João Felicio reafirma “identidade da CUT com suas bandeiras históricas”
“Comemoramos nossos 22 anos reafirmando a identidade da CUT com as suas bandeiras históricas de defesa da classe trabalhadora e do Brasil, defendendo o governo Lula dos ataques da direita e da mídia que tentam desqualificar os movimentos sociais e abrir espaço para o retorno dos neoliberais”, afirmou João Antonio Felício, presidente nacional da CUT, durante a festa de aniversário da entidade, realizada na noite de quinta-feira (2), no Hotel Braston, em São Paulo.
De acordo com João Felício, a grande aliança que vem sendo conformada com os movimentos sociais e a classe trabalhadora reflete a disposição do povo brasileiro de enfrentar e derrotar a tentativa golpista. “Não queremos a volta dos neoliberais ao poder político, dos que assaltaram o Estado, privatizaram nosso patrimônio e tentaram retroceder direitos. Queremos avançar com Lula, com a esquerda no Brasil e na América Latina, pois nossa luta é internacional, não pode ser isolada”, acrescentou. João Felício denunciou que “Lula não está sendo atacado pelos seus defeitos, mas pelos avanços que o país vem tendo em contraposição ao desgoverno anterior, caracterizado pela submissão aos interesses externos”.
Durante a solenidade, que contou com a presença do ministro do Trabalho e ex-presidente da CUT, Luiz Marinho, foi lançado o livro “Salário Mínimo e Desenvolvimento”, com o apoio da Unicamp e do Dieese, e projetado o filme “I Conclat”, que deliberou em 1981 pela Comissão Pró-CUT. A exibição do filme emocionou os presentes, entre eles alguns sindicalistas que participaram do histórico Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, em Praia Grande, como Francisco Alano, dos Comerciários de Florianópolis e dirigente da CUT, Hugo Perez, da CGT e Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), da CGTB.
HISTÒRIA – O líder petroleiro e secretário nacional de Comunicação da CUT, Antonio Carlos Spis, manifestou o compromisso da entidade em melhorar a qualidade do filme a fim de divulgar amplamente um capítulo fundamental da história do movimento sindical brasileiro.
O ministro Luiz Marinho lembrou que “a CUT tem um papel na história recente do país, dando uma contribuição decisiva na conquista do processo democrático e na construção de um projeto de sociedade com distribuição de renda”. Hoje, no momento em que passamos por uma grave crise política, “a CUT e o movimento sindical podem ajudar muito, colaborando para sua resolução”. O que não podemos é voltar para trás, disse Marinho, recordando que “o governo anterior tinha preparado a privatização da Petrobrás, da Caixa Econômica Federal e do conjunto das empresas elétricas, aprofundando a política neoliberal”.
Representando o PCdoB, João Batista Lemos, frisou o papel fundamental da CUT no enfrentamento da crise e sublinhou que “somente a unidade da classe trabalhadora conseguirá barrar os ataques do capital e dos conservadores contra o governo Lula”. “Há uma ofensiva do imperialismo contra o governo devido à política soberana que nosso país vem adotando”, acrescentou.
UNIDADE – O presidente da CGTB, Antonio Neto, afirmou que o mesmo “mar de lama” alegado e fabricado pela imprensa e pelos setores anti-nacionais para difamarem Lula, já foram utilizados contra Getúlio, Jango e Juscelino. “Nós estamos junto com a CUT e vamos às ruas em defesa do presidente Lula que não está sendo atacado pelos seus erros, mas pelos acertos”. Segundo Neto, “há necessidade de mudança no modelo eleitoral – que só favorece a corrupção, principalmente pelo financiamento privado das campanhas – e da macroeconomia, reduzindo os juros e o superávit primário”.
O presidente da Força Sindical, João Carlos Gonçalves (Juruna), falou da rica experiência vivida na marcha unificada em defesa da valorização do salário mínimo e da importância das centrais estarem unidas na defesa dos interesses maiores dos trabalhadores.
Para o representante da CGT, Canindé Pegado, “o momento é de unidade de ação contra o neoliberalismo esculachado, que quer retirar direitos”.
Entre outros, estiveram presentes ao ato várias delegações internacionais de trabalhadores da Alemanha, Espanha e Estados Unidos, parlamentares suecos; o vice-presidente da UNE, Josué Medeiros; Ticiane Stuart, da Marcha Mundial de Mulheres; Carlos Barbosa, do Cesit e José Dario, da Unicamp.
Por Leonardo Severo, da Agência CUT de Notícias
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Grito dos Excluídos
Movimentos sociais do PR preparam surpresa para o 7 de Setembro
O dia será marcado por surpresas e muita irreverência. Foi assim que os representantes da Coordenação dos Movimentos Sociais do Paraná (CMS-PR) anunciaram, durante entrevista coletiva concedida na quinta-feira (01/09) à imprensa paranaense, a realização da 11ª edição do Grito dos Excluídos. A expectativa é reunir cerca de 800 pessoas, no Centro Cívico, para novamente fazer ecoar a voz daqueles que são menosprezados pelas autoridades políticas do país. A concentração está prevista para às 10 horas, em frente à Prefeitura Municipal de Curitiba.
Segundo Valdemar Simão Júnior, membro da CMS-PR, o ato é coincidentemente organizado num momento importante, pois o país atravessa uma forte crise política. “Levaremos para as ruas a indignação popular contra um modelo econômico excludente, que privilegia os banqueiros e especuladores em detrimento de 27 milhões de trabalhadores desempregados, enquanto as formas tradicionais de representação, como o Parlamento, mostram-se incapazes de atender as expectativas de transformação da sociedade”, ressaltou Valdemar.
O lema deste ano do Grito – Brasil, em nossas mãos a mudança – enfatiza que as transformações sociais dependem da mobilização do povo. As principais reivindicações são por mudança na política econômica, com drástica redução dos juros e suspensão do pagamento da dívida externa; imediata e rigorosa apuração de todas as denúncias de corrupção; e lutar por uma reforma do sistema político-partidário que permita ao povo brasileiro participar das decisões sobre os rumos do país.
A secretária de políticas sociais da CUT, Débora de Albuquerque Souza, representou a Central na entrevista e ressaltou que a entidade participa todo ano dessa importante mobilização. “A CUT integra o Grito desde a sua 1ª edição, em 1995. Temos claro o entendimento que é necessário organizar a classe trabalhadora para fazer o enfrentamento ao neoliberalismo. É preciso combatê-lo para construir um modelo que realmente promova o desenvolvimento da nação. Por isso no dia 7 levaremos ao Grito nossas tradicionais bandeiras de luta, como a redução da jornada de trabalho sem redução dos salários, por mudança na política econômica, contra a ALCA e o FMI, e pela integração da América Latina”, explicou Débora.
Por entender que o Brasil ainda é extremamente dependente do capital internacional, o Grito dos Excluídos foi criado com o objetivo de ser um contra-ponto ao “Dia da Independência”. Segundo levantamento das pastorais sociais, o protesto é promovido em cerca de 950 cidades do Brasil, além de ser realizado em diversos países da América Latina e do Caribe.
NOTÍCIAS COLHIDAS NO INFORMACUT Nº 209 – INFORMATIVO DA CUT-PR EM www.cutpr.org.br.
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