Gazeta do Povo
Um terço das pessoas que vão ingressar no mercado de trabalho mora na região de Curitiba
Mais 81 mil pessoas devem entrar no mercado de trabalho no Paraná, neste ano. O número de empregos formais a serem criados em 2004 dificilmente atingirá esse patamar.
A estimativa é da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, que prevê um aumento de 5% no tamanho da População Economicamente Ativa (PEA) do estado, até 2006, chegando a 5,34 milhões. “Um terço desse total deve se concentrar na região metropolitana de Curitiba”, salienta o economista Eron José Maranho, técnico da secretaria e responsável pelo levantamento.
Na avaliação de Maranho, com esses números nas mãos, o poder público tem pelo menos dois desafios pela frente. Primeiro, oferecer condições para que a criação de empregos acompanhe o ritmo do crescimento da PEA. E, segundo, dar à população alternativas de obtenção de renda. “Programas como o Fome Zero e o microcrédito são bons exemplos”, cita o economista.
Maranho argumenta que numa família que encontra diversas fontes de renda, a pressão para que os integrantes saiam às ruas para procurar emprego é menor. Dessa forma, raciocina o economista, a População Economicamente Ativa aumentaria de forma menos acelerada. A concorrência por uma vaga no mercado de trabalho seria menor e, assim, um candidato conseguiria emprego mais fácil e rapidamente.
Para o técnico da Secretaria do Trabalho, é “muito difícil” que, em 2004, sejam criados no Paraná 81 mil empregos formais (total equivalente ao crescimento projetado da PEA no estado, neste ano). Em 2003, cerca de 70 mil novas vagas com carteira assinada foram abertas, de acordo com estimativas do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). Foi o maior número desde 1990, quando o Dieese começou a apurar o nível de emprego no estado.
O economista Cid Cordeiro, coordenador-técnico do Dieese, prevê que o Paraná continue com bom desempenho na criação de postos de trabalho, nos próximos 12 meses. Salienta, todavia, que a geração de empregos ainda está bastante aquém da taxa de desempregados.
É a opinião também do mestre em gestão empresarial Norman de Paula Arruda Filho, superintendente do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (Isae/FGV) no Paraná. “A retomada do crescimento econômico do Brasil ainda é muito tímida. Tem um impacto muito pequeno nos índices de desemprego”, comenta.
O Paraná se destaca, continua ele, porque o agronegócio é um dos poucos setores no Brasil que registraram incremento na produção nos últimos três anos. A agricultura ainda é a base da economia estadual, no entanto a industrialização de matéria-prima agrícola se intensificou. “Aumentou-se a produtividade e os resultados financeiros do agricultor”, diz.
A População Economicamente Ativa no Paraná é composta por 5,098 milhões de pessoas, de acordo com a Secretaria de Trabalho. Até 2004, serão 5,179 milhões. Nem a secretaria, nem o Dieese e tampouco o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) fazem pesquisas mensais que mostrem qual o índice de desocupação em todo o estado.
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