Segundo levantamento realizado pelo Dieese – Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos, 47% de um total de 264 acordos firmados no primeiro semestre de 2004 contemplaram aumentos reais de salário. Outros 32% obtiveram reajuste em patamar igual ao do índice oficial de inflação, o INPC, enquanto 21% ficaram abaixo da taxa.
A maior parte dos acordos que garantiu pelo menos a reposição da inflação foi registrada na indústria (83%), seguida pelos setores de comércio e serviços, respectivamente, de 75% e 74%.
Os números são melhores do que os registrados em 2003, quando 57,7% dos acordos fechados resultaram em perdas para os trabalhadores, por ficarem abaixo do INPC. Estudo realizado na ocasião revelou que apenas 19,6% das categorias conquistaram aumento real de salário, contra 23% que apenas conseguiu repor a inflação. Do total de acordos fechados, 28% previram cláusula de parcelamento do aumento em até três vezes.
O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, credita essa inversão à queda da inflação e à recuperação econômica. Para ele, a tendência neste semestre é de negociações para recompor o poder de compra dos assalariados e as empresas discutirem a distribuição de ganhos.
Na avaliação do ministro da Secretaria Especial de Desenvolvimento Econômico Social, Jaques Vagner, a melhoria dos salários é natural à medida que a economia se recupera. “Há uma consciência do empresariado de que precisa colocar dinheiro para rodar a economia”.
O presidente da FETEC/CUT-SP, Sebastião Geraldo Cardozo, por sua vez, reforça que no setor bancário, conceder aumento real de salário é uma obrigação moral. “Durante anos de crise, o setor financeiro foi o único que registrou crescimento nos lucros. Estudo recém-divulgado pela Consultoria Austin Asis, com base no resultado de 22 bancos mostrou um crescimento, para este primeiro semestre, de 20,1%, ou seja um salto de R$ 5,9 bilhões para R$ 7,1 bilhões. E isso às custas do bancário, que sofre com as demissões, imposição de metas e desrespeitos à jornada”, avisa Tião.
“Portanto, está mais do que na hora de invertemos essa situação e mostrarmos aos banqueiros que estamos dispostos a ir intensificar a luta para garantirmos aumento real de salário, melhoria significativa na PLR, valorização dos pisos e novas conquistas agregadas ao atual acordo”, reitera o dirigente ao lembrar do Encontro Nacional da Categoria, marcado para esta quarta-feira, em São Paulo.
Fonte: Fetec/CUT-SP – Lucimar Cruz Beraldo
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