fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 10:00 Sem categoria

ÍNDIA RECEBERÁ 100 MIL PESSOAS PARA O FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Agência Brasil – Milena Galdino

A cidade indiana de Mumbai, a antiga Bombaim, se prepara para receber o 4o Fórum Social Mundial. O evento é “um espaço de encontro da diversidade de atores sociais de uma emergente cidadania planetária”, na definição de um dos seus idealizadores, Cândido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro de Análise Sociais e Econômicas (Ibase), uma das oito entidades que iniciaram o fórum, em 2001.

O Fórum chegou a reunir 150 mil pessoas na sua edição anterior e acontece fora do Brasil pela primeira vez. Para Grzybowski, a transferência para a Índia faz parte do processo de internacionalização previsto durante a concepção do Fórum. “Estamos trabalhando para construir um evento global, abrindo espaço para a participação de organizações e movimentos asiáticos que por conta da distância não puderam estar presentes em Porto Alegre. Há a intenção de levar o evento também para o continente africano”, explica. Segundo ele, a mudança essencial nessa quarta edição se dá por conta da consolidação já conquistada. “Nosso desafio agora é tornar o Fórum um ator de impacto, pois já somos um espaço de articulação e reflexão. Nossas dificuldades já não são mais de ordem organizativa, e sim metodológicas com implicações políticas”, afirma.

Para preparar a cidade anfitriã, artistas estão na metrópole onde vivem mais de 20 milhões de habitantes. Junto com alunos de faculdades de belas artes, eles expressam nas populares estações de trens os temas do congresso em pinturas, esculturas e instalações. “A cidade já está em clima de festa, os hotéis estão lotados”, conta Farida Jhabala Romero, assessora de comunicação do Fórum. Ele comenta que mais 60 mil delegados já se registraram para o encontro, que acontece entre 16 e 21 de janeiro. “Mas acho que esse número ainda chegará a 100 mil pessoas”, acredita Romero.

Nos 800 seminários e debates previstos, os temas variam entre globalização imperialista, militarismo, fanatismo religioso, violência, sectarismo, racismo e sociedade segmentada, trabalho, exclusão e discriminação social. A maior parte da programação será composta por atividades autogestionadas, seguindo a natureza de improviso e democracia do encontro. “O Fórum Social Mundial é um espaço amplo para discussão de temas que afligem as populações. Os participantes usarão esse espaço da maneira que julgarem ser a mais correta. A organização não interfere nisto”, comenta Romero.

Segundo ela, a cobertura da imprensa mundial promete ser ampla. Franceses, indianos, coreanos, norte-americanos, brasileiros, alemães e japoneses são os mais freqüentes na lista de mais de dois mil jornalistas credenciados, mas a imprensa alternativa não-registrada – que abastece sites de organizações não-governamentais e movimentos populares – também deve multiplicar a participação da imprensa no evento.

História
O Fórum Social Mundial entrou na agenda das organizações não-governamentais e dos movimentos sociais em janeiro de 2001, quando cerca de 20 mil pessoas se encontraram em Porto Alegre com a intenção de adicionar o termo “solidariedade” à tão celebrada “globalização”. Organizações de diferentes setores da sociedade se reunirão para mobilizar as discussões em torno da construção de “um outro mundo possível”. Além do IBASE, participaram da criação do FSM o Movimento do Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG), Ação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos (ATTAC), Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania (CIVES), Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.

No ano passado, mais de cem mil pessoas participaram do Fórum, sob a bandeira de luta por relações mais igualitárias e fraternas entre os povos. FSM surgiu para ser um contraponto ao encontro de Davos, denominado Fórum Econômico Mundial. Na Suíça, executivos e representantes de milhares das maiores empresas multinacionais, de bancos internacionais e organismos multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC) se reúnem anualmente desde 1971. O fórum econômico é, essencialmente, o emblema das políticas neoliberais em todo o mundo.

No Brasil, o Fórum Social surgiu em 2001 para reunir de organizações e movimentos da sociedade civil sem, contudo, ter a pretensão de dar aos participantes uma voz única. Prova disso é o impedimento de votações formais nos painéis e plenárias. “Os participantes do Fórum não devem ser instigados a tomarem decisões como um corpo único, seja por voto, ou aclamação, em declarações ou propostas que possam comprometer a todos ou a maioria. Assim o encontro não será objeto de poder a ser disputado entre os participantes”, prevê a Carta de Princípios.

Cândido Grzybowski, diretor do Ibase, ressalta que o efeito do que é discutido pode ser visto na mudança gradual de consciência política e social das populações. “São muitos organismos, movimentos, redes, campanhas, coalizões de gente que não tem mandato, nem poder, mas que vota, ou seja, cria mandatos de poder”, reitera.

Por 10:00 Notícias

ÍNDIA RECEBERÁ 100 MIL PESSOAS PARA O FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Agência Brasil – Milena Galdino
A cidade indiana de Mumbai, a antiga Bombaim, se prepara para receber o 4o Fórum Social Mundial. O evento é “um espaço de encontro da diversidade de atores sociais de uma emergente cidadania planetária”, na definição de um dos seus idealizadores, Cândido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro de Análise Sociais e Econômicas (Ibase), uma das oito entidades que iniciaram o fórum, em 2001.
O Fórum chegou a reunir 150 mil pessoas na sua edição anterior e acontece fora do Brasil pela primeira vez. Para Grzybowski, a transferência para a Índia faz parte do processo de internacionalização previsto durante a concepção do Fórum. “Estamos trabalhando para construir um evento global, abrindo espaço para a participação de organizações e movimentos asiáticos que por conta da distância não puderam estar presentes em Porto Alegre. Há a intenção de levar o evento também para o continente africano”, explica. Segundo ele, a mudança essencial nessa quarta edição se dá por conta da consolidação já conquistada. “Nosso desafio agora é tornar o Fórum um ator de impacto, pois já somos um espaço de articulação e reflexão. Nossas dificuldades já não são mais de ordem organizativa, e sim metodológicas com implicações políticas”, afirma.
Para preparar a cidade anfitriã, artistas estão na metrópole onde vivem mais de 20 milhões de habitantes. Junto com alunos de faculdades de belas artes, eles expressam nas populares estações de trens os temas do congresso em pinturas, esculturas e instalações. “A cidade já está em clima de festa, os hotéis estão lotados”, conta Farida Jhabala Romero, assessora de comunicação do Fórum. Ele comenta que mais 60 mil delegados já se registraram para o encontro, que acontece entre 16 e 21 de janeiro. “Mas acho que esse número ainda chegará a 100 mil pessoas”, acredita Romero.
Nos 800 seminários e debates previstos, os temas variam entre globalização imperialista, militarismo, fanatismo religioso, violência, sectarismo, racismo e sociedade segmentada, trabalho, exclusão e discriminação social. A maior parte da programação será composta por atividades autogestionadas, seguindo a natureza de improviso e democracia do encontro. “O Fórum Social Mundial é um espaço amplo para discussão de temas que afligem as populações. Os participantes usarão esse espaço da maneira que julgarem ser a mais correta. A organização não interfere nisto”, comenta Romero.
Segundo ela, a cobertura da imprensa mundial promete ser ampla. Franceses, indianos, coreanos, norte-americanos, brasileiros, alemães e japoneses são os mais freqüentes na lista de mais de dois mil jornalistas credenciados, mas a imprensa alternativa não-registrada – que abastece sites de organizações não-governamentais e movimentos populares – também deve multiplicar a participação da imprensa no evento.
História
O Fórum Social Mundial entrou na agenda das organizações não-governamentais e dos movimentos sociais em janeiro de 2001, quando cerca de 20 mil pessoas se encontraram em Porto Alegre com a intenção de adicionar o termo “solidariedade” à tão celebrada “globalização”. Organizações de diferentes setores da sociedade se reunirão para mobilizar as discussões em torno da construção de “um outro mundo possível”. Além do IBASE, participaram da criação do FSM o Movimento do Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG), Ação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos (ATTAC), Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania (CIVES), Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.
No ano passado, mais de cem mil pessoas participaram do Fórum, sob a bandeira de luta por relações mais igualitárias e fraternas entre os povos. FSM surgiu para ser um contraponto ao encontro de Davos, denominado Fórum Econômico Mundial. Na Suíça, executivos e representantes de milhares das maiores empresas multinacionais, de bancos internacionais e organismos multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC) se reúnem anualmente desde 1971. O fórum econômico é, essencialmente, o emblema das políticas neoliberais em todo o mundo.
No Brasil, o Fórum Social surgiu em 2001 para reunir de organizações e movimentos da sociedade civil sem, contudo, ter a pretensão de dar aos participantes uma voz única. Prova disso é o impedimento de votações formais nos painéis e plenárias. “Os participantes do Fórum não devem ser instigados a tomarem decisões como um corpo único, seja por voto, ou aclamação, em declarações ou propostas que possam comprometer a todos ou a maioria. Assim o encontro não será objeto de poder a ser disputado entre os participantes”, prevê a Carta de Princípios.
Cândido Grzybowski, diretor do Ibase, ressalta que o efeito do que é discutido pode ser visto na mudança gradual de consciência política e social das populações. “São muitos organismos, movimentos, redes, campanhas, coalizões de gente que não tem mandato, nem poder, mas que vota, ou seja, cria mandatos de poder”, reitera.

Close