Em entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, o secretário nacional de Comunicação da CUT e membro da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), Antonio Carlos Spis, avalia o ano em curso como “decisivo para a afirmação de um novo caminho de desenvolvimento, com mudanças na política econômica que caracterizem o início de um ciclo de crescimento onde a prioridade número um seja a geração de empregos, não os índices macroeconômicos”. Spis sublinhou a importância da democratização dos meios de comunicação, “com o necessário fortalecimento das rádios e tevês comunitárias, populares e educativas como um canal direto de diálogo com a sociedade, para que o governo não fique refém dos grandes meios”. “Com unidade e mobilização, faremos de 2006 um marco de luta em defesa do Brasil e de todo nosso Continente, pela afirmação da sua identidade e soberania”, acrescentou.
Na sua avaliação, o que deve ser prioridade em 2006?
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que 2006 é um ano eleitoral onde o Brasil não pode permitir qualquer retrocesso. Neste sentido, acredito que este ano é decisivo para a afirmação de um novo caminho de desenvolvimento, com mudanças na política econômica que caracterizem o início de um ciclo de crescimento onde a prioridade número um seja a geração de empregos, não os índices macroeconômicos. Para isso, é preciso garantir prioridade para as políticas sociais, com as mobilizações passando a ser cada vez mais um fator fundamental.
Consolidar o apoio popular.
Eu diria reconquistar. O presidente Lula disse que este será o ano do povo brasileiro e esperamos contribuir com nossa mobilização para que esse desejo se materialize. Houve uma desmotivação em parcelas da sociedade, que precisam ser reconquistadas com ações, com a sinalização de compromissos. A diferença de um governo democrático e popular é justamente o apoio que têm no povo, sua base de sustentação. Com a injeção de recursos nas áreas sociais, assegurando mais do que a satisfação de necessidades, a materialização de direitos, o movimento sindical, de negros, mulheres, estudantes, reunirá as condições para enfrentar e derrotar as forças de direita que tentam implodir a consolidação desse nosso projeto.
A Coordenação dos Movimentos Sociais realizará sua primeira reunião do ano, ampliada, já no dia 14. A linha é ampliar a pressão pelas mudanças?
A mobilização é o nosso grande trunfo, assim como a manutenção de determinadas políticas conservadoras como as altas taxas de juros e o elevado superávit primário são os nossos principais obstáculos, que acabam sendo um enorme gargalo para a efetivação de compromissos assumidos. Para que o projeto democrático e popular volte a estar na pauta da população, dos mais humildes, dos excluídos de direito e emprego, é preciso que estabeleçamos um amplo diálogo nacional. Vivemos num país continente e é preciso chegar nos mais distantes rincões. Como fazer isso com o governo totalmente dependente dos humores da mídia privada, sem comunicação para fora. É fundamental democratizar os meios de comunicação, e isso se faz com o necessário fortalecimento das rádios e tevês comunitárias, populares e educativas como um canal direto de diálogo com a sociedade, para que o governo não fique refém dos grandes meios. Precisamos dar visibilidade aos avanços obtidos, às limitações superadas e isso não se faz com o imediatismo publicitário do marketing eleitoral. Temos de falar para a consciência das pessoas, mostrar uma visão positiva, um projeto de país soberano, em contraposição à submissão neocolonial defendida e aplicada pelo neoliberalismo tucano, executada por Fernando Henrique.
É chave então construir canais de diálogo com a população…
É decisivo, fundamental mesmo. A população tem de ser informada sobre as mazelas que foram herdadas e que a grande imprensa omite. O custo social, o verdadeiro desastre para os cofres públicos que representaram as privatizações do desgoverno tucano, as mazelas que foram multiplicadas pelo desmonte do Estado, pelo corte nos investimentos, pelo arrocho do salário do funcionalismo. E não são só os imensos problemas deixados pelos anos de neoliberalismo que devem ser debatidos e esclarecidos, nem os reincidentes por equívocos do executivo, mas o custo social de políticas ainda hoje implementadas por governadores e prefeitos. Temos de dar voz aos que não têm voz, aquele trabalhador que muitas vezes está confinado, distante dos centros de decisão, mas que precisa de respostas às suas necessidades.
Há necessidade de enraizar a CMS em 2006.
Este é o nosso desafio. Mais do que três letras, a CMS reúne entidades sindicais, estudantis, urbanas e rurais, de mulheres, negros, associações comunitárias, o que lhe dá uma força poderosa. É claro que os movimentos sociais têm a sua razão de ser na população mais necessitada. Por isso as lideranças precisam ter muita humildade para exercerem esta representação e ampliarem os núcleos construtores da CMS.
Do ponto de vista sindical, quais são as grandes bandeiras para este ano?
A questão central é a geração de emprego. Embora tenhamos inegáveis avanços com este governo, com uma média de mais de cem mil novos empregos por mês, isso ainda é inteiramente insuficiente diante do descalabro deixado pelos anos de neoliberalismo tucano. Na batalha do Orçamento, que será definida nos próximos dias dentro do Congresso Nacional, defendemos o aumento do mínimo para R$ 400,00, como elemento fundamental para a distribuição de renda; a redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução de salário; o reajuste da tabela do Imposto de Renda, bem como a valorização dos serviços e dos servidores públicos. Com unidade e mobilização, faremos de 2006 um marco de luta em defesa do Brasil e de todo nosso Continente, pela afirmação da sua identidade e soberania.
Fonte: CUT
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Por Mhais• 3 de janeiro de 2006• 15:33• Sem categoria
“2006 será decisivo para afirmar um novo caminho de desenvolvimento”
Em entrevista ao Portal do Mundo do Trabalho, o secretário nacional de Comunicação da CUT e membro da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), Antonio Carlos Spis, avalia o ano em curso como “decisivo para a afirmação de um novo caminho de desenvolvimento, com mudanças na política econômica que caracterizem o início de um ciclo de crescimento onde a prioridade número um seja a geração de empregos, não os índices macroeconômicos”. Spis sublinhou a importância da democratização dos meios de comunicação, “com o necessário fortalecimento das rádios e tevês comunitárias, populares e educativas como um canal direto de diálogo com a sociedade, para que o governo não fique refém dos grandes meios”. “Com unidade e mobilização, faremos de 2006 um marco de luta em defesa do Brasil e de todo nosso Continente, pela afirmação da sua identidade e soberania”, acrescentou.
Na sua avaliação, o que deve ser prioridade em 2006?
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que 2006 é um ano eleitoral onde o Brasil não pode permitir qualquer retrocesso. Neste sentido, acredito que este ano é decisivo para a afirmação de um novo caminho de desenvolvimento, com mudanças na política econômica que caracterizem o início de um ciclo de crescimento onde a prioridade número um seja a geração de empregos, não os índices macroeconômicos. Para isso, é preciso garantir prioridade para as políticas sociais, com as mobilizações passando a ser cada vez mais um fator fundamental.
Consolidar o apoio popular.
Eu diria reconquistar. O presidente Lula disse que este será o ano do povo brasileiro e esperamos contribuir com nossa mobilização para que esse desejo se materialize. Houve uma desmotivação em parcelas da sociedade, que precisam ser reconquistadas com ações, com a sinalização de compromissos. A diferença de um governo democrático e popular é justamente o apoio que têm no povo, sua base de sustentação. Com a injeção de recursos nas áreas sociais, assegurando mais do que a satisfação de necessidades, a materialização de direitos, o movimento sindical, de negros, mulheres, estudantes, reunirá as condições para enfrentar e derrotar as forças de direita que tentam implodir a consolidação desse nosso projeto.
A Coordenação dos Movimentos Sociais realizará sua primeira reunião do ano, ampliada, já no dia 14. A linha é ampliar a pressão pelas mudanças?
A mobilização é o nosso grande trunfo, assim como a manutenção de determinadas políticas conservadoras como as altas taxas de juros e o elevado superávit primário são os nossos principais obstáculos, que acabam sendo um enorme gargalo para a efetivação de compromissos assumidos. Para que o projeto democrático e popular volte a estar na pauta da população, dos mais humildes, dos excluídos de direito e emprego, é preciso que estabeleçamos um amplo diálogo nacional. Vivemos num país continente e é preciso chegar nos mais distantes rincões. Como fazer isso com o governo totalmente dependente dos humores da mídia privada, sem comunicação para fora. É fundamental democratizar os meios de comunicação, e isso se faz com o necessário fortalecimento das rádios e tevês comunitárias, populares e educativas como um canal direto de diálogo com a sociedade, para que o governo não fique refém dos grandes meios. Precisamos dar visibilidade aos avanços obtidos, às limitações superadas e isso não se faz com o imediatismo publicitário do marketing eleitoral. Temos de falar para a consciência das pessoas, mostrar uma visão positiva, um projeto de país soberano, em contraposição à submissão neocolonial defendida e aplicada pelo neoliberalismo tucano, executada por Fernando Henrique.
É chave então construir canais de diálogo com a população…
É decisivo, fundamental mesmo. A população tem de ser informada sobre as mazelas que foram herdadas e que a grande imprensa omite. O custo social, o verdadeiro desastre para os cofres públicos que representaram as privatizações do desgoverno tucano, as mazelas que foram multiplicadas pelo desmonte do Estado, pelo corte nos investimentos, pelo arrocho do salário do funcionalismo. E não são só os imensos problemas deixados pelos anos de neoliberalismo que devem ser debatidos e esclarecidos, nem os reincidentes por equívocos do executivo, mas o custo social de políticas ainda hoje implementadas por governadores e prefeitos. Temos de dar voz aos que não têm voz, aquele trabalhador que muitas vezes está confinado, distante dos centros de decisão, mas que precisa de respostas às suas necessidades.
Há necessidade de enraizar a CMS em 2006.
Este é o nosso desafio. Mais do que três letras, a CMS reúne entidades sindicais, estudantis, urbanas e rurais, de mulheres, negros, associações comunitárias, o que lhe dá uma força poderosa. É claro que os movimentos sociais têm a sua razão de ser na população mais necessitada. Por isso as lideranças precisam ter muita humildade para exercerem esta representação e ampliarem os núcleos construtores da CMS.
Do ponto de vista sindical, quais são as grandes bandeiras para este ano?
A questão central é a geração de emprego. Embora tenhamos inegáveis avanços com este governo, com uma média de mais de cem mil novos empregos por mês, isso ainda é inteiramente insuficiente diante do descalabro deixado pelos anos de neoliberalismo tucano. Na batalha do Orçamento, que será definida nos próximos dias dentro do Congresso Nacional, defendemos o aumento do mínimo para R$ 400,00, como elemento fundamental para a distribuição de renda; a redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução de salário; o reajuste da tabela do Imposto de Renda, bem como a valorização dos serviços e dos servidores públicos. Com unidade e mobilização, faremos de 2006 um marco de luta em defesa do Brasil e de todo nosso Continente, pela afirmação da sua identidade e soberania.
Fonte: CUT
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