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RELATÓRIO DA OIT MOSTRA RETROCESSO DO EMPREGO NO BRASIL

Correio Braziliense – Marcelo Tokarski e Mariana Flores

O desemprego na América Latina (AL), que no ano passado atingiu 19 milhões de pessoas, vem se agravando na mesma velocidade em que pioram as condições de trabalho na região. O diagnóstico está no Panorama Laboral 2003, divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostrando que o Brasil exerce a maior influência nesse quadro assustador.

Sozinho, o país representa 40% da População Economicamente Ativa (PEA) da América Latina. Justamente por isso, apesar da forte redução do desemprego na Argentina, que caiu 5,9 pontos percentuais no ano passado, na comparação com 2002, a média da região só recuou de 11,2% para 11%. O resultado não foi melhor, principalmente, em função de o desemprego no Brasil ter crescido de 12% para 12,4% no mesmo período, o que prejudicou o desempenho regional.

No Panorama Laboral, a OIT classificou os países de acordo com cinco fatores: índice de desemprego, nível de informalidade, salário industrial, salário mínimo e produtividade. O Brasil está entre os seis países que registraram retrocesso nesta classificação. Juntamente com o México, outra importante economia da região, o Brasil teve ‘‘retrocesso moderado’’ entre 2002 e 2003, principalmente em função do aumento do desemprego e da queda na renda. Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela também tiveram retrocesso.

Outras nove nações vivenciaram um cenário mais positivo. Quatro delas tiveram avanço: Chile, Costa Rica, El Salvador e Peru. Duas outras (Argentina e Honduras) registraram avanço moderado e Bolívia, Colômbia e Panamá tiveram estabilidade. ‘‘A América Latina passa por um processo de degradação da qualidade do trabalho’’, afirmou o diretor-adjunto do escritório da OIT em Brasília, José Carlos Ferreira.

Mulheres e negros
O documento afirma ainda que mulheres e negros são preteridos pelo mercado de trabalho no Brasil, apesar de, juntos, representarem 68% da PEA, o equivalente a 55 milhões de pessoas (19 milhões de mulheres e 36 milhões de negros).

Um dado do estudo sintetiza essa situação: enquanto 51% dos homens trabalham na informalidade e 49% na formalidade, no caso das mulheres esta proporção é de 58,2% e 41,8%, respectivamente. No caso de brancos e negros, a disparidade é ainda maior. Os brancos se dividem em 50,2% no mercado formal e 49,8% no informal. Entre os negros, a disposição é de 40,1% no formal e 59,9% no informal. Significa que mulheres e negros, até quando têm trabalho, ocupam postos com menores salários e piores condições do que homens e brancos.

Sem falar naquelas que sequer têm trabalho, como a ex-caixa de supermercado Clenilda Lopes dos Santos. Desempregada há seis meses, não consegue uma recolocação, apesar do bom currículo, que inclui 2º grau completo, curso de informática e experiência como secretária e telefonista. ‘‘Já não faço mais escolha. Qualquer vaga que aparecer eu aceito. Está difícil, tem muito concorrente’’, afirma. Há oito meses, Kelly Carine Vieira pediu demissão do emprego como doméstica, porque não recebia em dia. Desde então, não conseguiu outra vaga. ‘‘Aceito o que vier. Hoje em dia a gente não pode escolher’’, define.

Por 10:32 Notícias

RELATÓRIO DA OIT MOSTRA RETROCESSO DO EMPREGO NO BRASIL

Correio Braziliense – Marcelo Tokarski e Mariana Flores
O desemprego na América Latina (AL), que no ano passado atingiu 19 milhões de pessoas, vem se agravando na mesma velocidade em que pioram as condições de trabalho na região. O diagnóstico está no Panorama Laboral 2003, divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostrando que o Brasil exerce a maior influência nesse quadro assustador.
Sozinho, o país representa 40% da População Economicamente Ativa (PEA) da América Latina. Justamente por isso, apesar da forte redução do desemprego na Argentina, que caiu 5,9 pontos percentuais no ano passado, na comparação com 2002, a média da região só recuou de 11,2% para 11%. O resultado não foi melhor, principalmente, em função de o desemprego no Brasil ter crescido de 12% para 12,4% no mesmo período, o que prejudicou o desempenho regional.
No Panorama Laboral, a OIT classificou os países de acordo com cinco fatores: índice de desemprego, nível de informalidade, salário industrial, salário mínimo e produtividade. O Brasil está entre os seis países que registraram retrocesso nesta classificação. Juntamente com o México, outra importante economia da região, o Brasil teve ‘‘retrocesso moderado’’ entre 2002 e 2003, principalmente em função do aumento do desemprego e da queda na renda. Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela também tiveram retrocesso.
Outras nove nações vivenciaram um cenário mais positivo. Quatro delas tiveram avanço: Chile, Costa Rica, El Salvador e Peru. Duas outras (Argentina e Honduras) registraram avanço moderado e Bolívia, Colômbia e Panamá tiveram estabilidade. ‘‘A América Latina passa por um processo de degradação da qualidade do trabalho’’, afirmou o diretor-adjunto do escritório da OIT em Brasília, José Carlos Ferreira.
Mulheres e negros
O documento afirma ainda que mulheres e negros são preteridos pelo mercado de trabalho no Brasil, apesar de, juntos, representarem 68% da PEA, o equivalente a 55 milhões de pessoas (19 milhões de mulheres e 36 milhões de negros).
Um dado do estudo sintetiza essa situação: enquanto 51% dos homens trabalham na informalidade e 49% na formalidade, no caso das mulheres esta proporção é de 58,2% e 41,8%, respectivamente. No caso de brancos e negros, a disparidade é ainda maior. Os brancos se dividem em 50,2% no mercado formal e 49,8% no informal. Entre os negros, a disposição é de 40,1% no formal e 59,9% no informal. Significa que mulheres e negros, até quando têm trabalho, ocupam postos com menores salários e piores condições do que homens e brancos.
Sem falar naquelas que sequer têm trabalho, como a ex-caixa de supermercado Clenilda Lopes dos Santos. Desempregada há seis meses, não consegue uma recolocação, apesar do bom currículo, que inclui 2º grau completo, curso de informática e experiência como secretária e telefonista. ‘‘Já não faço mais escolha. Qualquer vaga que aparecer eu aceito. Está difícil, tem muito concorrente’’, afirma. Há oito meses, Kelly Carine Vieira pediu demissão do emprego como doméstica, porque não recebia em dia. Desde então, não conseguiu outra vaga. ‘‘Aceito o que vier. Hoje em dia a gente não pode escolher’’, define.

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