$ 17,5 bi para investimentos e R$ 10,3 bi para empresas do setor.

O BB também realizou no ano passado a 1.ª Feira Virtual Agro, ação que impulsionou o setor de máquinas e equipamentos para o homem do campo, com R$ 117 milhões em financiamentos.

Foi feito ainda o Seguro Agrícola Pronaf, que beneficiou quase nove mil produtores rurais com mais de 240 mil hectares cobertos e R$ 76 milhões em importância  segurada.

Outro dado importante: mais de 70% dos alimentos que chegam na mesa dos brasileiros vêm da agricultura familiar, cujo principal fiador é, olha só, o Banco do Brasil.

Então, diante destes números,  podemos ter uma certeza: a de que uma possível privatização do Banco do Brasil traria sérios problemas para a agricultura familiar. Ou vocês acreditam que bancos privados teriam juros mais atrativos? Isso também resultaria em alta nos alimentos, que já se encontram em um valor bem acima do normal.

SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL E SOCIAL – UMA REALIDADE E  NÃO PROPAGANDA

Nem só de agricultura vive o BB. O banco também apoia investimentos em inovação tecnológica atrelada à sustentabilidade ambiental; financia a construção de armazéns; apoia a recuperação dos solos, possui uma linha de crédito para as seringueiras; financia a energia renovável; subsidia ações da Defesa Civil em situações de calamidade; auxilia os municípios e os estados, tem uma linha de crédito para financiar caminhões novos para produtores rurais, financia empreendimentos do Minha Casa Minha Vida, o Fies e concede o Crédito Acessibilidade, voltado para as Pessoas com Deficiência. Isso para citar apenas alguns exemplos.

O BB ESTÁ ONDE OS BANCOS PRIVADOS DESPREZAM

O Banco do Brasil está presente em 99,6% dos municípios brasileiros, seja por meio das agências, postos de atendimento ou correspondente exclusivo. De acordo com informações do Banco Central, dos 5.590 municípios brasileiros, 60,2% contam com uma ou mais agências bancárias. 950 municípios (17%) são atendidos apenas por bancos públicos. Já imaginaram o caos que seria estas pequenas cidades sem a presença de uma agência bancária?

Portanto, diante de uma possibilidade real de privatizar o Banco do Brasil, a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec-CUT-PR) e seus sindicatos filiados (Curitiba, Apucarana, Arapoti, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Guarapuava, Londrina, Paranavaí, Toledo e Umuarama), pedem para que os deputados paranaenses abracem a campanha para salvar o BB de uma tragédia. Encampem esta luta antes que seja tarde demais.

AUDIÊNCIA PÚBLICA

No próximo dia 13, a Fetec e seus sindicatos irão participar de uma audiência pública da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep) sobre o futuro do Banco do Brasil. Por conta da pandemia, o evento será feito de forma virtual, pelo aplicativo Zoom. O evento começa às 9h.

Texto: Flávio Augusto Laginski

Fonte: Fetec

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